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Castro Vicente - detalhe

Designação

Designação

Castro Vicente

Outras Designações / Pesquisas

Castro de Vila Velha / Castro Cabecinha / Senhor da Fraga / Santo Cristo / Castro Vicente / Castro de Vila Velha / Castro Cabecinha (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Castro

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Bragança / Mogadouro / Castro Vicente

Endereço / Local

-- nos arredores da povoação de Castro Vicente
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 40 361, DG, I Série, n.º 228, de 20-10-1955 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

É no topo aplanado de uma colina sobranceira à margem direita do rio Sabor, que se ergue o "Castro Vicente", a Sudeste da localidade que lhe deu nome.
Edificado durante a Idade do Ferro desta região do Noroeste peninsular, o povoado foi, à semelhança do que sucedeu com os restantes exemplares da denominada "cultura castreja", dotado de um complexo sistema defensivo, apesar das excelentes condições naturais que apresenta, bem visíveis nas acentuadas pendentes, e mesmo arribas, que o protegem naturalmente nas vertentes Sul, Ocidental e Oriental. Por conseguinte, foi a encosta Norte que acabou por ser reforçada artificialmente, até por ser a única que permitia, à partida, um acesso mais facilitado à plataforma localizada no cume do "Senhor da Fraga", como é também localmente conhecido o cômoro.
É, pois, aqui, que nos deparamos com as remanescências das sucessivas ocupações humanas que aí tiveram lugar. Entre elas, destaca-se, sem dúvida, e como seria de esperar, a presença de alguns troços do antigo muralhado Proto-histórico (ou da "Pré-história Recente"), ainda que a forma como o aparelho pétreo se encontra interligado por argamassa pareça indicar uma cronologia posterior, possivelmente decorrente de uma reutilização do espaço ocorrida tempos depois. E, na verdade, o predomínio de materiais cronologicamente datáveis do período de ocupação romana desta região do actual território português parece reforçar esta ideia. Desde materiais de construção tipicamente romanos, como tegulae e imbrices, até recipientes de uso mais quotidiano, a exemplo de fragmentos de cerâmica comum, de terra sigillata e de dolia (vasos de grande porte, essencialmente destinados ao armazenamento), tudo parece apontar para uma presença romana durante um largo período de tempo, o que, se reitera uma das realidades mais presentes neste tipo de povoados fortificados de altura, a sua ocupação em pleno domínio romano, reafirma, por outro, a excelência geo-estratégica do local, ao mesmo tempo que das suas condições naturais de defesa, a par dos recursos cinegéticos que, no conjunto, permitiam uma ocupação de carácter permanente por parte de uma comunidade humana relativamente alargada, ao ver, assim, suprimidas as suas necessidades mais básicas.
Mas não só, pois elementos tão significativos como exemplares de terra sigillata dizem-nos algo mais, nomeadamente acerca da inserção deste sítio, obviamente em época romana, num modelo de circulação alargada de determinados produtos, que, como no caso desta louça fina, de mesa, não chegaram a ser fabricados no actual solo português. Cerâmica importada, por excelência, a presença de terra sigillata demonstra bem como o povoado desfrutava, à época, de uma economia aberta, certamente proporcionada pelas vias naturais (mas não só) de circulação, das quais o rio Sabor não deveria desempenhar um papel menos importante, ao mesmo tempo que o poder económico fruído pelas gentes que então o ocuparam. Uma situação que parece ser, de algum modo, confirmada pelo facto de a análise efectuada às pastas desta cerâmica ter revelado estarmos em presença de sigillata sud-gálica e hispânica, o que, em termos cronológicos, parece apontar para uma reocupação do local já durante o Alto Império.
O local foi posteriormente apropriado durante a medievalidade, com a edificação de uma capela de invocação a Santo Cristo (ou ao Sr. da Fraga), ainda que fosse objecto de intervenções posteriores que, no conjunto, acabaram por modificar-lhe o plano original, como tantas vezes sucede, numa permanente acomodação a gostos, interesses e necessidades epocais. No seu interior, foram identificados alguns elementos dignos de menção, como uma estela funerária dupla inscrita, uma ara e uma inscrição, para além de três representações aparentemente antropomórficas, executadas em granito e embutidas naquele que é, hoje, o alçado exterior da cabeceira do templo.
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Título

A Cultura Castreja no Noroeste de Portugal

Local

Paços de Ferreira

Data

1986

Autor(es)

SILVA, Armando Coelho Ferreira da

Título

O Leste do Território Bracarense

Local

Torres Vedras

Data

1975

Autor(es)

NETO, Joaquim Maria

Título

Roman Portugal

Local

Warminster

Data

1988

Autor(es)

ALARCÃO, Jorge Manuel N. L.

Título

Povoamento Romano de Trás-os-Montes Oriental, 6 vols., Dissertação de Doutoramento apresentada à Universidade do Minho

Local

Braga

Data

1993

Autor(es)

LEMOS, Francisco Sande

Título

Catálogo dos monumentos e sítios arqueológicos do Planalto Mirandês (Pré-História), Brigantia, vol. 13, nº3/4, pp.193-233

Local

Bragança

Data

1993

Autor(es)

MARCOS, Domingos dos Santos

Título

Pinturas murais seiscentistas em capelas do distrito de Bragança, Brigantia

Local

Bragança

Data

1985

Autor(es)

AFONSO, Belarmino

Título

Património arqueológico na aldeia de Castro Vicente. Pré-história e romanização: estelas funerárias, Brigantia

Local

Bragança

Data

1984

Autor(es)

AFONSO, Belarmino

Título

Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança: arqueologia, etnografia e arte

Local

Porto

Data

1934

Autor(es)

ALVES, Francisco Manuel