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Cabeço de Alfarela - detalhe

Designação

Designação

Cabeço de Alfarela

Outras Designações / Pesquisas

Povoado do Cabeço de Alfarela (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Povoado

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Bragança / Torre de Moncorvo / Torre de Moncorvo

Endereço / Local

-- na margem esquerda do rio Sabor
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 29/90, DR, I Série, n.º 163, de 17-07-1990 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Classificado em 1990 como "Imóvel de Interesse Público", o povoado conhecido por "Cabeço de Alfarela" ergue-se no topo de uma elevação sobranceira ao vale da Vilariça e do rio Sabor, com um bom domínio sobre a paisagem envolvente.
Embora parte significativa das estruturas actualmente visíveis no local correspondam à Idade do Ferro, as investigações conduzidas no sítio permitiram recolher materiais atribuíveis a períodos anteriores, nomeadamente ao Calcolítico e Bronze, numa prova irrefutável das condições defensivas que proporcionava às comunidades humanas, ao mesmo tempo que o valor cinegético da zona, pelos recursos materiais e alimentares indispensáveis dispostos à sua sobrevivência durante uma baliza cronológica assaz alargada. O que não será surpreendente, atendendo, sobretudo, às enormes propriedades agrícolas dos terrenos em que se encontra inserido.
Enquadrado, porém, no entendimento generalizado da denominada "cultura castreja" desta região do Noroeste peninsular, o povoado foi, durante a Idade do Ferro, dotado de um complexo sistema defensivo, que poderia ter integrado elementos remanescentes de ocupações precedentes. É, assim, que, a par de troços das características linhas de muralha, aparelhadas, neste caso, em xisto, e, tal como sucede nos demais exemplares desta tipologia arqueológica, foi na área delimitada pelo muralhado interno que se construíram as típicas estruturas de carácter doméstico castrejas, de planta predominantemente circular e rectangular.
Não se circunscreve, porém, a estes aspectos as semelhanças observadas entre este povoado e os restantes erguidos durante a Idade do Ferro na mesma região. De assinalar é também o facto de ter sido reocupado em momentos posteriores, nomeadamente durante o período de ocupação romana do actual território português, numa clara evocação da sua valência estratégica no seio do novo quadro administrativo emanado de Roma, ao mesmo tempo que das excelentes condições de (sobre)vivência que proporcionava a todos quantos o escolhiam. Um quadro geral, ao qual não terá sido, certamente, estranha a proximidade de uma via de comunicação da importância do rio Sabor, aparte o facto de funcionar, ele próprio, como inegável fonte de alimentação. Esta presença romana encontra-se bem representada nos característicos materiais de construção, como tegulae e imbrices, a atestar, no fundo, o carácter de longa permanência das estruturas então erigidas. Para além destes elementos, foram de igual modo recolhidos fragmentos de recipientes de uso mais quotidiano, como a cerâmica comum, juntamente a exemplares de terra sigillata, estes últimos a inserir, eventualmente, o sítio num modelo de circulação alargada de determinados produtos, que, como no caso desta louça fina, de mesa, não chegaram a ser fabricados no actual solo português. Cerâmica importada, por excelência, a presença de terra sigillata demonstraria bem como o povoado desfrutava, à época, de uma economia aberta, certamente proporcionada pelas vias naturais (mas não só) de circulação, das quais o rio Sabor não deveria desempenhar um papel menos importante, ao mesmo tempo que o poder económico fruído pelas gentes que então o ocuparam.
A consequência factual e simbólica do local não se limitou, contudo, ao período romano, pois a medievalidade trouxe uma tentativa de (re)apropriação das memórias que o povoavam, designadamente pela força do Cristianismo, como parece confirmar a presença, nas suas imediações, de seis sepulturas escavadas na rocha, duas delas ostentando ainda as respectivas tampas, ainda que tivesse sido eventualmente reutilizado militarmente, numa possível ligação ao "Povoado de Santa Cruz da Vilariça (Vila Velha)", como indiciarão os vestígios de uma estrutura de planta rectangular, possivelmente correspondente a uma atalaia.
[AMartins]