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Espigueiros do Lindoso e local onde se implantam - detalhe

Designação

Designação

Espigueiros do Lindoso e local onde se implantam

Outras Designações / Pesquisas

Conjunto de Espigueiros do Lindoso(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Espigueiro

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Ponte da Barca / Lindoso

Endereço / Local

- -
Lindoso

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação (Homologado como IIP -...

Cronologia

Despacho de homologação de 16-02-1983

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Situado em pleno coração do Alto Minho, numa das zonas dotadas de maior beleza natural, o território correspondente, na actualidade, ao concelho de Ponte da Barca (antiga "Torre da Nóbrega", "Terras da Nóbrega" ou, ainda, Anóbrega) distingue-se pela variedade da sua paisagem, em grande graças à presença do Rio Lima e da albufeira (natural) do Alto Lindoso, a maior da Península Ibérica. Mas também os enormes afloramentos graníticos não deixam de lhe conferir monumentalidade, ao mesmo tempo que uma personalidade fortemente vincada, transposta para as inúmeras estruturas erigidas ao longo dos tempos pelas mãos de quem soube escolher a região para sua permanência e sobrevivência, enquanto assistia ao desenrolar de alguns dos episódios mais relevantes da constituição e afirmação do reino português, testemunhado, por exemplo, pelo castelo afonsino, reconstruído já ao tempo de D. Dinis (1261-1325).
De entre as freguesias que compõem o termo de Ponte da Barca, sobressai a de Lindoso, amplamente conhecida pelos inúmeros espigueiros que ostenta. Com efeito, a par dos exemplares existente na Vila de Soajo, Lindoso destaca-se das demais localidades pela organização social e económica que caracterizou sempre as suas gentes, estruturadas em torno do princípio comunitário, tão particular das comunidades rurais.
Construídos de forma harmoniosa com a restante paisagem os sessenta e quatro espigueiros - perfazendo, deste modo, um dos mais notáveis conjuntos existentes no país - agrupam-se ao longo do declive do morro onde se ergue o castelo, sobranceiro à povoação e ao próprio Rio Lima, em torno de uma eira colectiva, entre grandes afloramentos graníticos, uma protecção natural valorizada por um muro tosco construído propositadamente para impedir a passagem do gado, num sítio originalmente baldio.
É, justamente, na área de Soajo e Lindoso que abundam os espigueiros com o corpo inteiramente de pedra, "[...] uma das manifestações mais notáveis não só desta classe de edifícios, mas mesmo da construção popular em geral [...]." (DIAS, J., OLIVEIRA, E. V., GALHANO, F., 1963, p. 59). A utilização de material pétreo não implicou, todavia, diferenças estruturais no conceito e na própria arquitectura do espigueiro. Ela apenas lhe atribuiu uma feição sui generis, ao mesmo tempo que acentuada robustez.
Dividindo-se os espigueiros de pedra entre os que apresentam fendas horizontais e verticais, os de Lindoso inserem-se neste último tipo - o de fendas verticais -, ainda que coexistindo com o tipo de telhado de cápeas e guarda-ventos, assim como a par dos espigueiros mistos, construídos em pedra, madeira e/ou tijolo
Por conseguinte, os espigueiros de Lindoso assentam em pilares simples, com ou sem sapata, sendo coroados com mós ou mesas de diferentes formatos e bem talhados. É esta base que apoia o corpo do espigueiro, propriamente dito, formado por padieiras laterais com pequena saliência interna para suporte das lajes ou soleiras de lastro; as colunas, nas arestas, e, por fim, os lintéis de topo.
Um dos elementos mais interessantes residirá, contudo, no facto destas estruturas serem profusamente decoradas, ostentando vestígios de sugestiva sacralização, a exemplo das cruzes colocadas no alto do lintel, no topo frontal, provavelmente destinadas a invocar protecção divina sobre os produtos neles contidos. Na realidade, "[...] raras vezes deixa de se ver qualquer motivo, medalhão, data, símbolo religioso, rasgo geométrico, por vezes vazado, etc. [...]. urnas, pináculos, relógios de sol, ou outros motivos, sobre peanhas lavradas." (Idem, Ibidem, p. 65).
Datáveis dos séculos XVIII, XIX e XX, os espigueiros conheceram maior actividade ao tempo do investimento na cultura do milho, assim resguardado, quer das intempéries, quer dos animais, substituindo, provavelmente, os primitivos canastros, hoje desaparecidos, e que seriam construídos em verga, como o próprio nome indicará.
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Título

Guia de Portugal, v.4, t. II : Entre Douro e Minho, Minho

Local

Lisboa

Data

1996

Autor(es)

DIONÍSIO, Sant'Ana

Título

Inventário artístico da região Norte - II, nº3 (Concelho de Ponte da Barca)

Local

-

Data

1973

Autor(es)

-

Título

Ponte da Barca, Tesouros Artísticos de Portugal

Local

Lisboa

Data

1976

Autor(es)

ALMEIDA, José António Ferreira de

Título

Espigueiros portugueses

Local

Porto

Data

1963

Autor(es)

DIAS, Jorge, OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, GALHANO, Fernando

Título

Lindoso, Tesouros Artísticos de Portugal

Local

Lisboa

Data

1976

Autor(es)

ALMEIDA, José António Ferreira de