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Povoação de Piódão - detalhe

Designação

Designação

Povoação de Piódão

Outras Designações / Pesquisas

Povoação de Piódão / Aldeia de Piódão (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Povoação

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Coimbra / Arganil / Piódão

Endereço / Local

Serra do Açor
Piódão

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A aldeia de Piódão constitui um conjunto arquitectónico de grande interesse, tanto pela sua antiguidade, como pela unidade e estado de preservação das construções, harmoniosamente integradas no cenário natural. O primeiro aglomerado populacional, o casal de Piodão Velho, fora erguido num vale próximo da actual aldeia, existindo ainda alguns vestígios do mesmo. Os habitantes deste casal, ou parte deles, deslocaram-se em data incerta (mas possivelmente no século XV) para a actual localização, na encosta Sul da serra do Açor. As casas foram construídas em socalcos que sobem pela serra, compondo um anfiteatro irregular, cercado pela vegetação densa, típica das encostas ricas em xisto da zona centro do país.
Em xisto, naturalmente, foram construídas quase todas as casas e ruas de Piódão, ligadas entre si por escadas do mesmo material, que vencem os múltiplos desníveis do terreno. Pelo meio da povoação passa a levada que conduz as águas da ribeira do Piódão. As ruas desenvolvem-se a partir de uma ampla praça central, onde se ergue presentemente a igreja paroquial de Nossa Senhora da Conceição, cujos muros caiados de branco se destacam entre o tom de ardósia das habitações. A igreja foi construída apenas no século XVII, sendo praticamente seguro que no seu lugar tenha existido um templo mais antigo, para o qual seria executada a escultura em calcário da padroeira, que data do século XVI, e ainda se conserva. O templo seiscentista sofreu várias obras ao longo do tempo, nomeadamente uma ampliação em finais do século XVIII, e uma remodelação em finais do século XIX e início do século XX, quando se encontrava em muito mau estado de conservação. Nesta altura foi reconstruída a frontaria, por iniciativa (e projecto) do Cónego Manuel Fernandes Nogueira, que gizou uma fachada adequada ao gosto eclético da época, com frontão neo-barroco, e ritmada por quatro esguios contrafortes cilíndricos, coroados por coruchéus cónicos. A igreja integra ainda retábulos setecentistas, mas durante os trabalhos de restauro da passada centúria alguma talha foi pintada, e os azulejos oitocentistas, azuis e brancos, da nave foram substituídos por outros, modernos.
A aldeia foi certamente crescendo ao sabor das necessidades dos seus habitantes, conservando intacta a morfologia orgânica e irregular das povoações medievais. As casas de Piódão possuem dois e três andares na fachada; as plataformas sobre as quais são construídas determinam que as traseiras tenham apenas um ou dois pisos, destinados a armazéns agrícolas, que desta forma ficam sobre a zona de habitação. As paredes são construídas em rocha e argila revestidas a xisto, embora por vezes igualmente a lousa. De lousa eram quase todas as coberturas, apesar de actualmente já se encontrar alguma telha vermelha. As fachadas são rasgadas por janelas de guilhotina e portas em madeira de castanho, pintadas com cores fortes, entre as quais predomina o azul. Dois motivos principais determinaram esta unidade construtiva, e a sua quase exemplar preservação. Antes de mais, falamos do prolongado isolamento a que esteve votada a aldeia, forçada a recorrer apenas aos materiais, técnicas e tipologias locais; e finalmente, o facto de ter sido classificada como Imóvel de Interesse Público em 1978, e integrada no Programa de Recuperação das Aldeias Históricas de Portugal em 1994.
Sílvia Leite

Imagens