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Uma inscrição gravada num penedo existente no lugar de Lamas do Moledo, que faz parte de um prédio pertencente a Manuel Rodrigues Simões - detalhe

Designação

Designação

Uma inscrição gravada num penedo existente no lugar de Lamas do Moledo, que faz parte de um prédio pertencente a Manuel Rodrigues Simões

Outras Designações / Pesquisas

Inscrição em Lamas de Moledo / Inscrição gravada num penedo no Lugar de Lamas de Moledo(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Inscrição

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Castro Daire / Moledo

Endereço / Local

- -
Lamas do Moledo

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 39 175, DG, I Série, n.º 77, de 17-04-1953 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Os ainda escassos dados relativos às práticas religiosas do substrato cultural pré-romano no actual território português são, de algum modo, colmatados por um considerável repositório epigráfico romano que nos ajuda, senão a compreendê-las na totalidade, pelo menos a percepcioná-las parcialmente. E parece ser este o caso da "Inscrição num penedo em Lamas de Moledo" (de onde provêm outras três inscrições funerárias), a qual, na opinião de alguns autores, constituirá um "[...] declarado testemunho da ideologia funcional e tripartida, de tradição indo-europeia, pervivente entre as comunidades indígenas ainda na época romana, que nos é transmitido por três inscrições referenciadas na área nuclear lusitana [...]." (SILVA, Armando Coelho Ferreira da, 1990, p. 337), entre as quais o testemunho em epígrafe.
A inscrição é referida desde, pelo menos, o século XVII, altura em que Botelho Pereira a interpreta como contendo dados sobre os povos que teriam habitado esta zona beirã no período pré-clássico, numa altura em que a Europa despertava para a necessidade de explorar a História local e regional de cada um dos seus recantos, de um modo geral, e, em particular, dos períodos anteriores à presença romana, como forma de reforçar velhas e novas aspirações políticas, ao mesmo tempo que se legitimavam dinastias, independentemente do seu grau de expressão efectiva, num período ainda fortemente influenciado pelo ambiente pós-tridentino, na expectativa, porém, das transformações pressentidas pelo advento iluminista de setecentos. Não admira, pois, que a Europa se encontrasse mais receptiva a este tipo de legado material, uma vez que as informações que se pretendia colher dificilmente se obteriam nos escritos da Antiguidade clássica, nomeadamente dos retirados da literatura e da oratória, antes inscritos em exemplares epigráficos e numismáticos, mais susceptíveis às mutações sociais e políticas operadas a um nível mais restrito, quase micro-geográfico.
A identificação da inscrição originou, muito naturalmente, a curiosidade de outros estudiosos, nomeadamente do conhecido epigrafista alemão Emílio Hübner e do comissário dos estudos e reitor do Liceu Nacional de Viseu, Pe. José de Oliveira Berardo (1805-1862), quem, numa alocução proferida na Academia Real das Ciências (da qual era sócio correspondente), defendeu estarmos perante um registo dos limites do Bispado de Caliabria, retirado entretanto à tutela viseense, um tema que lhe seria, certamente, muito caro.
Depois destes autores, outros se seguiram, já no século XX, embora, e "Mais recentemente A. Tovar e M. Lourdes Albertos consideraram que se trataria de um ex-voto a vários deuses indígenas. E com razão andaram estes autores. Com efeito, provámos já, por comparação com outra inscrição aparecida no concelho de Mangualde que um dos nomes da inscrição de Lamas é o nome de uma divindade indígena até agora ignorada." (CORREIA, A., ALVES, Alexandre, VAZ, J. I., 1995, p. 111), Crougeai Magareaicoi, protectora de uma etnia lusitana, a par da qual surge a referência a Iovea, protectora da tribo dos Caelobricoi.
Daqui, que se conclua estarmos perante uma descrição, em latim, de um sacrifício realizado a dois deuses, determinado por duas entidades romanas, por razões ainda desconhecidas, e oferecido por dois povos locais (Id., Idem, pp. 111-112).
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Título

A Segunda Idade do Ferro, Nova História de Portugal

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

SILVA, Armando Coelho Ferreira da

Título

A inscrição de Lamas de Moledo, Beira Alta

Local

Viseu

Data

1954

Autor(es)

AZEVEDO, Rogério de

Título

Castro Daire. Roteiro Turístico

Local

Castro Daire

Data

1995

Autor(es)

CORREIA, Alberto

Título

Divindades Indígenas na Inscrição de Lamas de Moledo, Beira Alta

Local

Viseu

Data

1988

Autor(es)

VAZ, João Luís da Inês

Título

Castro Daire

Local

Castro Daire

Data

1995

Autor(es)

VAZ, João Luís da Inês, CORREIA, Alberto, ALVES, Alexandre