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Conjunto da Capela da Senhora de Cervães e da Capela do Calvário - detalhe

Designação

Designação

Conjunto da Capela da Senhora de Cervães e da Capela do Calvário

Outras Designações / Pesquisas

Conjunto da Capela da Senhora de Cervães e da Capela do Calvário / Santuário do Coração de Maria(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Capela

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Mangualde / Santiago de Cassurrães e Póvoa de Cervães

Endereço / Local

-- junto ao adro outrora designado «Rossio da Senhora», no caminho público 1455, entre Santiago de Cassurães e Aldeia Nova
Póvoa de Cervães

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Localizada em local ermo, a capela de Nossa Senhora de Cervães foi, outrora, um local de grande devoção e peregrinação, onde os fiéis se deslocavam com frequência. Muito embora o arranjo urbanístico em redor da ermida remonte ao século XIX, esta não deixa de recordar as igrejas de peregrinação, com amplos e longos escadórios, tão caras ao período barroco, e de que o Bom Jesus de Braga ou Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, constituem dois exemplos de grande significado.
Contudo, a ideia de "caminho da salvação" e de percurso semelhante ao que Cristo percorreu na Sua Paixão, encontra aqui uma dimensão bem mais reduzida, ainda que a existência de uma capela do Calvário (também dedicada ao Senhor do Bonfim e a Nossa Senhora da Piedade), a par de um chafariz, da escadaria e do amplo adro, corroborem exactamente esta ideia, que presidiu à construção dos templos referidos, em Braga e Lamego.
De acordo com a tradição, a imagem de Nossa Senhora havia sido encontrada, por milagre, no denominado monte das Cervas, levantando-se, nesse mesmo local, a primeira ermida (ALVES, 1968, p. 6). Todavia, o isolamento conduziu à sua mudança para o Vale de Cervães, acabando por ser novamente trasnferida, em 1660, para o local onde ainda hoje se ergue.
Nesta medida, a primeira ermida, edificada no espaço actual, remonta à segunda metade do século XVII, mas pouco ou nada resta desta época. Apenas conhecemos a representação sumária presente num ex-voto do século XVIII, que ainda se conserva, e que nos revela um edifício de grande simplicidade, com remate em frontão triangular com óculo central.
A fachada actual foi edificada já no final do século XVIII, destacando-se o frontão recortado, de grande dinamismo, bem como o nicho que se sobrepõe ao portal principal, onde se exibe a imagem de Nossa Senhora, de feição coimbrã, do século XV-XVI (IDEM, p. 11). Do lado da Epístola, ergue-se a torre sineira, e do lado oposto uma galeria alpendrada, de aceso directo ao coro.
O interior articula as diferentes formas de expressão características do período barroco, presentes na talha dourada dos retábulos, púlpito e arco triunfal, e também no tecto em caixotões, com pinturas de diferentes temáticas. Estas intervenções deverão remontar à primeira metade do século XVIII, muito embora as campanhas de obras na igreja se prolonguem até ao primeiro quartel da centúria seguinte (IDEM, pp. 10-11).
O retábulo-mor, de estilo nacional, e executado, muito possivelmente por artistas da região, comporta as imagens de Nossa Senhora de Cervães com o Menino (executada no século XV - IDEM, p. 14), na tribuna, e de Santa Bàrbara e Santa Apolónia (século XVII), nas mísulas.
O arco triunfal, totalmente revestido por talha dourada, assemelha-se a um grande retábulo, incorporando os altares colaterais, com as imagens de Santo Antão e Santa Luzia, do lado do Evangelho, e de São Caetano, do lado da Epístola. A crer na documentação subsistente, estes altares foram reformulados em 1729, razão pela qual se acredita que a talha do arco não se deverá afastar muito desta data.
Por sua vez, o tecto da nave é revestido por 49 caixotões, dispostos em sete grupos de sete tábuas, onde se representam cenas do Antigo e Novo Testamento. Naturalmente, este conjunto merecia um estudo mais aprofundado no que diz respeito à sua iconografia, mas conhecendo o gosto e a mentalidade religiosa da época, não podemos deixar de referir que, muito possivelmente, o programa deverá relacionar os textos biblícos, numa correspondência entre o Antigo e o Novo Testamento, onde se adivinham as várias prefigurações próprias da época.
A capela-mor apresenta o mesmo género de revestimento no tecto, mas com a imagem do Espírito Santo em forma de Pomba, ao centro, rodeado pelos 12 Apóstolos e citações das litanias da Virgem. De acordo com Alexandre Alves, este ciclo é muito semelhante ao da igreja matriz de São Julião, executado cerca de 1690, e com o qual pode ser relacionado.
Rosário Carvalho

Bibliografia

Título

Um relicário de arte abandonado - a ermida de Nossa Senhora de Cervães na freguesia de Santiago de Caçurrães, concelho de Mangualde

Local

Viseu

Data

1968

Autor(es)

ALVES, Alexandre