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Núcleos do Sítio Arqueológico de Abul - detalhe

Designação

Designação

Núcleos do Sítio Arqueológico de Abul

Outras Designações / Pesquisas

Núcleo Fenício de Abul (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Complexo Industrial

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Setúbal / Alcácer do Sal / Alcácer do Sal (Santa Maria do Castelo e Santiago) e Santa Susana

Endereço / Local

- -
Monte Novo de Palma

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 31-L/2012, DR, 1.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012 (todos os núcleos são considerados ZNA) (ver Decreto)
Anúncio n.º 13472/2012, DR, 2.ª série, n.º 187, de 26-09-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 29-02-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 10-02-2012 da DRC do Alentejo
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Despacho de 26-10-2011 do diretor do IGESPAR, I.P. a devolver o processo à DRC do Alentejo para aplicação do artigo 54.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Parecer de 26-10-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a classificação como SIN (com a designação de MN)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Nova proposta de 3-08-2010 da DRC do Alentejo
Devolvido à DRC do Alentejo em 31-05-2010 para melhor instrução
Nova proposta de 25-05-2010 da DRC do Alentejo
Proposta de 25-01-2010 da DRC do Alentejo para a classificação como MN
Parecer de 7-06-2005 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor uma melhor instrução do processo
Proposta de 19-11-2004 da DR de Évora para alterar a delimitação
Despacho de abertura de 27-03-1997 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de classificação de 17-12-1996 da DR de Évora
Proposta de classificação de 9-11-1995 do MNAE do Distrito de Setúbal

ZEP

Portaria n.º 450/2014, DR, 2.ª série, n.º 113, de 16-06-2014 (com restrições) (ver Portaria)
Anúncio n.º 13472/2012, DR, 2.ª série, n.º 187, de 26-09-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 29-02-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 10-02-2012 da DRC do Alentejo
Parecer favorável de 26-10-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 3-08-2010 da DRC do Alentejo
Devolvido à DRC do Alentejo em 31-05-2010
Nova proposta de 25-05-2010 da DRC do Alentejo
Proposta de 19-11-2009 da DRC do Alentejo

Zona "non aedificandi"

Portaria n.º 450/2014, DR, 2.ª série, n.º 113, de 16-06-2014

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O presente processo refere-se a um arqueosítio edificado e utilizado entre os séculos VII a.C. e meados do século III d. C. Escavado durante a última década do século XX, na zona do Baixo Sado, entre Alcácer do Sal e Setúbal, no âmbito de um programa luso-francês sobre as indústrias de salgas de peixe no Baixo Sado, o seu estudo permitiu conhecer as ocupações das civilizações fenícia, no século VII a.C., e romana, entre a I e a III centúrias d.C.
Aparte as favoráveis condições naturais, o rio Sado possui uma elevada produtividade biológica, tendo, até há pouco, constituído o maior salgado do actual território português. Além disso, a complexa organização económico-social das populações autóctones contribuíram para o desenvolvimento mais intenso e célere de do estabelecimento de relações comerciais. Na verdade, foi durante o Bronze Final que surgiram em Alcácer do Sal e em Setúbal os povoados que, durante o século VII, iriam adquirir um carácter denominado "orientalizante", o primeiro dos quais desfrutaria de uma admirável situação geo-estratégica. Quanto ao de Setúbal, ocupava uma pequena elevação junto à desembocadura do Sado, onde era possível explorar um dos recursos naturais mais importantes da vida de então: o sal. E foi entre estas duas povoações indígenas que, em meados do século VII a.C., se ergueu, na margem direita do Sado, um estabelecimento fenício, possivelmente integrado na denominada "terceira fase" do processo de fundação de colónias fenícias no Ocidente mediterrânico, numa altura em que, no Atlântico, Gadir procurava materiais tão essenciais, quanto o deficitário estanho.
Na primeira fase de ocupação deste sítio construiu-se um "amuralhado", com cerca de 1,5m. de largura máxima, ao qual se acedia por uma "torre" rectangular situada no pano oeste. Todas as estruturas erguidas no interior têm planta rectangular e organizam-se em torno de um pátio central. A segunda fase ocupacional terá decorrido da necessidade de alargar a zona interna, efectuada através da desmontagem dos panos oeste e sul, enquanto se restringia a área do pátio central.
O vincado carácter cultural do Ocidente fenício e as relações estreitamente mantidas com o Círculo do Estreito encontram-se largamente expressas no espólio exumado. Dele, fazem parte ânforas do tipo Rachgoun, forma que terá circulado em todo o mundo fenício-ocidental, entre os séculos VIII e VI a.C., e que servia sobretudo para transportar conservas de peixe produzidas em Tróia e Cetóbriga. A par destes elementos, encontraram-se vários exemplares de cerâmica de engobe vermelho, presente nas suas duas formas mais frequentes: o prato de bordo largo com engobe cobrindo apenas a superfície interna, e a pátera carenada, com engobe em toda a superfície interna e somente entre a carena e o bordo, na externa. Também a cerâmica cinzenta surge com relativa abundância, que os coordenadores das escavações defendem ter sido produzida e distribuída a partir da área de Gadir. ("Abul: um estabelecimento fenício do Baixo Sado", De Ulisses a Viriato. O primeiro milénio a. C., p. 56). Quanto à cerâmica pintada de bandas, ela é relativamente escassa em Abul, apesar de surgir em duas formas específicas do horizonte fenício ocidental, os pithos e os pithoi. Mas a par destes exemplares surge um elevado número de elementos cerâmicos manuais, de entre os quais merecerão especial destaque alguns contentores de grandes dimensões.
Mas também a actividade metalúrgica se encontra presente neste sítio, designadamente através de uma concentração de minério associado a escórias, numa área imediatamente exterior ao "amuralhado" norte. Embora raros, será de salientar a presença de uma fíbula de dupla mola.
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Título

Abul: um estabelecimento fenício do Baixo Sado, De Ulisses a Viriato. O primeiro milénio a. C.

Local

-

Data

1996

Autor(es)

MAYET, Françoise, SILVA, Carlos Manuel Lindo Tavares da

Título

Presença Fenícia no Baixo Sado, Os Fenícios no Território Português

Local

-

Data

1993

Autor(es)

MAYET, Françoise, SILVA, Carlos Manuel Lindo Tavares da

Título

Carta Arqueologica do Distrito de Setubal

Local

-

Data

-

Autor(es)

FERREIRA, Carlos Jorge Alves, LOURENÇO, Fernando Severino, SOARES, Maria Joaquina Coelho, SILVA, Carlos Manuel Lindo Tavares da