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Edifício «Arte Nova» - detalhe

Designação

Designação

Edifício «Arte Nova»

Outras Designações / Pesquisas

Edifício «Arte Nova» na Rua João Mendonça (antiga Rua do Cais), 5 a 7 / Casa da Cooperativa Agrícola / Edifício Arte Nova / Casa da Cooperativa Agrícola (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Edifício

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Aveiro / Aveiro / Glória e Vera Cruz

Endereço / Local

Rua João Mendonça (antiga Rua do Cais)
Aveiro

Número de Polícia: 5-7

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 11-10-1979
Parecer de 11-10-1979 da COISPCN a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 3-06-1977 da DGEMN

ZEP

Despacho de 4-09-2013 da diretora-geral da DGPC a devolver o processo à DRC do Centro
Deliberação de 23-04-2013 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a devolução do processo à DRC do Centro para aplicação do art.º 43.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Nova proposta de 20-02-2013 da DRC do Centro
Parecer de 7-11-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura concordante com a delimitação, mas propondo a fixação de duas ZEP totalmente idênticas
Proposta de 6-07-2010 da DRC do Centro mantém a delimitação da ZEP conjunta
Devolvido à DRC do Centro por despacho de 11-02-2010 do director do IGESPAR, I.P., para aplicação do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, n.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Proposta de 17-12-2009 da DRC do Centro de ZEP conjunta do Edifício Arte Nova na Rua João Mendonça, 5-7 e do Edifício Arte Nova ou Casa do Major Pessoa

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Em Portugal, o fenómeno Arte Nova ( art nouveau, modern style, estilo liberty ou jugendstill, como foi designada noutros países europeus), circunscreveu-se essencialmente ao plano decorativo, raramente interferindo a nível estrutural ou tirando partido dos novos materiais e das inerentes tecnologias de construção. Mais do que uma atitude de ruptura em relação ao passado, este movimento renovador das artes plásticas foi entendido "(...) como outro estilo a juntar ao caldeirão do ecletismo (...)" vigente (FERNANDES, 1993, p. 37), sendo muito marcado pela cultura académica e tradicional que então caracterizava o nosso país, e pela ausência de uma indústria forte (FERNANDES, 1993, p. 37).
É neste contexto que se insere o edifício da Cooperativa Agrícola de Aveiro, cuja fachada, profusamente decorada e repleta de linhas curvas, deixa adivinhar uma outra tendência da Arte Nova nacional e talvez a mais importante, pelo que teve de original - a aplicação de azulejos.
Construída no início do século XX, esta casa poderá ter sido desenhada por Francisco Augusto da Silva Rocha, arquitecto responsável pelo projecto de outras residências na cidade de Aveiro. De facto, e como refere Maria João Fernandes, esta atribuição tem por base a comparação com outras obras de Silva Rocha, em que se verifica "a mesma tipologia de desenho sobre azulejo da Casa da Rua do Carmo, n.º 12, o mesmo frontão da casa de Mário Pessoa e do Hospital de Aveiro e o desenho das janelas obedece a esquemas encontrados nos seus livros e documentos pessoais" (FERNANDES, Proposta de Classificação IPPAR/DRC, 1996).
Concretamente, apenas conhecemos a data dos azulejos - 1913 -, provenientes da Fábrica Fonte Nova, uma das indústrias cerâmicas mais importantes de Aveiro, activa entre o final do século XIX e inícios do seguinte (criada em 1882, foi alvo de incêndio em 1937), e que se salientou na produção de azulejaria arte nova (GASPAR, 1997, p. 146; MECO, 1993, p. 244).
Estes azulejos, em tons rosa, roxo e vermelho, desenhando lírios de caules verdes, acompanham as formas curvilíneas dos vãos da fachada, cujas molduras, tal como as cimalhas e mísulas, foram talhadas em pedra de ançã. O alçado principal divide-se em três registos, correspondendo a cada um, três vãos. No rés-do-chão as três entradas formam, no seu conjunto, um arco abatido. Nos restantes andares, cada vão desenha um arco do mesmo género, sendo que no primeiro a varanda é comum a todas as janelas e no segundo é individual. Remata o conjunto um corpo central revestido por azulejos. As grades das varandas, em ferro forjado, e os caixilhos das janelas, acentuam o dinamismo da fachada.
Ao submeter todos os elementos decorativos a uma mesma lógica - a da procura da linha curva, de inspiração orgânica, aliada à criação de formas delicadas e "esguias" -, foi possível criar uma superfície de grande unidade e coerência. Unidade essa que já não é possível encontrar no interior do edifício, originalmente pouco interessante, actualmente muito desvirtuado e sem mobiliário original (Câmara Municipal de Aveiro, 1999, p. 6).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

A Arquitectura Modernista em Portugal (1890-1940)

Local

Lisboa

Data

1993

Autor(es)

FERNANDES, José Manuel

Título

Aveiro: cidade Arte Nova

Local

Aveiro

Data

1999

Autor(es)

BORGES, Jaime

Título

Aveiro - do Vouga ao Buçaco

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

NEVES, Amaro, SEMEDO, Enio, ARROTEIA, Jorge Carvalho

Título

Francisco da Silva Rocha (1864-1957), Tese de Mestrado em História da Arte, apresentada à Universidade do Porto

Local

Porto

Data

1999

Autor(es)

FERNANDES, Maria João