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Villa Romana do Rabaçal - detalhe

Designação

Designação

Villa Romana do Rabaçal

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Villa

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Coimbra / Condeixa-a-Nova; Penela / Zambujal; São Miguel, Santa Eufémia e Rabaçal

Endereço / Local

EN 347
Rabaçal

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como SIP - Sítio de Interesse Público

Cronologia

Proposta de 18-03-2019 da DRC do Centro para a reclassificação como SIM / MN
Portaria n.º 431-D/2013, DR, 2.ª série, n.º 124 (suplemento), de 1-07-2013 (com restrições) (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 28-06-2013 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 179-A/2013, DR, 2.ª série, n.º 94 (suplemento), de 16-05-2013 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 7-05-2013 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 2-05-2013 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 16-04-2013 da DRC do Centro para a classificação como SIP
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Anúncio n.º 8792/2011, DR, 2.ª série, n.º 121, de 27-06-2011 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Edital de 26-02-2004 da CM de Penela
Despacho de abertura de 4-02-1999 do vice-presidente do IPPAR
Parecer favorável de 12-01-1999 do IPA
Proposta de classificação de 13-09-1988 do arqueólogo Miguel Pessoa
Parecer de 2-06-1986 do Conselho Consultivo do IPPC a recomendar a abertura de processo de classificação

ZEP

Portaria n.º 660/2018, DR, 2.ª série, n.º 236, de 7-12-2018 (com restrições) (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 18-10-2018 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 103/2018, DR, 2.ª série, n.º 120, de 25-06-2018 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 16-05-2018 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorávfel de 2-05-2018 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 5-12-2017 da DRC do Centro, após pareceres favoráveis das CM de Condeixa-a-Nova e Penela
Em 2-06-2017 foi solicitada à DRC do Centro a reanálise da proposta
Proposta de 20-01-2017 da DRC do Centro
Parecer favorável de 30-12-2016 da CM de Condeixa-a-Nova
Parecer favorável de 15-12-2016 da CM de Penela
Pedidos de parecer de 7-12-2016 às CM de Condeixa-a-Nova e Penela sobre proposta da DRC do Centro

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Sítio
A Villa Romana do Rabaçal implanta-se a este da Serra do Sicó, no vale do Rabaçal, local propicio à agricultura, com um declive pouco acentuado. A Ribeira de Caráglio Seco corre a cerca de 800 metros a nascente, e o local apresenta abundantes recursos de água. Localiza-se a cerca de 10 km a sul das ruínas de Conimbriga, destacando-se ainda, como determinante para a sua localização, a proximidade da via romana que ligava Olisipo a Bracara Augusta. Nas imediações, num espaço inferior a 3 km, são conhecidas diversos sítios arqueológicos da mesma época, nomeadamente o Vale da Porta, o Covão da Póvoa, Mouroiços e Galega do Pragal, a Norte, Barbealho 1 e 2 e Cruz do Morto a Sul. A presença da villa aúlica tardo-imperial não será estranha a esta elevada densidade ocupacional.
As intervenções arqueológicas permitiram identificar a casa senhorial, profusamente decorada e com uma extensa área pavimentada a mosaico, a (pars urbana), o balneário (balneum) e a casa agrícola e anexos de produção(pars rustica e fructuaria), todas construídas de raiz em meados do século IV d.C.. O abandono poderá ter ocorrido no século VI, altura em que se regista uma alteração significativa na sua utilização, com a compartimentação dos espaços, recorrendo a construções precárias, tanto na residência como no balneário, correspondendo, possivelmente, a um núcleo de povoamento com características de aldeia. Posteriormente, já nos séculos XIV, XV e XVI, as estruturas da villa foram reutilizadas como espaço funerário. A recolha de alguns numismas datados do século I e II d.C., na área rústica sugerem uma ocupação prévia, possivelmente um casal ou uma granja.
Os diversos núcleos dispõe-se separadamente, a pars urbana e a pars rustica no mesmo alinhamento e o balneário ligeiramente desviado para este, a meio caminho entre ambos.
A identificação de um peso de tear com a inscrição L(ucius) VAL(erius)/ V(etre) V(ale) poderá indicar, de acordo com José d¿Encarnação, a posse da villa pela família dos Valerii .
História
A existência de uma ocupação de época Romana no lugar da Ordem, Rabaçal é conhecida desde 1905, a partir de uma referência de Santos Rocha que noticiou a descoberta de um baixo-relevo. Mais tarde, em 1956, em resposta a um inquérito realizado pelo Instituto de Arqueologia da Universidade de Coimbra - Trabalhos para a elaboração da Carta Arqueológica do Distrito de Coimbra -, o padre José Bento Vieira indica, igualmente, a presença de vestígios neste local. Em 1979, o arqueólogo Miguel Pessoa em visita ao local reconhece a sua importância patrimonial, iniciando em 1984 sucessivas campanhas de escavação, inicialmente com a colaboração da arqueóloga Maria Salete da Ponte. Após a realização de 32 campanhas de escavação, o local não se encontra esgotado, embora a recolha de informação seja substancial e permita contributos relevantes para o conhecimento deste período.
Ana Vale
DGPC, 2019

Outras Descrições

<i>Pars Urbana</i>

Tipo

Caracterização arqueológica

Descrição

A residência senhorial, orientada pelos pontos cardiais, apresenta uma planta radiada, centrada a partir do peristilo de planta ortogonal. A entrada principal localiza-se a sul, onde também é possível observar a existência de uma torre de planta octogonal. O pátio delimitado por 24 colunas, não revelou qualquer construção, pelo que deveria constituir um espaço ajardinado. Dispunha de 29 compartimentos, dos quais se destacam, pela sua monumentalidade, a sala quadriabsidada, o oecus, e o triclinum.
O peristilo, possivelmente a céu aberto, apresenta as oito alas pavimentadas com mosaicos e as paredes revestidas de placas de mármore decoradas com um friso que apresenta um motivo geométrico.
Conservam-se bases de algumas das suas 24 colunas, de fuste liso, em mármore de Estremoz/Vila Viçosa.
A sala quadriabsidada, à qual se acede por dois compartimentos sucessivos, apresenta uma planta cruciforme, possivelmente coberta por uma abóbada, estaria, eventualmente, ligada ao culto cristão.
O triclinum, ou sala de refeições, apresenta três absides sobrelevadas em redor de um amplo espaço quadrangular ricamente pavimentado. Os mosaicos preservados mostram, como figura central, uma figura feminina, que o poderá representar Ceres ou a domina rodeada pela personificação das estações do ano. A parede estava revestida com placas de mármore de Estremoz, decoradas com motivos geométrico, fitomórficos e figurativos.
A abside central deveria possuir um stibadium. Sob este compartimento, regista-se a existência de um sistema hidráulico, que partia de um tanque exterior ao edifício, constituído por cinco canais em opus signinum. Este dirigia-se ao pavimento em mosaico da sala, tendo sido identificado um dos orifícios de saída da água, destinando-se, possivelmente, a criar um espelho de água, embora ainda persistam algumas dúvidas sobre esta funcionalidade. De facto, o arqueólogo responsável pela intervenção arqueológica adianta ainda a possibilidade de se tratar de um mecanismo destinado a reduzir a humidade neste espaço.
O corredor do peristilo de acesso a este espaço revela um mosaico com uma das composições mais elaboradas da villa com uma quadriga vencedora enquadrada por alegorias das estações do ano.
O oecus possui, igualmente, um pavimento em mosaico, embora este se encontre muito danificado pela instalação de diversas sepulturas na época Moderna.
Ana Vale
DGPC, 2019

<i>Balneum</i>

Tipo

Caracterização arqueológica

Descrição


A noroeste da casa senhorial, encontra-se o balneário doméstico, que apresenta 10 compartimentos diferenciados, tendo sido identificado o vestíbulo (apodyterium) com ligação direta ao frigidarium e ao caldarium e tepidarium. O edifício dispunha, igualmente de compartimentos destinados a arrumos e latrinas. A sua decoração não revela o mesmo grau de ostentação patente na residência senhorial, não tendo sido identificados pavimentos em mosaico. No entanto, foram recolhidos, durante a escavação, placas de mármore e fragmentos de estuque moldados. O espólio recolhido indica uma construção em meados do século IV e o abandono no decurso do século VI.
Junto a esta estrutura, no exterior detetou-se um forno de cerâmica de construção. Presume-se a existência de uma forja, considerando a concentração de escória recolhida.
Ana Vale
DGPC, 2019

<i>Pars Rustica</i>

Tipo

Caracterização arqueológica

Descrição


A pars rustica desenvolve-se cerca de 150 metros a norte da casa senhorial, no ponto mais elevado do terreno. Sobrepõe-se a uma ocupação Alto-Imperial, possivelmente uma granja ou um casal rústico, e a um contexto onde foram recolhidos líticos do Neolítico Final/Calcolítico Inicial. Foi identificado o espaço de cozinha e áreas adaptadas a diversas tarefas domésticas. Nos compartimentos contíguos encontra-se o pátio agrícola, uma área de armazenamento ou celeiro, o dormitório dos servos, uma oficina que dispunha de uma forja e uma Casa dos Teares. O conjunto não se encontra totalmente escavado, pelo que poderão surgir novas estruturas e uma melhor perceção das já exumadas.
Ana Vale
DGPC, 2019

Imagens

Bibliografia

Título

A Villa Romana do Rabaçal, Penela (Coimbra, Portugal)

Local

-

Data

-

Autor(es)

PESSOA, M.

Título

Notas para o estudo da arquitectura e mosaicos, IV Reunião de Arqueologia Cristã Hispânica

Local

Lisboa

Data

1992

Autor(es)

-

Título

A Época Clássica e a Antiguidade Tardia, História da Arte Portuguesa, vol. I

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

MACIEL, Manuel Justino Pinheiro

Título

As Moedas: Villa romana do Rabaçal

Local

-

Data

2012

Autor(es)

SANTOS, Fernando dos, PEREIRA, Isabel, PESSOA, Miguel Simões da Fonte

Título

Relatório de Trabalhos Arqueológicos - Campanha de 1984. Texto policopiado, constante no processo DGPC/Arqueologia, S - 01570 - Villa Romana do Rabaçal.

Local

-

Data

1984

Autor(es)

PONTE, Salete da, PESSOA, Miguel Simões da Fonte

Título

Relatórios de Trabalhos Arqueológicos - Campanhas realizadas entre 1985 e 2017. Textos policopiados, constantes no processo DGPC/Arqueologia, S - 01570 - Villa Romana do Rabaçal.

Local

-

Data

-

Autor(es)

PESSOA, Miguel Simões da Fonte

Título

Mosaicos da villa romana do Rabaçal, Penela, Portugal: Prelúdio de arte bizantina?, Revista do IHA, nº. 3

Local

-

Data

2007

Autor(es)

PESSOA, Miguel Simões da Fonte

Título

Um Stibadium com mosaico na Villa Romana do Rabaçal. De cenário áulico a chão de culto cemiterial - de chão agricultado às primícias arqueológicas, Revista de História da Arte, n.º 6

Local

-

Data

2008

Autor(es)

PESSOA, Miguel Simões da Fonte

Título

Villa romana do Rabaçal, Penela, Portugal. Um centro na periferia do império e do território da civitas de Conímbriga. Estudo de mosaicos

Local

-

Data

2012

Autor(es)

PESSOA, Miguel Simões da Fonte