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Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, incluindo todos os elementos que fazem parte integrante do conjunto do santuário e o sítio em que se implantam - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, incluindo todos os elementos que fazem parte integrante do conjunto do santuário e o sítio em que se implantam

Outras Designações / Pesquisas

Santuário de Nossa Senhora da Boa Morte / Santuário de Nossa Senhora da Boa Morte(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Conjunto

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Ponte de Lima / Correlhã

Endereço / Local

Monte da Senhora da Boa Morte, junto à E.N. 203
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 2-08-1982, publicada no DR, II Série, n.º 219, de 21-09-1982 (com ZNA)

Zona "non aedificandi"

Portaria de 2-08-1982, publicada no DR, II Série, n.º 219, de 21-09-1982

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, cuja edificação remonta ao final do século XVII e inícios da centúria seguinte, constitui um importante marco na freguesia da Correlhã, destacando-se pela imponência dos seus volumes, e pela escadaria de acesso, de construção recente (1988). É, no entanto, o grandioso retábulo, de características pouco comuns, que mais surpreende neste templo, testemunhando, simultaneamente, a actividade artística de Ponte de Lima durante a primeira metade do século XVIII (CARDONA, 2000/2001, p. 88).
Para além da situação política, económica, social e religiosa que marcou país na primeira metade do século XVII, Ponte de Lima dispunha de um posicionamento estratégico que facilitou "a proximidade necessária aos pólos de desenvolvimento artístico do Norte do país, granjeando dessa forma das influências, dos valores e das modas dos novos conceitos estéticos que o barroco inauguraria" (CARDONA, 2000/2001, p. 75).
As obras no Santuário prolongaram-se durante longos anos. A capela-mor, coberta por abóbada de berço de caixotões, já estaria terminada em 1719, e os tectos das naves, de madeira com pintura a imitar nervuras, deverão ter sido executados em data próxima. Ao que tudo indica, a data de 1742 patente no coro determina o ano da sua conclusão ( Inventário Artístico da Região do Norte, III, p. 27).
Não se conhece o autor do traçado do retábulo-mor, mas somente o nome do seu entalhador, Francisco Pereira de Castro, de Braga, com o qual a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte firmou um contracto em 1719 ( Inventário Artístico da Região do Norte, III, p. 27). Esta estrutura é muito pouco usual no nosso país e, de acordo com os estudos de Flávio Gonçalves, recorda soluções utilizadas em Espanha, o que não deverá ser estranho dada a proximidade com a fronteira do país vizinho.
Pereira de Castro foi o responsável pela estrutura, que estaria concluída logo em 1720. Compõe-se de arco de volta perfeita, apoiado em colunas pseudo-salomónicas, o que permite a abertura de uma tribuna ampla, com dossel. Aqui figuram várias esculturas, ilustrativas da Morte a Virgem, representando-se Nossa Senhora no seu leito de morte rodeada pelos Apóstolos. Sobrepõe-se-lhe um conjunto de anjos e querubins, rodeados por nuvens e folhagens. Ao centro, encontra-se a Assunção da Virgem e Cristo Ressuscitado. O trabalho escultórico é, com certeza, de mão diferente da de Pereira de Castro, mas sugerindo diferenças de tratamento entre a imagem de Nossa Senhora e as dos Apóstolos. Sabe-se ainda que, em 1723, as esculturas dos Apóstolos foram pintadas e douradas por João Coelho de Araújo, natural de Ponte e Lima, e que em 1730 a confraria contratou Alexandre Coelho e Vitório Soares, da mesma vila, para dourar o retábulo, o frontal e o camarim de Nossa Senhora (CARDONA, 2000/2001, p. 88).
Os retábulos laterais, de estilo joanino, foram executados entre 1740-1742, pelo entalhador bracarense Jacinto da Silva, e sob o coro encontram-se uma série de pinturas escatológicas, alusivas ao Inferno, a Céu e ao Purgatório, também elas pouco comuns no âmbito da temática decorativa dos templos barrocos ( Inventário Artístico da Região do Norte, III, p. 29).
Exteriormente, a igreja apresenta uma fachada tripartida, onde é visível a divisão interna do espaço. As naves laterais, terminadas por empenas, encontram-se ligeiramente recuadas em relação a corpo central, onde se abre o portal. Este é formado por linhas rectas, ladeadas por pilastras, que suportam o entablamento sobre o qual se ergue um brasão de armas flanqueado por volutas e pináculos, e uma janela de pequenas dimensões que ilumina o coro.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Roteiro da Ribeira Lima

Local

Porto

Data

1959

Autor(es)

AURORA, Conde de

Título

Ponte de Lima o Barroco Religioso, Poligrafia, n.º9/10

Local

Arouca

Data

2001

Autor(es)

CARDONA, Paula

Título

Inventário Artístico da Região Norte - III (Concelho de Ponte de Lima)

Local

Porto

Data

1974

Autor(es)

-