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Cacela Velha (conjunto) - detalhe

Designação

Designação

Cacela Velha (conjunto)

Outras Designações / Pesquisas

Núcleo histórico de Cacela Velha / Núcleo urbano de Cacela Velha / Aldeia de Cacela Velha(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Mista / Centro Histórico

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Vila Real de Santo António / Vila Nova de Cacela

Endereço / Local

- -
Cacela Velha

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)

ZEP

Portaria n.º 264/2010, DR, 2.ª Série, n.º 73, de 15-04-2010 (sem restrições) (republicação da planta, por a Portaria n.º 83/2010 ter a cartografia base omissa, mantendo a delimitação) (ver Portaria)
Portaria n.º 83/2010, DR n.º 18, 2.ª Série de 27-01-2010 (ver Portaria)
Despacho de homologação de 15-01-1987 da Secretária de Estado da Cultura
Parecer favorável de 30-12-1986 do Conselho Consultivo do IPPC
Proposta de 23-10-1986 do IPPC

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O núcleo arquitectónico de Cacela-Velha é um dos mais importantes conjuntos patrimoniais do Algarve. À riqueza histórica e arqueológica da península, junta-se uma paisagem humanizada e coerentemente preservada, à entrada da ria Formosa, que lhe confere um estatuto cimeiro nas rotas do património e do ambiente natural. A povoação está concentrada num monte dominante, sobranceiro à ria e ligando-se por uma estreita língua de mar, à ilha que se forma à sua frente.
O potencial arqueológico da região está numa fase ainda embrionária; em todo o caso, existem já algumas conclusões que nos elucidam sobre a evolução da ocupação humana da zona. Ao que tudo indica, o primeiro povoamento da península aconteceu na época pré-romana, intimamente ligado ao mar e às privilegiadas condições naturais da lagoa. Cúneos, fenícios e cartagineses ter-se-ão instalado neste local, transformando-o num entreposto comercial importante e em estreita relação com o Mediterrâneo. O Império Romano escolheu Cacela para sua base militar, mas o povoamento de toda a região foi alvo de intenso incremento, alargando-se ao interior do território.
O apogeu deste povoado foi atingido durante a época islâmica. Fortaleza ribeirinha, de inegável relevância estratégica à entrada da Ria Formosa, Cacela foi a sede de um vasto território circundante, cujo estatuto era superior ao de Tavira. Os vestígios materiais desta época comprovam esta realidade, assim como asseguram uma relativa densidade de povoamento rural, disperso pela planície até ao barrocal. Em Fonte Salgada, por exemplo, identificou-se a lápide do Bispo Iulianus, datada do século X, cuja qualidade não tem paralelo no território nacional e se aproxima bastante do que foi a realidade erudita moçárabe em Sevilha e Córdova.
Mas se é no período islâmico que Cacela tem o seu maior prestígio e importância, é igualmente nesta época que se inicia a sua decadência. As alterações das ilhas-barreira da ria Formosa favoreceram a localização de Tavira, em prejuízo da de Cacela. Na viragem para o século XIII, a fortaleza foi alvo de um primeiro abandono, mas a sua relevância militar manteve-se, sendo um dos últimos castelos a ser conquistados pelos cristãos. D. Afonso III doou-a à Ordem de Santiago que patrocinou numerosas obras. Parte da muralha então construída está hoje submersa e as principais estruturas góticas do castelo, assim como a igreja primitiva, foram substituídas por construções posteriores.
A igreja que actualmente encontramos, a dominar grande parte da fortaleza - construída no seu ponto mais elevado - é uma obra renascentista, devida ao principal arquitecto activo no Algarve pelos meados do século XVI: André Pilarte, autor de obras ímpares como a igreja da Misericórdia de Tavira ou a Matriz de Alcoutim. A fortaleza teve uma história mais atribulada. Sucessivamente melhorada ao longo dos séculos, sofreu grandes danos no terremoto de 1755, vindo a ser reconstruída no final desse século XVIII, por intermédio de D. Nuno de Mendonça e Moura. De planta estrelada, com dois baluartes pontiagudos abertos sobre o mar, é um forte de reduzidas dimensões, determinado pelo diminuto espaço disponível. Foi a resposta tardia das autoridades militares algarvias face a uma situação de ruína e de perda de importância da praça de Cacela, verificada ao longo de toda a Idade Moderna.
Os últimos dois séculos confirmaram a decadência da vila. A sede concelhia havia sido extinta ainda no século XVIII e, sensivelmente um século depois, o forte fechava as portas para aí se instalar a guarda fiscal. Na actualidade, Cacela é uma das últimas jóias algarvias. Com um centro histórico patrimonialmente homogéneo e bem preservado, de planta quase circular e de reduzidas dimensões, que integra um importante conjunto de arquitectura tradicional, Cacela apresenta-se como uma agradável descoberta, numa orla costeira algarvia em progressiva desconfiguração.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Corografia ou memoria economica, estadistica, e topografica do reino do Algarve

Local

Lisboa

Data

1841

Autor(es)

LOPES, João Baptista da Silva

Título

Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1948

Autor(es)

ALMEIDA, João de

Título

Monografia do concelho de Vila Real de Santo António

Local

Porto

Data

1908

Autor(es)

OLIVEIRA, Francisco Xavier d'Ataíde

Título

O Algarve islâmico : roteiro por Faro, Loulé, Silves e Tavira

Local

Faro

Data

2002

Autor(es)

CATARINO, Helena Maria Gomes

Título

A arquitectura manuelina

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

DIAS, Pedro