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Igreja de Santa Maria da Feira - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Santa Maria da Feira

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Matriz de Santa Maria da Feira
Igreja de Santa Maria, matriz de Santa Maria da Feira / Igreja Paroquial de Santa Maria da Feira / Igreja de Nossa Senhora da Assunção (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Beja / Beja / Beja (Salvador e Santa Maria da Feira)

Endereço / Local

Rua Dr. Manuel de Arriaga
Beja

Largo de Santa Maria
Beja

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 42 255, DG, I Série n.º 105, de 8-05-1959 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A classificação deste imóvel abrange o conjunto de edifícios pertencentes à igreja bem como a torre do relógio anexa. Enquadra-se num largo de edifícios antigos entre os quais se destacam a casa da Torrinha, a antiga Câmara e um outro manuelino de portal brasonado.
Terão existido, anteriormente, neste mesmo local um templo visigótico e uma mesquita muçulmana. A localização topográfica de uma igreja, o facto do seu orago ser Santa Maria (uma vez que as mesquitas eram quase sempre sacralizadas em nome da Virgem), um pequeno desalinho na orientação ou uma anormal e pouco clara profusão de volumes, são por vezes indícios suficientes para se poder supor a existência naquele lugar de uma antiga mesquita. É o que sucede certamente sob as igrejas de Santa Maria de Beja e Tavira. (PEREIRA, 1995, Vol. I, p. 171).
Segundo fontes documentais, fundou-se aqui, em 1259, com licença de D. Afonso III, a igreja de Santa Maria, que o mesmo rei concedeu, no ano de 1270 à ordem de S. Bento de Avis.
Esta paróquia passou à posteridade com a designação de Santa Maria da Feira - embora o seu orago seja de Nossa Senhora da Assunção -, porque, desde 1261, no terreiro envolvente se efectuava o mercado popular que D. Afonso III tinha também concedido à cidade de Beja.
Desde a sua instituição, no dia 8 de Dezembro de 1500 e até cerca de 1550, funcionou ali a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia que mais tarde se instalou na Igreja da Misericórdia de Beja, edifício que tinha sido concebido para os antigos açougues municipais.
Ao longo dos tempos o imóvel foi sofrendo alterações profundas conservando apenas, da sua traça medieval ainda que muito mutilada, a caixa externa da ábside e a galilé manuelino-mudéjar, virada a Ocidente, cujo adossamento se fez cerca do ano de 1500. Este é um curioso exemplo do estilo híbrido que se divulgou no Alentejo a partir das últimas décadas do século XV e que, no caso particular de Beja, poderá andar na órbita cultural do infante D. Fernando, duque desta cidade, que aqui residiu num paço sobranceiro destruído em 1895. O corpo da igreja foi reconstruído na sua totalidade, na segunda metade do século XVI, tendo-se verificado a última grande empreitada de obras nas derradeiras décadas de setecentos, talvez consequência dos estragos provocados pelo terramoto de 1755.
Foi também no último quartel do século XVI que se procedeu à reconstrução do interior, onde existem vestígios evidentes da cobertura primitiva de travejamento - talvez em trabalho de alfarje .
Nos anos de 1677 a 1681 realizou-se a obra de talha do altar de Nossa Senhora do Rosário, segundo desenhos de Manuel João da Fonseca e, em 1686 dá-se a provável conclusão desta capela estabelecendo-se, assim, a ligação entre a igreja e a dupla torre de secção prismática e base rectangular cujo sino do relógio é o mais antigo e considerado um magnífico exemplar, provavelmente, do século XIV (ESPANCA, 1983).
Os retábulos dos altares de Santo António e de Jesus realizaram-se em 1760 e c.1770 respectivamente.
Na última década do século XVIII procedeu-se à remodelação da capela mor e da capela do Santíssimo Sacramento e ao rasgamento dos janelões sobre as capelas laterais da nave situadas no seguimento do arco triunfal.
Em 1873 concluiu-se o remate da torre do relógio e, em 1922 foi levada a efeito a construção do edifício da Caixa Geral de Depósitos (entre a igreja e a torre) no local da capela de Nossa Senhora do Rosário segundo projecto do arquitecto Pardal Monteiro, tendo-se mantido no interior a mesma estrutura e os silhares de azulejos pombalinos.
Ana Mântua

Imagens