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Igreja de Martim Longo - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Martim Longo

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de Martim Longo / Igreja de Nossa Senhora da Conceição(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Alcoutim / Martim Longo

Endereço / Local

- -
Martim Longo

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 47 508, DG, I Série, n.º 20, de 24-01-1967 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A matriz de Martim Longo é um templo edificado na viragem para o século XVI. De acordo com as Visitações da Ordem de Santiago, a quem o território estava confiado, sabemos que, em 1518, a igreja estava praticamente terminada, faltando apenas edificar o campanário e estando a capela-mor "derribada" (CAVACO, 1987, p.56). Esta última informação faz supor que a campanha construtiva que então se verificava correspondia a uma reforma de um edifício anterior, pois o mais comum era iniciar-se a edificação pela cabeceira. Disso mesmo dá testemunho a mesma Visitação, quando refere que a igreja foi feita "de novo", pelos "moradores desta alldea de Martim Longuo" e "aa sua custa" (IDEM, p.58).
Na avaliação do templo, temos, portanto, que o corpo é a parte mais antiga. Ele compõe-se de três naves de quatro tramos, marcados por colunas que suportam arcos formeiros apontados, sendo a nave central mais alta que as restantes. O facto de os capitéis serem oitavados prova o marco cronológico tardo-gótico, que nos parece ainda mais conotado com a linguagem quatrocentista que com a do ciclo manuelino, faltando aqui a exuberância decorativa deste último. O próprio portal principal revela essa longa duração artística, na medida em que é de perfil quebrado composto por ligeira moldura interna que descarrega sobre um único colunelo adossado à caixa-murária.
A capela-mor, por ser mais tardia, integra-se já num outro complexo artístico. A Visitação de 1518 assegura que ela seria edificada à custa do Bispo e Cabido de Silves. No entanto, em 1534, em nova Visitação, a cabeceira ainda se encontrava "derrubada" e só o campanário estava terminado. Só vinte anos depois, em 1554, a obra se completou e foi possível erguer uma capela-mor de dois tramos, coberta com abóbada presumivelmente de cruzaria de ogivas, com bocete central, a que se acedia através de um arco triunfal "de ponto". Desta campanha, resta a arquitectura, uma vez que o recheio se perdeu. Pela Visitação de 1565, a última efectuada a esta aldeia, sabemos que o retábulo-mor era de madeira dourada e que continha cinco painéis que enquadravam a imagem tutelar da igreja, uma Nossa Senhora de vulto (IDEM, p.311).
Nos inícios do século XVI, a parede fundeira do corpo, que ladeia o arco triunfal, era decorada com várias pinturas murais, de que restam ainda algumas parcelas. Elas não foram mencionadas em 1518, mas em 1565 já se diz que "na parede do cruzeiro está pintada a imagem do crucifixo e a de Nossa Senhora e a de São João e outros Santos, já velho tudo e mui despintado" (IDEM, p.311). Por esta descrição, vê-se que o Painel do Calvário, que seria ladeado por outras representações, era antigo e denunciava já grande desgaste. Ainda no interior, importa salientar a pia baptismal, manuelina, cuja bacia cilíndrica repousa sobre base decorada com carrancas.
Mas é, sem dúvida, no exterior, que reside uma das mais importantes características do templo: a série de torreões cilíndricos que amparam o edifício pelo lado Sul. A torre de maior secção é parcialmente ocultada pela torre sineira, o que permite supor tratar-se de uma pré-existência em relação à obra dos inícios do século XVI. Já se aventou a hipótese de se tratarem de vestígios de uma hipotética mesquita, mas nada se pode assegurar e é mais credível, no momento actual, atribuí-los a uma fase construtiva tardo-gótica conotada com o mudejarismo meridional, que, presumivelmente, não englobaria a torre sineira, sendo esta resultado de uma intenção posterior.
O templo foi objecto de algumas obras ao longo dos séculos, em particular o janelão rectangular do segundo registo da frontaria (edificado após estragos causados pelo Terramoto de 1755), e o retábulo-mor barroco, mandado fazer pelo Bispo D. Francisco Barreto II em 1581, e suprimido já nos nosso dias (LAMEIRA, 2000, p.144). EM 1968, encontrava-se em estado de ruína, procedendo-se, então, a um amplo restauro, a cargo da DGEMN, que conferiu ao conjunto o seu aspecto actual.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

A arquitectura manuelina

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

DIAS, Pedro