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Património Cultural

Pórticos principal e lateral da igreja matriz de Alvor - detalhe

Designação

Designação

Pórticos principal e lateral da igreja matriz de Alvor

Outras Designações / Pesquisas

Pórticos principal e lateral da Igreja do Divino Salvador de Alvor / Igreja Paroquial de Alvor / Igreja do Divino Salvador (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Portimão / Alvor

Endereço / Local

Largo da Igreja
Alvor

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 37 077, DG, I Série, n.º 228, de 29-09-1948 (ver Decreto)

ZEP

Portaria n.º 720/77, DR, I Série, n.º 269, de 21-11-1977 (sem restrições) (ver Portaria)

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Em pleno centro histórico da vila de Alvor, em local privilegiado em relação ao porto e ao primitivo castelo da localidade, a igreja do Divino Salvador é o monumento mais emblemático da vila e, provavelmente, a obra manuelina algarvia de maior divulgação e impacto nacional.
A construção do actual edifício, que veio substituir um outro, de origem medieval, data dos anos 20 do século XVI e nela trabalhou o mestre manuelino do Alvor, como lhe chamou Manuel Castelo Ramos, escultor responsável, também, pelo portal lateral da igreja da Misericórdia de Silves e pelo portal da Igreja Matriz de Estômbar (RAMOS, 1990).
De facto, o portal axial é o principal elemento estilístico do conjunto. De volta perfeita, e de seis arquivoltas profusamente decoradas, nele foram gravados algumas das mais belas esculturas manuelinas, como pares de músicos, dragões e aves ladeando a Árvore da Vida, cenas de lutas, etc., elementos iconográficos próprios de um vocabulário tardo-medieval, em transição para o Renascimento e plano de influências orientalizantes, saídos da mão de um dos nossos melhores artistas deste período.
De um ponto de vista arquitectónico, a obra do Divino Salvador de Alvor não atingiu o estatuto excepcional do seu portal principal, mas revela-se uma empresa bastante homogénea. Fiel a um esquema de igreja praticamente salão, com três naves quase à mesma altura e quatro tramos, a obra insere-se no mesmo processo de unificação espacial que caracteriza os inícios do século XVI. Infelizmente, as muitas transformações por que o templo passou, determinaram a adulteração da capela-mor. Do período manuelino mantém-se, ainda, o arco triunfal, cuja decoração é muito semelhante à do portal lateral Sul, este praticamente idêntico à entrada lateral da Misericórdia de Silves, de arco polilobado e de arquivolta única, decorado com máscaras humanas inseridas num mundo vegetalista.
No século XVIII, deram-se as principais obras, muito provavelmente na sequência de danos causados pelo terramoto de 1755. Data desta altura a torre sineira e alguns altares barrocos, colocados ao longo da nave. Nas décadas seguintes, o templo não cessou de ser artisticamente enriquecido, como o prova o retábulo-mor, obra já rococó, que integra, ao centro, uma ampla tela dedicada ao Salvador do Mundo (LAMEIRA, 2000, p.288).
No século XX, a excelência do portal principal desta igreja não passou despercebida à maioria dos investigadores que se dedicaram, e dedicam, à arte do século XVI. Classificado como Imóvel de Interesse Público em 1948, as principais obras de restauro tiveram lugar na década de 70, altura em que se demoliram alguns elementos barrocos, ou já rococós, como o coro-alto e se restauraram os retábulos. Na actualidade, a igreja, e o seu natural impacto na paisagem, encontram-se relativamente ameaçados pela expansão urbanística que caracteriza a orla costeira algarvia. A sua relação com o castelo, alvo já de algumas intervenções arqueológicas, mas ainda não de uma campanha peolongada e verdadeiramente sistemática, encontra-se prejudicada por algumas habitações e a fachada Norte, onde se adossa um morabito de provável origem islâmica, está parcialmente ocultada por construções privadas posteriores. Aguarda-se, assim, que este templo seja alvo de uma rigorosa investigação, que vá para além do actualmente apreensível, e que confirme, ou aprofunde, a qualidade e relevância dos elementos já estudados.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

O manuelino algarvio, O Algarve da Antiguidade aos nossos dias, pp.227-232

Local

-

Data

1999

Autor(es)

RAMOS, Manuel Francisco Castelo

Título

A talha no Algarve durante o Antigo Regime

Local

Faro

Data

2000

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

A Obra Silvestre e a Esfera do Rei

Local

Coimbra

Data

1990

Autor(es)

PEREIRA, Paulo

Título

A Arquitectura em Portugal na época de D. Manuel e nos princípios do reinado de D. João III. O gótico final português, o estilo manuelino e a introdução da arte no renascimento, História da Arte em Portugal

Local

-

Data

-

Autor(es)

CHICÓ, Mário Tavares

Título

O Estilo Manuelino

Local

Lisboa

Data

1952

Autor(es)

SANTOS, Reinaldo dos

Título

A Arte do Manuelino

Local

-

Data

1984

Autor(es)

ATANÁZIO, Manuel Mendes

Título

Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

Apontamentos monográficos de Alvor

Local

Portimão

Data

2000

Autor(es)

FIGUEIREDO, Ana

Título

Decoração arquitectónica manuelina na região de Silves (séculos XV-XVI), Revista Xelb, nº3, 1996, pp.79-142

Local

Silves

Data

1996

Autor(es)

RAMOS, Manuel Francisco Castelo

Título

A arquitectura manuelina

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

DIAS, Pedro