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Património Cultural

Chalé da Condessa de Edla, também denominado «Chalé da Condessa» - detalhe

Designação

Designação

Chalé da Condessa de Edla, também denominado «Chalé da Condessa»

Outras Designações / Pesquisas

Chalet da Condessa de Edla / Chalé da Condessa de Edla / Chalé da Condessa (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Chalet

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Sintra / Sintra (Santa Maria e São Miguel, São Martinho e São Pedro de Penaferrim)

Endereço / Local

Parque da Pena
Sintra

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)
Edital n.º 130 de 21-07-1986 da CM de Sintra
Despacho de homologação de 23-03-1978 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer de 17-03-1978 da COISPCN a propor a classificação como IIP
Proposta de 19-02-1977 da DGT para a classificação como MN
Proposta de classificação de 13-01-1977 do Instituto de José de Figueiredo

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

Abrangido pela "Paisagem Cultural e Natural de Sintra", incluída na Lista de Património Mundial - MN (nº 7 do art.º 15.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro)

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Elisa Frederica Hensler, cantora alemã agraciada com o título de Condessa de Edla pelo príncipe Ernesto II, de Saxe, chegou a Portugal em 1860 e terá, pouco depois, realizado o projecto para o chalet que viria a ser conhecido com o seu nome. Com efeito, embora desconheçamos a data exacta desse projecto, sabemos que, em 1867, o edifício estava adiantado o suficiente para que se iniciassem os revestimentos interiores de estuque e de pintura, que ficaram a cargo de Sebastião Ribeiro Alves. As obras deveriam ter terminado por volta de 1869, ano em que Elisa Hensler casou com o rei D. Fernando II de Portugal. Após a morte deste, em 1885, os bens da coroa que possuía no Parque da Pena passaram para a posse da condessa, que ficou com o seu usufruto até 1911, ano em que faleceu.
O chalet é uma típica moradia romântica, muito provavelmente inspirado nas cabanas de altitude da Suíça. De dois pisos, apresenta notórias diferenças planimétricas entre os andares, definindo-se o inferior por um prolongamento rectangular longitudinal, e o superior por uma secção cruciforme central. Integralmente construído em madeira, os alçados são animados por vãos de arcos apontados, moldurados com cortiça. Os modilhões e as cornijas que rematam os panos exteriores do edifício são também em cortiça, o que confere ao conjunto uma inusitada marca de estilo nunca antes ensaiada no nosso país. As fachadas principal e posterior, que ocupam os alçados mais longos do rectângulo, são simétricas entre si: no primeiro piso, o pano central é ocupado por duas portas encimadas por óculo circular axial, tendo os panos laterais uma porta de perfil idêntico ladeada por duas janelas. Superiormente, esta disposição tripartida dos panos tem correspondência em outros tantos corpos, sendo o central (o que desempenha as funções de braços menores do volume cruciforme que compõe este segundo piso) mais avançado, com alçado definido axialmente por porta de arco quebrado que dá acesso a uma pequena varanda. Os alçados dos braços longitudinais repetem a fórmula de vãos dos panos laterais inferiores, com porta entre duas janelas.
A organização do interior obedece também a uma hierarquia de espaços, que se subordina aos conceitos românticos do conjunto. O hall central, onde se localizam os acessos às restantes dependências do piso inferior e a escadaria que leva ao segundo andar, é integralmente decorado com motivos geométricos e vegetalistas de tons fortes. À direita situam-se a Sala das Heras, ornamentada com hastes de hera que dominam verticalmente os cantos desta dependência, e a Sala de Jantar. Do lado oposto, situam-se as áreas de serviço, com cozinha (revestida com azulejos azuis e brancos de padrão geométrico formando losangos) e casa de banho. A escadaria que conduz ao andar superior tem as paredes pintadas com motivos geométricos e vegetalistas e, num pequeno patamar intermédio, localiza-se a arrecadação. O piso nobre foi destinado a funções habitacionais da condessa e numa das paredes ainda existe o seu brasão. O Quarto das Rendas era o seu quarto, decorado com soluções entrelaçadas de branco e azul, e existem outros para hóspedes, sendo de destacar o Quarto das Pérolas, ornamentado com medalhões classicizantes.
Obra ímpar da nossa arquitectura oitocentista, a qualidade do projecto e o seu forte impacto cenográfico (reforçado pelo ambiente romântico da Serra de Sintra e pela proximidade do Palácio da Pena) revelam as capacidades da condessa de Edla para, ela própria, conceber um tal programa monumental. Conhecemos alguns nomes de trabalhadores, como mestre Gregório e Domingos Martins Freire, mas não restam dúvidas de que a concepção e supervisão dos trabalhos esteve a cargo de Elisa Hensler. Abandonado pelas décadas de 30 e 40 do século XX, só cerca de meio século depois houve a intenção de o restaurar e revitalizar. No entanto, em 1999, um violento incêndio acabou por desfigurá-lo quase por completo.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

A Arte em Portugal no Século XIX (2 vols.)

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

FRANÇA, José-Augusto

Título

D. Fernando II e a condessa de Edla, um germânico e uma suíça na corte dos Bragança. Do escândalo privado à contestação da monarquia (1869-1889), Revista da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, nº21-22, pp.103-118

Local

Lisboa

Data

1997

Autor(es)

LOPES, António Cordeiro

Título

Sintra

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

Sintra Património da Humanidade

Local

Sintra

Data

1998

Autor(es)

RIBEIRO, José Cardim

Título

Abandono e chamas arruinaram chalet da condessa, O Público, 15/07/1999

Local

Lisboa

Data

1997

Autor(es)

-