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Palácio e Quinta do Ramalhão, também denominado «Paço Real do Ramalhão» (actualmente Colégio de São José das Irmãs Dominicanas Portuguesas) - detalhe

Designação

Designação

Palácio e Quinta do Ramalhão, também denominado «Paço Real do Ramalhão» (actualmente Colégio de São José das Irmãs Dominicanas Portuguesas)

Outras Designações / Pesquisas

Palácio do Ramalhão / Paço Real do Ramalhão / Colégio de São José das Irmãs Dominicanas Portuguesas(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Quinta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Sintra / Sintra (Santa Maria e São Miguel, São Martinho e São Pedro de Penaferrim)

Endereço / Local

EN 249
Ranholas

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)
Edital N.º 348/92 de 10-12-1992 da CM de Sintra
Despacho de homologação de 20-07-1984 do Ministro da Cultura
Despacho de concordância de 18-07-1984 do presidente do IPPC
Parecer de 19-07-1984 da Assessoria Técnica do IPPC a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 21-05-1984 do IPPC
Processo iniciado em 1983 no IPPC

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O palácio do Ramalhão, cujas origens remontam à segunda metade do século XV, resulta, tal como hoje o conhecemos, da campanha de obras iniciada nos primeiros anos da centúria de Setecentos, e que terminou com a profunda intervenção, de gosto neoclássico, patrocinada por D. Carlota Joaquina, que adquiriu o imóvel em 1802, e que aqui viveu desterrada após ter recusado jurar a Constituição de 1822.
Depois da notícia de D. Afonso V ter aforado o terreno da Quinta a Diogo Gomes, a 17 de Dezembro de 1470, voltamos a conhecer notícias sobre o Ramalhão quando, em 1517-20, o tombo do Hospital de Nosso Senhor Santo Espírito menciona uma morada de casas no local. Pertença da Misericórdia de Sintra, a Quinta foi objecto de múltiplos emprazamentos, e em 1709 foi adquirida por Luís Garcia Bívar, um influente homem de negócios que deu início às obras, e ampliou as casas existentes (IDEM, pp. 55-60). Foi, no entanto, o seu filho, com o mesmo nome, que comprou as terras confinantes, em 1712 e 1740, tendo prosseguido as obras da casa, onde se incluí a capela, e construindo, a partir de 1744, o aqueduto do Ramalhão. O edifício, que corresponde ao corpo longitudinal, estaria concluído em 1748. Dele fazem parte os lagos fronteiros à longa fachada que dá para o jardim (IDEM, p. 54). Todavia, a morte de Luis Bívar, em 1760, que entretanto havia partido para a colónia do Sacramento, trouxe graves problemas e, em 1768, a propriedade foi vendida por 12 contos de réis a D. Maria da Encarnação Correia, viúva de João Dias da Cunha e detentora de uma considerável fortuna (IDEM, p. 65).
A partir desta data inaugura-se, no Ramalhão, uma época de vida palaciana, e as obras ocorreram a nível da varanda do primeiro andar, ampliando-se ainda as duas quintas, de baixo e de cima, através da aquisição de algumas terras. Depois da medição e demarcação dos terrenos, em 1770, D. Maria da Encarnação Correia mandou colocar, no ano seguinte, um azulejo na capela com a representação de Nossa Senhora da Conceição e São Brás. Alguns anos mais tarde, e por empréstimo dos Street Arriaga, então seus proprietários por falecimento da viúva e herança da sua filha, a casa foi temporariamente habitada pelo célebre viajante inglês William Beckford, que se refere a ela no seu diário, o que muito contribuiu para determinar as obras levadas a cabo posteriormente (COSTA, 1982 p. 17 e ss.).
Desde a estadia de Beckford até 1802, a casa conheceu uma forte degradação, assim a encontrando D. Carlota Joaquina. Apesar da confusa situação política que o país atravessava, a rainha iniciou as obras do Ramalhão, prolongando a casa para Nascente, e formando, assim, o pátio interno e o túnel, encimado pela torre sineira. Ganha especial importância, neste contexto, o edifício que fecha o espaço, a Poente, e cuja decoração neoclássica de frisos com grinaldas Luís XVI se aproxima muito do arco do Palácio de Seteais, podendo ter sido concebido pelo mesmo arquitecto, Francisco Leal Garcia. Já do período de desterro, são as pinturas decorativas da escadaria e do denominado Salão da Floresta (o hall em forma de lanterna tão referido por Beckford), inspiradas na flora brasileira e atribuíveis a Manuel da Costa, que trabalhou em Queluz (SERRÃO, 1989, p. 67).
Após a morte de D. Carlota Joaquina, o Ramalhão teve vários proprietários, até ser adquirido, em 1941, pelas Irmãs Dominicanas, que aí instalaram Casa Generalícia da Congregação, transformando o imóvel num colégio feminino, que ainda hoje se mantém em actividade. Realizou-se, assim, o desejo da rainha, que pretendia estabelecer no seu palácio um convento.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem)

Local

Porto

Data

1900

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Sintra

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

Sintra. A Paisagem e Suas Quintas

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

LUCKHURST, Gerald, SILVA, José Cornélio da

Título

Beckford em Sintra no verão de 1787 - história da Quinta e Palácio do Ramalhão

Local

Sintra

Data

1982

Autor(es)

COSTA, Francisco