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Estação arqueológica de Mogueira-São Martinho de Mouros - detalhe

Designação

Designação

Estação arqueológica de Mogueira-São Martinho de Mouros

Outras Designações / Pesquisas

Povoado da Mogueira / Estação Arqueológica da Mogueira(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Estação

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Resende / São Martinho de Mouros

Endereço / Local

-- -
São Martinho de Mouros

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 29/84, DR, I Série, n.º 145, de 25-06-1984 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Numa altura em que se assistia ao reforço do exercício arqueológico e ao seu paulatino reconhecimento por parte das instituições estatais, nomeadamente no âmbito da Commissão dos Monumentos Nacionaes, tutelada pelo Ministerio das Obras Publicas, Commercio e Industria, foram algumas as figuras nacionais de maior renome nesta área patrimonial a percorrerem o Nordeste peninsular, prospectando e, eventualmente, escavando, na esteira de tantos outros exemplos transfronteiriços, onde estas tarefas se encontravam amplamente divulgadas e exercitadas.
Reconhecendo a urgência da averiguação generalizada e sistemática das (então) denominadas riquezas artísticas e arqueológicas do país para melhor entender e sublinhar, não apenas as especificidades da História nacional, regional e/ou local, como a necessidade de criar, num futuro próximo, um museu que concebeu de modo central e centralizador, José Leite de Vasconcellos (1858-1941), essa figura incontornável dos estudos arqueológicos, etnográficos e linguísticos do nosso país, deslocou-se, em 1891, ao Minho, onde, entre outros arqueossítios, explorou a actualmente conhecida por "Estação Arqueológica de Mogueira", onde recolheu espólio diversificado.
Implantado na vertente Oeste da Serra das Meadas, sobranceira ao rio Douro, o povoado foi erguido durante a Idade do Ferro do Nordeste peninsular, num local particularmente abundante em afloramentos graníticos, uma circunstância estruturalmente utilizada pelos seus habitantes, como assevera a diversidade de vestígios de encaixes, sulcos, lagaretas, cisterna, plataformas e degraus afeiçoados e abertos na sua superfície.
Mas não só. À semelhança dos povoados de altura edificados neste período no enquadramento da denominada "cultura castreja", este castro foi originalmente dotado de um sistema defensivo que englobava as próprias condições naturais, asseguradas, de algum modo, pela presença de linhas de água que circundam o morro. Encontram-se, assim, à superfície, elementos de três linhas de muralha construídas com aparelho irregular, harmoniosamente adoptadas à geologia do terreno. E tal como ocorre nos demais testemunhos desta tipologia arqueológica, foi no recinto delimitado pela cinta muralhada interna que se identificaram vestígios de estruturas habitacionais.
Também neste povoado se exumaram materiais que comprovam a ocorrência de uma segunda ocupação, já durante o período de domínio romano do actual território português, bem documentada, neste caso, nos fragmentos de tegulae e imbrices, bem como de moedas romanas dos imperadores Augusto e Marco Aurélio, ainda que pareçam predominar as cerâmicas comuns típicas dos castros da Idade do Ferro do Noroeste peninsular.
Esta aparente deferência não deverá surpreender, atendendo à existência de factores essenciais à vivência quotidiana dos seus habitantes, como a abundância de pequenos cursos hídricos, a fertilidade do solo e a vastidão montanhosa vital para a actividade pastorícia, juntamente com a presença de várias matérias primas, com especial destaque para o minério, terão sido, na verdade, decisivos para a sua ocupação por parte de grupos humanos ao longo dos tempos, como atesta a recolha de escórias e a identificação de vestígios de fornos de depuração metálica.
Mas, dos elementos registados no sítio, foi, sem dúvida, o reconhecimento de vestígios daquele que terá constituído um santuário rupestre ao "ar livre", eventualmente consagrado a divindidades indígenas, a merecer maior relevo. Funcionando numa grande plataforma aberta nos afloramentos graníticos existentes na zona mais elevada do povoado ("acrópole"), o local parece ter sido romanizado (a lembrar o santuário de Panóias), como indicarão as inscrições nele gravadas, a denunciar, no fundo, uma prática de todos os tempos e lugares: a da afirmação dos novos poderes político-administrativos mediante a sobreposição de valores espirituais.
[AMartins]

Bibliografia

Título

Carta Arqueológica do Concelho de Resende

Local

Resende

Data

1997

Autor(es)

CORREIA, Alexandre Lourenço, SILVA, Eduardo Jorge Lopes da, MEDEIROS, Maria Idalina de Almeida

Título

A inscrição rupestre da estação luso-romana de Mogueira (Resende), Revista de Guimarães

Local

Guimarães

Data

1984

Autor(es)

MANTAS, Vasco Gil

Título

Resende e a sua História

Local

Resende

Data

1994

Autor(es)

DUARTE, Joaquim Correia