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Igreja de Nossa Senhora da Conceição (antiga Ermida de São Sebastião das Arieiras) - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Nossa Senhora da Conceição (antiga Ermida de São Sebastião das Arieiras)

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de Nossa Senhora da Conceição(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Leiria / Peniche / Peniche

Endereço / Local

Rua de Nossa Senhora da Conceição
Peniche

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)
Edital N.º 40/93 de 28-09-1993 da CM de Peniche
Despacho de concordância de 29-05-1990 do Secretário de Estado da Cultura
Despacho de concordância de 21-05-1990 do presidente do IPPC
Parecer de 26-04-1990 do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação como IIP
Em 27-04-1987 a CM de Peniche enviou a referida documentação
Em 20-02-1987 foi solicitado à CM de Peniche o envio de documentação para instrução do processo de classificação
Processo iniciado em 1987 no IPPC

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O interior da igreja de Nossa Senhora da Conceição inscreve-se no mesmo modelo barroco que observamos na contemporânea igreja de Nossa Senhora da Ajuda, também em Peniche, onde os panos murários são totalmente revestidos por painéis de azulejo historiados, que se articulam com a pintura do tecto e as talhas douradas dos vários retábulos, criando uma obra de arte total cujo sentido iconográfico é de exaltação da Imaculada Conceição.
As origens desta igreja são, porém, bastante remotas. O lintel do portal principal é, muito possivelmente, um aproveitamento de uma cantaria da igreja primitiva, e a data de 1516, aí gravada, refere-se ao templo de São Sebastião das Areeiras, uma ermida de dimensões reduzidas que, no século XVII, foi substituída pela que hoje conhecemos, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição (CALADO, 1991, p. 270). As obras da nova igreja iniciaram-se em 1680, numa arquitectura de grande depuração. De nave única e capela-mor rectangulares, o templo apresenta fachada em empena, aberta por portal encimado por janelão de frontão contracurvado. O elemento de maior dinamismo é a torre sineira, ligeiramente recuada, e de planta quadrada, com os cantos chanfrados na zona das sineiras, e rematada por cúpula bolbosa. Na distribuição do espaço, as semelhanças com a igreja da Ajuda são evidentes, pois também aqui encontramos a mesma falsa abóbada de madeira, as duas capelas da nave fronteiras uma à outra e a articulação com a capela-mor através de um arco de volta perfeita.
Contrastando vivamente com o exterior, o espaço interno caracteriza-se pelas cores e pelo carácter cenográfico dos seus elementos decorativos. Resulta de uma campanha setecentista, cuja cronologia não se deverá afastar da década de 1720, ainda que não subsistam documentos que o comprovem. As semelhanças relativamente à igreja de Nossa Senhora da Ajuda, e o trabalho de determinados artistas em ambos os espaços, confere, também, alguma consistência a esta ideia. Ao que tudo indica, parece ser ligeiramente anterior a igreja de Nossa Senhora da Conceição. Na verdade, em 1719, foi instituída a Irmandade do Santíssimo Sacramento, e é possível que esta tenha imprimido um novo fôlego aos trabalhos de remodelação já em curso, e aos quais não terá sido estranho o apoio dos Condes de Atouguia (GONÇALVES, 1983, p. 250).
Flávio Gonçalves atribuiu ao mesmo artista que executou o tecto da nave da igreja de Nossa Senhora da Ajuda, em 1719, a pintura do tecto da nave da igreja da Conceição, que o investigador identificou como Pedro Peixoto (GONÇALVES, 1982, p. 40; IDEM, 1983, p. 249). Por entre o brutesco que preenche a totalidade da falsa abóbada de madeira, o quadro central representa Nossa Senhora da Conceição.
Por sua vez, também a talha dourada dos retábulos, com elementos característicos do estilo nacional e joanino, parecem ser mais recuados em relação aos da Ajuda, estes já de 1726-29.
Quanto ao revestimento azulejar, com cenas da vida da Virgem e, no subcoro, quatro painéis do Cântico dos Cânticos, que se ligam à iconografia da Imaculada Conceição, encontram-se atribuídos ao mestre de nome desconhecido, mas identificado pelas iniciais P.M.P., activo nas segunda e terceira décadas do século XVIII.
(Rosário Carvalho)

Bibliografia

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

As obras setecentistas da igreja de Nossa Senhora da Ajuda de Peniche e o seu enquadramento na arte portuguesa da primeira metade do século XVIII (conclusão), Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa, pp. 245-269

Local

Lisboa

Data

1983

Autor(es)

GONÇALVES, Flávio

Título

O Azulejo em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

MECO, José

Título

Peniche na história e na lenda

Local

Peniche

Data

1991

Autor(es)

CALADO, Mariano

Título

As obras setecentistas da igreja de Nossa Senhora da Ajuda de Peniche e o seu enquadramento na arte portuguesa da primeira metade do século XVIII, Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa, pp. 5-53

Local

Lisboa

Data

1982

Autor(es)

GONÇALVES, Flávio

Título

Inventário Artístico de Portugal, vol. V (Distrito de Leiria)

Local

Lisboa

Data

1955

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos