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Igreja de Mancelos - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Mancelos

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de São Martinho de Mancelos / Mosteiro de Mancelos / Igreja Paroquial de Mancelos / Igreja de São Martinho(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Porto / Amarante / Mancelos

Endereço / Local

- -
Lugar do Mosteiro

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 24 347, de 11-08-1934, publicado no DG, I Série, n.º 188, de 11-08-1934 (ver Decreto)

ZEP

Portaria n.º 332/79, de 10-05-1979, publicada no DR, I Série, n.º 156, de 9-07-1979 (com ZNA) (ver Portaria)

Zona "non aedificandi"

Portaria n.º 332/79, de 10-05-1979, publicada no DR, I Série, n.º 156, de 9-07-1979

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Integrada na região de Amarante, o que resta do edifício românico de São Martinho de Mancelos revela a dependência estilística do conjunto ao grandioso projecto do vizinho Mosteiro beneditino de Travanca (principal estaleiro construtivo da região nos séculos XII e XIII). Ele inscreve-se numa época já relativamente tardia, os meados do século XIII (ALMEIDA, 2001, p.124), período em que a região foi alvo de incremento económico, beneficiando da centralidade criada em torno da ponte sobre o Tâmega e do desenvolvimento rural do território.
A igreja apresenta planta longitudinal comum à maioria dos monumentos românicos que chegaram até nós, composta por nave e capela-mor rectangular. Contém, todavia, dois outros espaços que não são correntes e que, ao mesmo tempo que monumentalizam o conjunto, ajudam a perceber a importância da empresa românica então realizada. O primeiro é a galilé que, apesar das evidentes transformações em épocas posteriores, deve remontar à construção original, ou eventualmente a uma fase muito próxima, como sugere o perfil apontado do seu portal. O segundo é a torre quadrangular, adossada à frontaria pelo lado Sul e composta por três andares, embora as campanhas posteriores (entre as quais se conta a transformação em torre sineira) não permitam uma mais rigorosa identificação dos pisos originais. Ambos estes espaços antecedem o templo propriamente dito e alargam o conjunto monumental, que adquire, assim, maior relevância e uma mais complexa funcionalidade, associada ao mosteiro aqui estabelecido pelo século XIII.
No interior da galilé, na fachada ocidental da igreja, abre-se o portal, que constitui o elemento românico mais significativo. De quatro arquivoltas, possui tímpano liso e anuncia já as formas góticas pelo perfil apontado da sua curvatura. Xosé Lois GARCÍA, 1997, pp.18-24, que estudou iconograficamente este conjunto, reconhece na decoração dos capitéis uma deliberada intenção de exaltar os elementos naturais, como forma de "reiterar Deus por meio da natureza", numa atitude que radica na definição românica do hortus deliciarum. Assim explica a diversidade de elementos vegetalistas, como lírios, palmeiras, videiras, oliveiras, etc. O campo figurativo foi reduzido a uma única composição, localizada nas consolas que suportam o tímpano. Aí vemos duas figuras de feições monstruosas, ao que tudo indica uma feminina e outra masculina, vergadas pelo peso do material pétreo, numa alusão ao pecado (IDEM, p.24).
Como instituição religiosa relevante no meio social da zona de Amarante, a igreja foi procurada por nobres e eclesiásticos para sua última morada, estando a galilé provavelmente relacionada com funções funerárias. No exterior da fachada Sul da igreja, abrindo para o que poderá ter sido o claustro monacal, existe um arcossólio que enquadra um túmulo, em cuja face se esculpiu, entre outros símbolos, um homem armado com lança perante o que parece ser uma cabra e um lobo.
No interior, existem duas portas laterais na nave e o arco triunfal, ladeado por dois retábulos de talha branca, é de perfil apontado apoiado em colunas. A capela-mor, confluente em retábulo contemporâneo dos anteriores, é coberta por tecto de madeira. O elemento mais interessante é a composição escultórica do lintel do portal principal, que integra duas pequenas personagens, "lindas e risonhas figuras diabólicas" que tentarão os homens no mundo quotidiano (IDEM, p.25).
Sem grandes transformações aparentes ao longo da época moderna, à excepção da conversão da torre em sineira e dos elementos de talha suprimidos aquando do restauro, só no século XIX encontramos os primeiros indícios de obras, nomeadamente no coroamento de ameias que anima a fachada principal da igreja. Mais recentemente, entre 1977 e 1968 e 1979 e 1985, a DGEMN procedeu a trabalhos gerais de restauro, onde se inclui a destruição de parte das obras de talha, a substituição de telhados, a reparação do interior da torre sineira, etc.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

História da Arte em Portugal - O Românico

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

O mundo românico (séculos XI-XIII), História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

RODRIGUES, Jorge

Título

Portugal roman, vol. II

Local

-

Data

1986

Autor(es)

GRAF, Gerhard N.

Título

Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho

Local

Porto

Data

1978

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico)

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Simbologia do Românico de Amarante, 2ªed.

Local

Amarante

Data

1997

Autor(es)

GARCÍA, Xosé Lois