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Igreja da Misericórdia do Montijo - detalhe

Designação

Designação

Igreja da Misericórdia do Montijo

Outras Designações / Pesquisas

Igreja da Santa Casa da Misericórdia do Montijo(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Setúbal / Montijo / Montijo e Afonsoeiro

Endereço / Local

Praça 1.º de Maio, a seguir ao n.º 22
Montijo

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)
Edital de 26-04-1990 da CM de Montijo
Edital de 23-02-1990 da CM de Montijo
Despacho de homologação de 24-05-1989 da Secretária de Estado da Cultura
Despacho de concordância de 22-05-1989 do presidente do IPPC
Informação de 18-05-1989 da 9.ª Secção do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 27-04-1989 do IPPC, após visita de um técnico ao local
Em 9-12-1986 a CM de Montijo enviou a documentação solicitada
Em 24-06-1985 foi solicitado à CM de Montijo o envio de documentação para a instrução de um processo de classificação

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Nos finais do século XV a Coroa portuguesa, mais concretamente a rainha D. Leonor (mulher de D. João II e irmã de D. Manuel), fundou um serviço de assistência a pobres e doentes - a Misericórdia de Lisboa -, que depois de instalado na capital se estendeu às mais diversas localidades do país. A vila de Aldeia Galega não constitui excepção neste processo. Aproveitando as bases administrativas que possuía devido ao funcionamento de uma albergaria na localidade, a população organizou uma nova irmandade, fundando, assim, a Santa Casa da Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo. Ainda que a data desta instituição não seja consensual, sabemos que existiria, com certeza, em 1555, de acordo com a documentação mais remota relativa à eleição de mesários (SERRÃO, 2002, p. 215).
A construção da igreja surge referenciada em 1563, como obra do mestre Fernão Fidalgo (COSTA, 1709). De acordo com a documentação subsistente, a obra de pedraria da igreja prolongar-se-ia até 1578, data do último recibo pago ao referido Fernão Fidalgo.
A estrutura arquitectónica chã, que hoje observamos, remonta a esta primeira campanha de obras. A planta longitudinal, é composta pela justaposição da nave única e da capela-mor. Dos poucos elementos decorativos, destaca-se o púlpito e a tribuna, bem como a lápide da capela-mor, que atesta a sepultura dos dois instituidores da igreja - o nobre Nuno Álvares Pereira e a sua mulher Isabel de Almeida. A igreja da Misericórdia do Montijo integra-se, então, "(...) no gosto do ciclo maneirista reformado, e impõe-se bem, pelo seu espírito austero e contra-reformado, no tónus construtivo que enquadra o renascimento das vilas ribeirinhas da margem sul do Tejo na viragem dos séculos XVI-XVII" (SERRÃO, 2002, p. 216).
Vinte anos depois do início das obras na igreja, teve início a campanha decorativa que dotou a Irmandade de uma bandeira, hoje desaparecida, mas atribuída a Tomás Luís. De acordo com Vítor Serrão, este seria o primeiro contacto do pintor com a Irmandade, uma vez que três anos mais tarde será ele o escolhido para executar o retábulo-mor da igreja. Este retábulo, hoje desaparecido, foi realizado pelo mestre entalhador Jacques de Campos, na última década de Quinhentos. A contratação de artistas de renome para os trabalhos do altar-mor revela a importância desta Misericórdia, que com certeza, tentava igualar o prestígio alcançado pela vizinha Misericórdia de Alcochete, com a pintura retabular executada por Diogo Teixeira.
As campanhas de obras que se sucederam na igreja da Misericórdia, nomeadamente durante o século XVIII (1757 e 1789-90), e que visaram a adaptação da igreja aos cânones estéticos e litúrgicos então em voga, substituíram o retábulo original por um outro de gosto mais actualizado. No entanto, algumas tábuas foram reaproveitadas na nova tribuna, o que fez com que a tábua central pintada por Tomás Luís subsistisse até aos nossos dias, tendo sido descoberta em 1998 durante uma campanha de restauro.
No interior destaca-se o púlpito maneirista, executado pelo mestre de pedraria Pedro Domingues, de Azeitão, e concluído pela mão de Rodrigo Domingos, em data posterior a 1605. A nave encontra-se ainda revestida pelos azulejos de tipo tapete, característicos do século XVII, que deveriam estar colocados em 1658. O registo que se encontra na fachada principal da igreja data de 1677, ano em que todas as obras estariam concluídas.
O actual retábulo, polícromo e de linguagem mais aproximada de um gosto neo-clássico, apresenta uma estrutura simples e decoração sumária, circunscrita aos capitéis, frisos dourados e painéis laterais com os instrumentos da Paixão.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Corografia Portuguesa e descripçam topographica do famoso Reyno de Portugal

Local

Lisboa

Data

1712

Autor(es)

COSTA, Pe. António Carvalho da

Título

Igrejas e Capelas da Costa Azul

Local

Setúbal

Data

1993

Autor(es)

DUARTE, Ana Luisa

Título

Tomás Luís e o antigo retábulo da igreja da Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo, Artis

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

Contributo para a cronologia da Santa Casa da Misericórdia do Montijo - séc. XV- séc. XIX, Nova Gazeta

Local

-

Data

1999

Autor(es)

ALEIXO, Rui

Título

Albergaria, Hospital e Misericórdia de Aldeia-Galega do Ribatejo

Local

Montijo

Data

1948

Autor(es)

QUARESMA, José Simões

Título

Os Painéis da Igreja da Misericórdia do Montijo, Nova Gazeta

Local

-

Data

1999

Autor(es)

ALEIXO, Rui

Título

Jaques de Campos e o retábulo-mor da igreja da Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo, separata do Boletim de Trabalhos Históricos,

Local

Setúbal

Data

1986

Autor(es)

FALCÃO, José António, FERREIRA, Jorge Rodrigues