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Património Cultural

Igreja Paroquial de São Pedro - detalhe

Designação

Designação

Igreja Paroquial de São Pedro

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de São Pedro, paroquial da Ericeira / Igreja Paroquial da Ericeira / Igreja de São Pedro (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Mafra / Ericeira

Endereço / Local

Largo de São Pedro
Ericeira

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 29/84, DR, I Série, n.º 145, de 25-06-1984 (ver Decreto)
Edital N.º 100/81 de 13-10-1981 da CM de Mafra
Despacho de homologação de 26-09-1981
Parecer de 15-09-1981 da Comissão "ad hoc" do IPPC a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 25-08-1981 do IPPC
Proposta de classificação de 24-02-1981 da CM de Mafra

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

As origens da igreja de São Pedro da Ericeira deverão remontar, pelo menos, à primeira metade do século XV, uma vez que a mais antiga referência documental conhecida data de 1446 (SOARES, FIGUEIREDO, 2002, p. 21). De dimensões bastante mais reduzidas, esta constituía, à época, uma ermida de peregrinação, razão pela qual foi edificada fora das muralhas da vila.
A espacialidade que se conhece no século XVI, com nave única, coro, ábside mais elevada e sacristia, deverá corresponder já a uma primeira ampliação, sendo que a discutida questão do núcleo manuelino (GORJÃO, 1994, p. 12), que toma por base a existência de um nicho deste período, parece definitivamente afastada em função de estudos recentes. Estes, apontam para a integração deste nicho na estrutura do templo, apenas no século XIX (SOARES, FIGUEIREDO, 2002, p. 22).
Em 1578, a igreja tornou-se paroquial e a consequente necessidade de espaço ditou a sua remodelação, que se prolongou desde o último quartel do século XVII até à centúria seguinte. Remodelação essa que incidiu de forma particular na decoração, de cariz eminentemente barroco. Ainda que sem confirmação, esta campanha tem vindo a ser associada a D. João V e aos eventuais contributos do monarca para tão vasta intervenção decorativa, que conferiu uma forte unidade ao templo, que se manteve mesmo depois da integração de uma série de pinturas provenientes dos conventos extintos.
Todavia, os problemas relacionados com a exiguidade do espaço continuavam a fazer-se sentir, obrigando a nova campanha de ampliação, já no século XIX. Esta, reformulou o coro alto, que desde então assumiu as proporções excessivas que ainda conserva, acrescentando a igreja em comprimento. O que ditou o desaparecimento dos painéis de azulejo da parede de topo, bem como a desornamentação da secção final do pano murário interior, ainda não existente aquando da integração do revestimento cerâmico setecentista.
Assim, e em consequência destas quatro grandes fases construtivas que assinalámos, a igreja apresenta nave única, com capela-mor mais baixa e estreita, para além de vários anexos construídos entre o século XIX e XX, que foram sofrendo algumas readaptações funcionais. A fachada principal, de meados de Oitocentos, revela a influência da tratadística de Vignola, ainda que com alguns pormenores mais próprios de uma linguagem barroca (SOARES, FIGUEIREDO, 2002, p. 34). O portal, de moldura em volta perfeita, é sobrepujado por um frontão semicircular, interrompido na base, exibindo o tímpano relevos de emblemas de São Pedro, orago do templo. Também o portal sul apresenta uma imagem do mesmo santo, em pedra de ançã, executada no século XVI e com características que a aproximam da oficina do escultor João de Ruão, revelando fortes semelhanças com uma outra patente na igreja de Anseria, em Oliveira do Hospital (SOARES, FIGUEIREDO, 2002, p. 36).
O tecto da nave, em caixotões, com a representação do Arrependimento de São Pedro, ao centro, remonta à campanha setecentista, e foi executado pelo pintor Joaquim José da Rocha, responsável ainda por outras pinturas da igreja. O coro de grandes dimensões, é definido por uma balaustrada de planta ondulada, de características joaninas. Tal como o retábulo-mor, cuja linguagem é claramente do barroco nacional, embora com policromia que denota um gosto mais avançado, consequência do longo tempo que levou a ser concluído. Os restantes altares exibem retábulos de talha da mesma época.
A iconografia da capela incide, essencialmente, sobre a vida de São Pedro e as cenas de cariz piscatório, o que deverá ser entendido à luz da importância desta actividade na Ericiera. Assim, neste contexto, insere-se a tábua do altar-mor (atribuída ao pintor barroco Manuel António de Góis), o tecto já referido e os azulejos (da década de 80 do século XVIII, e por isso mesmo reveladores de uma policromia e movimentação rocaille ).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Carta do Património do Concelho de Mafra. 1 - Lavabos de Sacristia, Boletim Cultural '97, pp.371-396

Local

Mafra

Data

1998

Autor(es)

VILAR, Maria do Carmo

Título

Arte Sacra - Museu da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira

Local

Ericeira

Data

1994

Autor(es)

GORJÃO, Sérgio

Título

A igreja de São Pedro da Ericeira

Local

Ericeira

Data

2002

Autor(es)

SOARES, Clara Moura, FIGUEIREDO, Paula

Título

Memórias e Memorialistas. 1. Memórias Paroquiais, Boletim Cultural '96, pp. 307-344

Local

Mafra

Data

1997

Autor(es)

GORJÃO, Sérgio

Título

Identidades. Património Arquitectónico do Concelho de Mafra

Local

Mafra

Data

2009

Autor(es)

FERNANDES, Paulo Almeida, VILAR, Maria do Carmo