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Património Cultural

Quinta do Marquês, em Belas, incluindo o palácio e ainda uma capela abobadada, duas fontes decorativas, um obelisco erguido a D. João VI e a capela do Senhor da Serra, existentes nos jardins da mesma Quinta - detalhe

Designação

Designação

Quinta do Marquês, em Belas, incluindo o palácio e ainda uma capela abobadada, duas fontes decorativas, um obelisco erguido a D. João VI e a capela do Senhor da Serra, existentes nos jardins da mesma Quinta

Outras Designações / Pesquisas

Quinta do Marquês / Quinta dos Marqueses de Belas / Paço Real de Belas / Palácio da Quinta do Marquês / Palácio da Quinta do Senhor da Serra (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Palácio

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Sintra / Queluz e Belas

Endereço / Local

Rossio de Belas
Belas

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 32 973, DG, I Série n.º 175, de 18-08-1943 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A classificação da Quinta do Marquês, em Belas, inclui o palácio e ainda uma capela abobadada, duas fontes decorativas, um obelisco erguido a D. João VI e a capela do Senhora da Serra existentes nos jardins da mesma Quinta.
A história conhecida do Palácio dos Marqueses de Belas remonta ao século XIV, e a Gonçalo Anes Roberto, o Franco, que em 1318 era o detentor desta propriedade. Ao longo dos séculos seguintes, a posse da quinta conheceu muitos e diferentes proprietários que, naturalmente, foram introduzindo alterações no edifício e jardins, ao sabor do gosto e das necessidades de cada época. É, pois, esta complexa sobreposição de linguagens arquitectónicas, que tentaremos identificar de seguida, isolando as principais campanhas de obras e relacionando-as com os seus respectivos promotores e as motivações que estiveram na sua origem.
Diogo Lopes Pacheco e D. Pedro foram as figuras dominantes no século XIV, o primeiro possuidor da casa em 1334. A implicação na morte de Inês de Castro valeu-lhe a expropriação da quinta por parte de D. Pedro que aqui realizou algumas campanhas de obras. Devolvida ao tempo de D. Fernando, acabaria por ser novamente confiscada por D. João I, em consequência das ligações dos Lopes Pacheco a Castela, e à acusação de traição. Em todo o caso, deve-se ao último período desta família à frente da propriedade a sala abobadada com cruzaria de ogivas (STOOP, 1986, p. 212). Este monarca ofereceu a quinta a Gonçalo Peres, seu conselheiro, mas acabou por adquiri-la em 1412, ficando, a partir desta data, na posse dos Infantes de Avis.
Foi, no entanto, D. Brites, neta de D. João I e filha do Condestável D. João, quem promoveu um importante conjunto de intervenções no palácio, onde se inclui uma capela. A quinta foi herdada por D. Rodrigo Afonso de Atouguia, fidalgo da casa do marido de D. Brites, em 1505, inaugurando um novo período de importantes transformações. As áreas mais significativas do palácio, que foi alvo de múltiplas campanhas de obras, entre as quais destacamos o pátio fechado por muro com caminho de guarda, protegido por balaustrada, que termina, no ângulo, num pavilhão renascentista rematado por cúpula de gomos, com o brasão dos Atouguia; ou a porta de entrada com dois colunelos, manuelina (IDEM; AZEVEDO, 1969, p. 117). Já o baixo relevo pintado, alusivo ao castigo de Midas, que se encontra no tanque, é seiscentista, correspondendo, muito possivelmente, a uma nova intervenção no palácio (STOOP, 1986, p. 214).
No reinado de D. João V, os condes de Pombeiro, proprietários da quinta, trouxeram novos melhoramentos, datando de 1735 a construção da via sacra, e de 1745 a capela do Senhor da Serra. Os passos da paixão de Cristo foram uma manifestação muito característica do período barroco, e esta iconografia repete-se nos azulejos azuis e brancos que revestem o interior da capela (numa representação pouco habitual na azulejaria, mas que se pode encontrar na capela de uma outra quinta da região, a quinta do Bonjardim). Estes, têm sido atribuídos à oficina de Valentim de Almeida, e são contemporâneos da edificação da capela (SIMÕES, 1979, p. 319). O retábulo-mor destaca-se pela representação do calvário, em terracota pintada.
Nos jardins, reformados em 1770, ganha especial importância a escultura de Neptuno, atribuída a Bernini e que hoje se encontra em Queluz, bem como o obelisco comemorativo da visita dos regentes D. João e D. Carlota Joaquina, em 1795, da autoria de Joaquim Barros Laborão, e que se inscreve no mesmo espírito neoclássico do arco de Seteais. Na verdade, a descrição dos jardins de 1799, por Caldas de Barbosa, deixa adivinhar as mudanças de gosto do final do século XVIII, e a preferência por ambientes mais naturalistas (CARITA, 1987, p. 236).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Quintas e palácios nos arredores de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

STOOP, Anne de

Título

Solares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

CARITA, Hélder; CARDOSO, Homem