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Património Cultural

Palácio de Seteais, incluindo o conjunto de construções e terreiro vedado, jardins, terraços e quinta - detalhe

Designação

Designação

Palácio de Seteais, incluindo o conjunto de construções e terreiro vedado, jardins, terraços e quinta

Outras Designações / Pesquisas

Palácio de Seteais, construções e terreiro vedado, jardins, terraços e quinta / Palácio de Seteais (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Jardins de Seteais (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Palácio

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Sintra / Sintra (Santa Maria e São Miguel, São Martinho e São Pedro de Penaferrim)

Endereço / Local

Rua Barbosa du Bocage
Sintra

Número de Polícia: 10

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 36 383, DG I Série, n.º 147, de 28-06-1947 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

Abrangido pela "Paisagem Cultural e Natural de Sintra", incluída na Lista de Património Mundial - MN (nº 7 do art.º 15.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro)

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Iniciado em 1783 e concluído em 1787, o primitivo Palácio de Seteais conheceu, mais tarde, uma importante campanha de obras neoclássica, patrocinada pelo 5º Marquês de Marialva que, em 1797, adquiriu a casa e a propriedade. Remonta a este período a fachada cenográfica, que se abre para o pátio, simétrica à já existente, bem como o arco triunfal que liga ambos os alçados, construído em 1802, para assinalar a visita do então regente D. João VI e D. Carlota Joaquina. Depois de vários problemas com a sucessão do Marquês e de várias hipotecas, o Estado adquiriu o Palácio, inaugurando-se o hotel, em 1954, que conservou o traçado anterior.
O primitivo núcleo de Seteais, que já então tirava partido da sua implantação na paisagem, deve-se à iniciativa do cônsul holandês Daniel de Gildemeester, homem de grande fortuna a quem o Marquês de Pombal havia entregue o exclusivo da exportação de diamantes. O Palácio foi inaugurado a 25 de Julho de 1787, tendo estado presente na festa Wiliam Beckford, que nos deixou o relato, no seu diário, aludindo à depuração da casa, mas elogiando a mesa da festa! (COSTA, 1982, p. 29).
Com a morte do cônsul, em 1793, acentuaram-se as dificuldades financeiras da família, que acabou por vender a propriedade. Adquiriu-a, em 1797, o 5º Marquês de Marialva, D. Diogo José Vito de Menezes Noronha Coutinho, que já dispunha de uma reduzida propriedade em São Pedro. A campanha arquitectónica de ampliação do palácio e das cavalariças ocorreu entre 1801 e 1802, alterando a fachada principal que passou a ser a que se abre para o pátio, e construindo uma outra fachada cenográfica do lado oposto. A unir os dois alçados, o arco de triunfo celebra a visita de D. João e D. Carlota Joaquina. Neste conjunto de edifícios de linhas rectas, cujo projecto tem vindo a ser atribuído ao arquitecto José da Costa e Silva (autor, por exemplo, do Teatro São Carlos) (SERRÃO, 1989, p. 65), observamos várias influências, como o classicismo neopalladiano, ou a decoração de grinaldas, nas platibandas, estilo Luís XVI. No arco, também neoclássico, e atribuído a Francisco Leal Garcia, destacam-se as lanças, bandeiras e armas que enquadram os bustos dos monarcas. Trata-se de um conjunto que revela alguma ingenuidade, e onde se "põe o problema da cultura (ou da ignorância) com que o Neoclassicismo podia ser entendido em Portugal, na charneira dos dois séculos" (FRANÇA, 2004, p. 38).
Remonta, ainda, a esta campanha, a decoração dos interiores, revestidos a sedas e pintados a fresco por discípulos de Pillement, ou ainda de influência chinesa.
O Marquês de Marialva viveu pouco tempo no seu novo palácio, pois faleceu em 1803, gerando uma complicada situação de sucessões e hipotecas (cf. quadro COSTA, 1982, p. 102) que culminaram, em 1946, com a aquisição do imóvel por parte do Estado. A questão do Campo de Seteais e o seu aforamento constituiu uma outra preocupação e foi um problema muito discutido entre os proprietários de Seteais, a população e a câmara de Sintra (COSTA, 1982, p. 44-47). O hotel de luxo, inaugurado em 1954, preservou o edifício aí existente, que se conserva como hotel até aos dias de hoje. Para a fachada traseira dá o jardim de buxo geométrico e, enquadrada pelo arco de triunfo, no denominado Penedo da Saudade, estende-se a serra e o palácio de Sintra, confirmando a acertada escolha paisagística do cônsul holandês.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Os Mais Belos Palácios de Portugal

Local

Lisboa

Data

1992

Autor(es)

GIL, Júlio

Título

Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem)

Local

Porto

Data

1900

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Solares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de

Título

Sintra. A Paisagem e Suas Quintas

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

SILVA, José Cornélio da, LUCKHURST, Gerald

Título

Beckford em Sintra no verão de 1787 - história da Quinta e Palácio do Ramalhão

Local

Sintra

Data

1982

Autor(es)

COSTA, Francisco

Título

História da Arte em Portugal - O Pombalismo e o Romantismo

Local

Lisboa

Data

2004

Autor(es)

FRANÇA, José-Augusto

Título

Sintra

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

Sintra Património da Humanidade

Local

Sintra

Data

1998

Autor(es)

RIBEIRO, José Cardim

Título

Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, volume II

Local

Lisboa

Data

1975

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de

Título

Palácio de Seteais, Romantismo: Imagens de Portugal na Europa Romântica, pp. 345-354

Local

Sintra

Data

1998

Autor(es)

COSTA, Francisco