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Convento dos Capuchos - detalhe

Designação

Designação

Convento dos Capuchos

Outras Designações / Pesquisas

Convento dos Capuchos / Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra / Convento da Cortiça (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Cerca do Convento dos Capuchos / Cerca do Convento de Santa Cruz do Capuchos (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Convento

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Sintra / Sintra (Santa Maria e São Miguel, São Martinho e São Pedro de Penaferrim)

Endereço / Local

EN 247, faz parte da Quinta de Monserrate
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 37 077, DG, I Série, n.º 228, de 29-09-1948 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

Abrangido pela "Paisagem Cultural e Natural de Sintra", incluída na Lista de Património Mundial - MN (nº 7 do art.º 15.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro)

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Implantado na serra de Sintra, entre cerrados arvoredos e elementos rochosos, o convento de Santa Cruz dos Capuchos, ou Convento dos Capuchos, como é mais conhecido, foi instituído em 1560 por D. Álvaro de Castro, que assim cumpriu o voto de seu pai, D. João de Castro, Vice-Rei da Índia. Os primeiros franciscanos capuchos que aqui habitaram, em número de oito, vieram do convento da Arrábida, trazendo consigo toda uma espiritualidade que privilegiava a pobreza e a ascese, e que se traduziu na arquitectura totalmente depurada que, desde então, acolheu os diversos religiosos que viveram nestas celas de dimensões reduzidas, escavadas na rocha.
Acompanhando o declive do terreno, a planta do complexo conventual é, naturalmente, irregular e antecedida por um terreiro com uma fonte, que marca a passagem de um mundo de luz natural para um outro, as celas (e demais dependências, algumas das quais forradas a cortiça, e articuladas entre si através de escadas e corredores talhados na rocha) e a igreja, onde impera a penumbra (RIBEIRO (Coord.), 1998, p. 215). A vida contemplativa abraçada pelos frades capuchos assim o impunha. A igreja, integrada no conjunto, é de uma só nave, destacando-se o retábulo-mor de mármore e o altar de embutidos, por constituírem os elementos de maior vanguarda (devem ter sido executados entre o final de Seiscentos e o início da centúria seguinte), fugindo ao rigorismo e pobreza observada nos restantes espaços. É também aqui que se encontra a lápide evocativa da fundação do convento, que perpetua a memória de D. João de Castro.
A imagem e o simbolismo da cruz, que recorda a paixão de Cristo e a invocação do próprio convento, são uma presença constante, que tem início na grande cruz de pedra à entrada e se propaga por todo o interior, assumindo um significado especial na capela dedicada ao Senhor dos Passos. Esta, é revestida por azulejos setecentistas, de cerca de 1740, representando a Flagelação, a Coroação de Espinhos, símbolos da Paixão na abóbada e, sobre a porta, Cristo Crucificado, a completar o programa (SIMÕES, 1979, p. 320). A capela do Senhor Crucificado insere-se na mesma iconografia que reflecte a espiritualidade franciscana, apresentando pinturas murais atribuídas a André Reinoso (SERRÃO, 1989, p. 58).
A par da iconografia da cruz, todo o complexo foi concebido como um caminho a percorrer para atingir a salvação, um percurso ascendente que culmina na sala do retiro, logo após a sala da penitência. Uma lógica arquitectónica que testemunha as principais preocupações dos seus habitantes - a penitência e a vida contemplativa e espiritual. Assim, à primeira campanha fundacional, seguiu-se apenas uma outra já setecentista, que veio trazer alguma modernidade ao complexo conventual, mas, sobretudo, acentuar o simbolismo da cruz.
O convento dos Capuchos nunca deixou de impressionar todos quantos aí se deslocaram ao longo dos séculos, desde viajantes a monarcas, que expressaram a sua admiração pela vida austera que os religiosos levavam. Beneficiado por vários reis, o convento foi habitado até 1834, quando a extinção das Ordens Religiosas obrigou ao seu encerramento. Adquirido pelo Estado já no século XX, encontrou-se encerrado entre 1998 e 2000 devido ao avançado estado de ruína, abrindo de novo as suas portas ao público em 2001.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Sintra

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

Sintra Património da Humanidade

Local

Sintra

Data

1998

Autor(es)

RIBEIRO, José Cardim

Título

Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, volume II

Local

Lisboa

Data

1975

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de