Saltar para o conteúdo principal da página

Quinta do Bulhaco - detalhe

Designação

Designação

Quinta do Bulhaco

Outras Designações / Pesquisas

Quinta do Bulhaco (parte da primitiva quinta), incluindo a Casa Grande, os pátios, as dependências agrícolas, a azenha, a casa de fresco, o Casal do Pereiro, o sistema hidráulico e terrenos agrícolas e silvículas / Quinta do Bulhaco(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Quinta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Vila Franca de Xira / Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz

Endereço / Local

EN 10
Lugar do Trancoso

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A casa que hoje conhecemos é o resultado da intervenção ocorrida entre a década de 1730 e a de 1770, que testemunha a transformação de uma propriedade agrícola, como até à época era a Quinta do Bulhaco, num importante centro habitacional, propriedade dos condes da Cunha. Em todo o caso, o novo edifício reflecte uma arquitectura sóbria e depurada, pautada pela decoração azulejar das diversas salas. As informações que nos chegaram sobre a construção da casa e respectiva decoração são muito escassas, resultando a cronologia e a caracterização que de seguida apresentamos, de informações dispersas. Contudo, a documentação sobre a Quinta e os seus proprietários permite traçar a história deste morgado desde a sua fundação.
As origens da Quinta e do Morgado de Bulhaco são bastante remotas, recuando, de acordo com os estudos de Isabel Cluny, a 1374, ano em que Maria de Bulhão, casada com Pedro Martins Bulhão, instituiu a capela de Santa Margarida, na igreja de São Mamede, em Lisboa. Instituição que deveria incluir o morgado, pois, de acordo com a autora, os termos capela e morgado eram, à época, equivalentes (CLUNY, 1999, pp. 133-134). A família Bulhão é, no entanto, bastante anterior, pois os primeiros membros que surgem na documentação são, precisamente, os pais de Santo António de Lisboa que, originariamente, se chamaria Fernão de Bulhão (GAIO, 1989, vol. III, p. 148). Estas referências apontam já para uma quinta nos arredores da capital que, a confirmar-se ser a mesma, faz recuar ainda mais a existência desta propriedade.
Continuando a seguir os dados divulgados por Isabel Cluny, o primeiro documento onde é referenciada a Quinta encontra-se na Chancelaria de D. Afonso V. João Lopes Bulhão, detentor do Morgado, era partidário de D. Pedro, tendo lutado a seu lado na Alfarobeira, razão pela qual D. Afonso lhe retirou o Morgado, doando-o a sua irmã, Catarina de Bulhão (CLUNY, 1999, p. 134). A documentação subsistente permite perceber que, durante o século XVI, ocorreu um engrandecimento da propriedade através da aquisição de vários terrenos. Já no século XVII a Quinta passaria para a posse dos Cunha, na pessoa de D. Manuel da Cunha (cujos avós Bulhão e Cunha se tinham ligado por matrimónio), e na qual se manteve (IDEM; p. 136). Esta família seria nobilitada em 1760, por D. José, com o título de Condes da Cunha, como recompensa pelos serviços prestados por toda a família.
Até à segunda metade do século XVIII, a Quinta do Bulhaco surge sempre como uma importante propriedade agrícola, constituindo esta a sua principal função. Isto não significa, de forma alguma, a inexistência de casas ou outras construções, embora o seu carácter tenha sido, com toda a probabilidade, apenas funcional e de apoio às actividades agrícolas. De facto, foi a partir da titulação que o Bulhaco se transformou num local de habitação para a família.
As obras de beneficiação da Quinta prolongaram-se desde 1735/39 até à década de 1770, uma vez que em 1776 é certo que a família já habitava a Quinta. Por isso mesmo, em 1791, o auto da posse do morgado pelo 2º Conde da Cunha, refere a existência de "casas nobres, pátio, oficinas, cerca, pomar de limões, terras de pão e vinhataria" (IDEM, p. 140, cita BNL, Cx. 239, n.º 47). As características do imóvel, bem como os preciosos exemplares de azulejo que revestem partes do seu interior corroboram esta cronologia. Se, por um lado, observamos uma casa de três pisos com vãos ritmados de molduras simples (distinguindo-se, na fachada principal, as janelas de sacada do andar nobre), os azulejos de padrão, setecentistas, que revestem algumas das salas, denunciam uma preocupação com a decoração e o conforto. A denominada Casa da Torre (por exibir um torreão ao centro do segundo corpo do edifício), deverá ter sido acrescentada já no início do século XIX, coincidindo com uma época em que se recebia muito no Bulhaco, com divertimentos que passavam por caçadas e representações (IDEM, p. 141).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

A Quinta do Bulhaco e D. Luís da Cunha, Cira Boletim Cultural, n.º8, pp. 127-142

Local

Vila Franca de Xira

Data

1999

Autor(es)

CLUNY, Isabel

Título

Nobiliário de famílias de Portugal

Local

Braga

Data

1990

Autor(es)

GAYO, Manuel José da Costa Felgueiras