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Fortaleza de Armação de Pêra - detalhe

Designação

Designação

Fortaleza de Armação de Pêra

Outras Designações / Pesquisas

Fortaleza de Armação de Pêra (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Fortaleza

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Silves / Armação de Pêra

Endereço / Local

Largo 25 de Abril
Armação de Pêra

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Implantada em plena foz da ribeira de Alcantarilha, a povoação de Armação de Pêra desde cedo desempenhou um papel importante na fixação de populações que vivem do mar. O seu desenvolvimento deveu-se a duas características essenciais: de um lado, a pequena aldeia de pescadores, localizada a nascente; de outro, a fortaleza, que ao longo dos últimos séculos forneceu uma relativa segurança à povoação.
É muito pouco o que se sabe acerca desta fortificação. Alguns autores sugeriram que ela está implantada sobre as ruínas de um primeiro estabelecimento romano, ou mesmo pré-romano. Outros, apontaram a primitiva construção deste complexo, com a forma de um castelo, em plena Baixa Idade Média, numa altura de plena organização do território do recentemente conquistado reino do Algarve. O certo é que a construção que actualmente se conserva nada tem de épocas tão recuadas; o imóvel que hoje se pode observar é um produto da Idade Moderna, edificado ao longo de três fases fundamentais, a primeira das quais remontando ao tempo de D. João III, pelos meados do século XVI.
Documentalmente, a primeira data conhecida relacionada com esta fortaleza é a de 1571, ano apontado por diversos autores como o da construção do complexo fortificado. Tal facto, deverá estar associado à conclusão das obras, na medida em que são bastante fortes as informações que apontam para uma intervenção em pleno reinado de D. João III, período durante o qual se construíram muitas das fortalezas costeiras do Algarve. Praticamente um século depois, após a restauração da independência nacional, procedeu-se a uma campanha modernizadora, comprovada pela data de 1667, sobre o portal principal de acesso ao recinto. Nessa altura, realizou-se uma ampla reforma do edifício, no sentido de o adaptar às novas exigências da guerra, motivadas pela forte presença de piratas e corsários a soldo de governos do Norte da Europa (COUTINHO, 1999, p.265). A última fase construtiva de que se tem conhecimento data das primeiras décadas do século XVIII, em pleno período joanino, altura em que se edificou a pequena capela de Santo António - ou de Nossa Senhora dos Aflitos, numa clara alusão à protecção das populações piscatórias das redondezas -, modesto templo de nave única e desprovido de rasgos decorativos assinaláveis.
Pelas datas apontadas, é possível perceber como a fortaleza de Armação de Pêra é um fiel exemplo das mais importantes fases construtivas, de arquitectura militar, efectuadas no nosso país ao longo da época moderna. Partindo do reinado de D. João III, em que foram levantadas muitas fortalezas costeiras, o segundo impulso deu-se no contexto das Guerras da Restauração, em que a dinastia de Bragança lutou arduamente pela independência do país face a Espanha, e em que se restauraram e modernizaram muitas praças militares fronteiriças e costeiras, constituindo o Algarve um dos locais mais importantes deste processo, com obras desde praticamente Castro Marim à fortaleza de Sagres. A própria configuração da fortaleza testemunha essa intervenção seiscentista, materializada na secção meridional do edifício, cuja planta define uma pouco pronunciada estrela de cinco pontas. Finalmente, no reinado de D. João V procedeu-se à construção (ou reformulação) da pequena capela do interior, elemento de carácter religioso importante para os efectivos militares da fortificação, mas também para as populações envolventes, que aqui passaram a ver um símbolo de religiosidade e de protecção face aos perigos do mar.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Castelos, fortalezas e torres da região do Algarve

Local

Faro

Data

1997

Autor(es)

COUTINHO, Valdemar

Título

As fortalezas da costa algarvia durante o período das economias-mundo centradas em Amsterdão e Londres, O Algarve, da Antiguidade aos nossos dias, pp.263-268

Local

Lisboa

Data

1999

Autor(es)

COUTINHO, Valdemar

Título

Dinâmica defensiva da costa do Algarve. Do período islâmico ao século XVIII

Local

Portimão

Data

2001

Autor(es)

COUTINHO, Valdemar

Título

Algarve - Castelos, Cercas e Fortalezas

Local

Faro

Data

2008

Autor(es)

MAGALHÃES, Natércia