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Forte de Santo António da Barra (Forte Velho) - detalhe

Designação

Designação

Forte de Santo António da Barra (Forte Velho)

Outras Designações / Pesquisas

Forte de Santo António da Barra / Fortaleza de Santo António (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Forte

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Cascais / Cascais e Estoril

Endereço / Local

EN 6
Estoril

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Edital de 12-06-1974 da CM de Cascais
Despacho de homologação de 9-04-1974 do Secretário de Estado da Instrução e Cultura
Parecer de 5-04-1974 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
Na povoação de S. João do Estoril, sobranceiro ao mar, encontra-se edificado um forte militar de planta estrelada com quatro baluartes angulares.
Ao longo das faces dos baluartes virados ao mar desenvolve-se uma construção muralhada, de planta retangular, que serviu de bateria baixa. O acesso ao interior do recinto fortificado faz-se por uma entrada antecedida por ponte, antes levadiça, que se abre na parede sudeste da muralha.
Ao centro da fortaleza implanta-se uma estrutura formada por dois edifícios oblongos de três pisos unidos por uma ala coberta de triplo pé direito. Foi nestes edifícios que, originalmente, se situaram as casernas abobadadas, os armazéns e outras dependências necessárias à vivência das tropas, para além da casa do governador. A eixo desta ala coberta localiza-se uma pequena capela de invocação do santo padroeiro.
O Forte de Stº António conta ainda com uma bateria alta virada a Sul e um conjunto de guaritas nos cunhais dos baluartes. No exterior dispõe-se um amplo fosso com contraescarpa, caminho coberto e esplanada hoje arborizada.
Com uma planimetria pouco usual que não se integra no modelo habitual das fortalezas da barra do Tejo, esta construção militar foi no entanto a mais importante entre a Cidadela de Cascais e o Forte de S. Julião da Barra.
A escolha do local para a sua edificação, bem como o respetivo projeto são da autoria do engenheiro militar Frei Vicêncio Casale, sendo no entanto observáveis algumas alterações efetuadas ao longo dos séculos.
Importa referir que os espaços interiores deste forte ostentam ainda um importante conjunto de património integrado do período do Estado Novo, nomeadamente azulejos azuis e brancos ou de padrão polícromo dispostos em silhares ou painéis, alguns deles representando monumentos nacionais ou momentos heroicos da História de Portugal acompanhados por diferentes citações.

História
Edificado em 1590 por ordem de Filipe I, o Forte de Santo António da Barra assim designado por referência a um mosteiro franciscano que lhe ficava próximo, foi executado pelo engenheiro militar Vicêncio Casale, napolitano que chegou a Portugal em 1589, ao serviço da Coroa espanhola.
Quando Filipe II de Espanha ocupa o trono Português, tinha consciência da fragilidade da linha de fortificações que defendiam a capital do Reino e o litoral adjacente até fora da barra do Tejo, sendo por isso uma das suas medidas iniciais o impedir do acesso a Lisboa por rio e eventuais desembarques na linha de costa entre S. Julião e Cascais.
Tendo em conta uma anotação num documento de 1617, o desenho inicial do forte terá sido alterado pelo próprio Casale e, após 1640, quando a coroa portuguesa inicia a reforma das fortalezas existentes ao longo da costa atlântica, será igualmente modificado. No entanto, dada a sua exposição marítima, esta fortaleza foi sendo sujeita a contínuas reparações até que, já nos finais do século XIX, quando perde definitivamente o seu valor militar, é utilizado como posto de Guarda Fiscal.
A partir de 1915, aquando da morte do último oficial, o forte passa a servir de Campo de Férias do "Instituto Feminino de Educação e Trabalho de Odivelas" e, após obras gerais na sua estrutura, também como residência de verão do então Presidente do Conselho de Ministros António de Oliveira Salazar. Foi aliás neste local que, em Agosto de 1968, se registou o célebre acidente que acabou por provocar a sua morte.
Após esta data o espaço que ainda hoje se encontra sob alçada do Ministério da Defesa Nacional, passou a funcionar apenas como colónia de férias, atividade que manteve até 2015. Depois deste ano seguiu-se um período de lamentável abandono e vandalismo só interrompido devido ao alerta de um conjunto de associações de defesa do património, encontrando-se, neste momento, a ser recuperado por protocolo celebrado entre a Câmara Municipal de Cascais e o referido Ministério.

Maria Ramalho/DGPC/2018.

Imagens

Bibliografia

Título

Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1963

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de

Título

A arquitectura militar, História da Arte em Portugal - O Maneirismo, vol.7

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

MOREIRA, Rafael

Título

Levantamento do património concelhio de Cascais. 1975 - Herança do património arquitectónico europeu, Arquivo de Cascais

Local

Cascais

Data

1990

Autor(es)

GODINHO, Helena Campos, MACEDO, Silvana Costa, PEREIRA, Tereza Marçal

Título

As fortificações marítimas da costa de Cascais

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

RAMALHO, Maria Margarida Marques, BARROS, Maria de Fátima Rombouts, BOIÇA, Joaquim Manuel Ferreira