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Residência da Quinta da Trindade - detalhe

Designação

Designação

Residência da Quinta da Trindade

Outras Designações / Pesquisas

Ecomuseu Municipal do Seixal / Residência da Quinta da Trindade(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Solar

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Setúbal / Seixal / Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires

Endereço / Local

Quinta da Trindade
Seixal

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 516/71, DG, I Série, n.º 274, de 22-11-1971 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 6-01-1970 do Subsecretário de estado da Administração Escolar
Parecer de 5-12-1969 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP
Requerimento de classificação de 25-03-1969 dos proprietários

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Pertença da Ordem da Santíssima Trindade desde 1481, a Quinta da Trindade acolhe, actualmente, o Serviço de Conservação e Inventário Geral, o Serviço de Arqueologia e as Reservas do Ecomuseu do Seixal, estando prevista a futura programação museológica dos espaços e património da Quinta. A sua arquitectura e decoração mantiveram-se inalteradas, uma vez que não foram necessárias grandes alterações às novas funcionalidades. Contudo, e desde o século XVI, época em que se pensa ter sido edificada a casa de habitação, têm vindo a verificar-se múltiplas modificações, responsáveis pelas novas soluções arquitectónicas e decorativas. Entre estas últimas, o vasto conjunto azulejar ganha especial relevância por incluir exemplares que se estendem desde alguns modelos mudéjares até aos painéis figurativos barrocos e rococós, constituindo uma espécie de mostruário do que foi a arte do azulejo em Portugal.
O edifício que hoje conhecemos é, com certeza, uma construção revivalista do início do século XX, que não apenas tirou partido da linguagem eclética, bem visível, por exemplo, no volume neo-medieval rematado por merlões, mas que utilizou, de forma bastante eficaz, alguns elementos retirados de outros imóveis e originários de épocas bem anteriores, como é o caso dos azulejos. As diversas fachadas que compõem a casa apresentam um número de registos diferenciados, mas sempre rasgados por vãos em arco abatido ou duplo, também de sabor revivalista.
No interior, um dos espaços que mais se destaca é o que apresenta um tecto de madeira pintado, recentemente estudado por Celso Mangucci e que, de acordo com este autor, foi executado nos meados do século XVIII, entre 1740 e 1760, por um pintor lisboeta. Objecto de uma intervenção de restauro levada a cabo em 1998 e 1999, as pinturas deste tecto são agora mais visíveis, permitindo a identificação das suas temáticas - episódios da mitologia greco-latina. Executados em tons de sépia sobre fundo dourado, estes nove painéis oitavados organizam-se em grupos iconográficos de três painéis que, ainda segundo o mesmo autor, representam episódios relacionados com a Guerra de Tróia, com situações relativas ao envolvimento dos deuses nos problemas humanos e, ao centro, cenas em que são exaltadas as virtudes da concórdia, da ordem e da harmonia.
Por seu turno, os azulejos encontram-se espalhados pelas várias divisões da habitação, incluindo os átrios e as escadarias. Os azulejos mudéjares e os de padrão seiscentista revestem os espaços menos significativos, salientando-se o que representa cenas de caçadas, em tons de azul e manganés, semelhante a um outro assinalado por Santos Simões no Museu Agrícola Tropical (SIMÕES, 1997, p. 197). Contudo, o conjunto de oito painéis de meados do século XVIII, já com elementos de gosto rococó, é o que mais se salienta neste contexto. Apenas metade dos silhares foi, ou permanece, aplicado (os restantes estão em reserva); na sua totalidade, representam cenas galantes e, de forma particular, as quatro idades da vida. De facto, Mangucci identificou as gravuras que estiveram na origem destas composições - a série gravada por Nicolas de Larmessin (1684-1753) que reproduz os óleos Les Quatre Âges de la Vie de Nicolas Lancret, muito possivelmente executadas por um discípulo de Nicolau de Freitas.
Nesta medida, a Quinta da Trindade constitui uma espécie de museu do azulejo, construído por um particular. Todavia, não devemos ignorar que esta foi uma atitude bastante comum no início do século XX, numa época em que os mais conceituados arquitectos promoviam a utilização do azulejo antigo nas suas edificações (caso de Raul Lino). Ainda que, à luz dos actuais critérios de conservação e restauro, esta seja uma ideia estranha, a realidade é que na Quinta da Trindade podemos encontrar não apenas uma boa exposição da evolução do azulejo no nosso país, mas também um testemunho de uma forma de repensar o azulejo.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Azulejaria em Portugal no século XVII

Local

Lisboa

Data

1971

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Carta histórica do concelho do Seixal

Local

Seixal

Data

1985

Autor(es)

-

Título

Metamorfoses, ordem, erudição: a iconografia das pinturas mitológicas no tecto da Quinta da Trindade

Local

Seixal

Data

2003

Autor(es)

MANGUCCI, Celso

Título

A Quinta da Trindade: história da Ordem da Santíssima Trindade no Seixal

Local

Seixal

Data

1999

Autor(es)

ALBERTO, Edite Martins

Título

O tecto de madeira policromada da Quinta da Trindade, Boletim Trimestral do Ecomuseu Municipal do Seixal, Jul/Ago/Set 2000, p. 9

Local

Seixal

Data

2000

Autor(es)

-

Título

As idades da vida - colecção de azulejaria da Quinta da Trindade, Boletim Trimestral do Ecomuseu Municipal do Seixal, n.º 29

Local

Seixal

Data

2003

Autor(es)

DUARTE, Ana Luisa