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Rua de São Geraldo e Antigo Convento das Freiras - detalhe

Designação

Designação

Rua de São Geraldo e Antigo Convento das Freiras

Outras Designações / Pesquisas

Rua de São Geraldo / Campo das Freiras (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Rua

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Braga / Braga / Braga (São José de São Lázaro e São João do Souto)

Endereço / Local

Rua de São Geraldo e do Antigo Convento das Freiras
-

Proteção

Situação Actual

Procedimento encerrado / arquivado - sem protecção legal

Categoria de Protecção

Não aplicável

Cronologia

Despacho de concordância de 20-10-2010 do director do IGESPAR, I.P.
Proposta de arquivamento de 13-05-2010 da DRC do Norte, por não apresentar homogeneidade e valor histórico/arquitectónico de âmbito nacional
Proposta de classificação de 9-12-1986 da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A Rua de São Geraldo, que remonta ao século XVI, foi inicialmente designada por Rua do Infante, em homenagem ao Arcebispo Cardeal Infante D. Henrique que determinou a sua abertura com o objectivo de ligar o então recém criado seminário de S. Tiago com a velha ponte dos Pelames (Cf. Processo de Classificação, IPPAR/DRP). A artéria tem início no Campo de Santiago (onde se encontra uma das portas da muralha) e desemboca em São Bentinho, capela contígua ao hospital de São Marcos.
Apesar da posterior alteração da sua designação para Rua de S. Geraldo, a verdade é que ainda hoje a artéria é conhecida por Rua dos Pelames, com certeza devido às fábricas de cortumes aí existentes.
Muito embora alguns dos edifícios se encontrem, actualmente, bastante descaracterizados (entre os quais se destacam os n.º 48-50. 52-56, 41 e 43-49 e, principalmente, ao nível do interior), a verdade é que a artéria conserva uma grande unidade e homogeneidade, bem evidente na frente urbana marcada por edifícios de dois pisos, surgindo, pontualmente, imóveis com mais um andar.
Cerca de metade das casas remontam aos séculos XVII e XVIII, coexistindo com outras já do século XIX. Muitas delas exibem letras pintadas no lintel das portas, indicando que pertenceram ao Cabido (OLIVEIRA, p. 43). Entre os muitos imóveis que aqui se encontram merecem especial referência os n.os 17-19 correspondentes a uma construção setecentista de dois pisos; os n.os 29-31 da mesma centúria mas com uma loggia do século XIX e interiores revestidos com tecido adamascado e tectos em estuque; os n.os 37-39 já da segunda metade do século XIX; os n.os 79 do século XVII; o n.º 36-40 da mesma centúria mas de maiores dimensões; os n.os 48-50 e 68-70, também seiscentistas e de cariz popular, a primeira com três pisos (Cf. Processo de Classificação, IPPAR/DRP). A casa com o n.º 51 foi objecto de classificação autónoma.
Quanto ao Campo das Freiras, há a registar a casa dos Avelares, uma construção setecentista mas com origem num outro imóvel de época medieval.
Foi, no entanto, o antigo convento das freiras, dedicado a Nossa Senhora da Conceição, que celebrizou esta área e ainda hoje a domina com a sua igreja e torre. Permanece como o único convento que conserva a totalidade da sua cerca, constituindo, apesar da descaracterização das dependências conventuais, um dos maiores monumentos de Braga (OLIVEIRA, p. 225).
Fundado em 1625, o convento da Conceição foi objecto de uma imensa campanha de obras no decorrer do século XVIII, devida à iniciativa do arcebispo Moura Teles, que contribuiu largamente para a obra da igreja, custeando o coro. Os trabalhos, que deveriam ter início em 1725, começaram apenas em 1728 e 1729, mas em 1731 já se fazia o forro do templo. Dirigiu a obra o mestre Manuel Fernandes da Silva.
A campanha decorativa parece ter decorrido em paralelo com os trabalhos de arquitectura, uma vez que, logo em 1729, foi encomendado o retábulo de Nossa Senhora do Vale ao entalhador bracarense João de Araújo. Já o retábulo-mor data de 1733, ano em que a igreja foi benzida, tendo sido executado pelo entalhador de Landim, Pedro Salvador.
Ligeiramente mais tardios são os azulejos que revestem as paredes da nave e capela-mor (nesta última muito alterados), de fabrico lisboeta de cerca de 1750. Exibem representações de temática mariana, ganhando especial interesse a que ilustra uma nau de carreira, da primeira metade do século XVIII (SIMÕES, 1979, p. 226).
As dependências conventuais encontram-se muito alteradas desde as obras que lhe permitiram acolher o colégio da Regeneração, no final do século XIX. Actualmente, acolhe o Instituto Monsenhor Airosa, cujo corpo principal foi erguido em 1894 segundo o traçado do Eng.º Joaquim Eduardo Meneses enquanto o central se deve ao risco de Augusto Stamm (Cf. Processo de Classificação, IPPAR/DRP).
(RC)

Imagens

Bibliografia

Título

Braga - percursos e memória de granito e oiro

Local

Porto

Data

1999

Autor(es)

OLIVEIRA, Eduardo Pires de