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Igreja Paroquial de Ifanes - detalhe

Designação

Designação

Igreja Paroquial de Ifanes

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de Ifanes / Igreja Paroquial de Ifanes / Igreja de São Miguel (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Bragança / Miranda do Douro / Ifanes e Paradela

Endereço / Local

- -
Ifanes

Proteção

Situação Actual

Procedimento encerrado / arquivado - sem protecção legal

Categoria de Protecção

Não aplicável

Cronologia

Anúncio n.º 13814/2012, DR, 2.ª série, n.º 250, de 27-12-2012 (ver Anúncio)
Despacho de arquivamento de 17-12-2012 da diretora-geral da DGPC, com fundamento na existência de deficiências de instrução consideradas insanáveis em tempo útil
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de abertura de 15-05-2003 do presidente do IPPAR

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A primeira referência documental à localidade data de 1211, ano em que D. Sancho I a doou ao mosteiro de Moreruela. Nove anos depois, esta instituição leonesa passou foral à vila. "O documento dá a entender que a igreja andaria em construção nesse ano, porque manda que os maninhos deixem as terças aos irmãos e outras terças propter opus ipsius eclesie, ou seja, por causa das obras da própria igreja que estariam então a decorrer" (minhaterra.com.pt, em 17/3/2005).
Os vestígios mais antigos conservados no monumento, apesar de escassos, integram-se perfeitamente no vocabulário artístico do século XIII, reforçando-se, desta forma, a hipótese de o actual templo ter tido a sua primeira forma pelos inícios de Duzentos e por iniciativa dos monges de Moreruela. Ainda que muito modificado na época moderna, o aspecto geral da sua frontaria deve corresponder ao período românico. O portal (de arco de volta perfeita e composto por largas aduelas, sem arquivoltas ou impostas) foi refeito no século XVI, mas o compacto campanário da fachada principal (de dupla sineira de arco pleno e terminação triangular encimada por cruz axial), é uma das mais características marcas da arquitectura religiosa medieval transmontana, sendo muitos os exemplos dos séculos XIII e XIV que poderíamos aqui citar. Do lado Norte, junto ao púlpito, existe um portal românico actualmente entaipado, que permitia o acesso lateral ao corpo do templo.
Estamos muito mal informados a respeito da história do monumento nos séculos finais da Idade Média. Do lado Sul da nave, existe um portal de arco quebrado que pode ser ligeiramente posterior à obra românica, mas a impossibilidade de confrontá-lo estilisticamente com outros elementos originais do templo impede qualquer conclusão cronológica. Por outro lado, as Inquirições de 1258 dão informações aparentemente contraditórias em relação à pertença da localidade, assegurando que foi terra de rei e que o tenente de Miranda aí teve assalariados, notícia que deve ser inserida no contexto de afirmação do poder régio no periférico leste transmontano, mas que não podemos confirmar integralmente. Ao certo, sabemos que em 1545 Ifanes deixou de pertencer a Moreruela e passou a integrar a estrutura diocesana mirandesa, criada nesse ano.
Deve ter sido por essa altura (ou um pouco depois) que se processaram grandes obras de remodelação. Para além da substituição do portal principal, acrescentou-se (ou reformou-se) o alpendre que se adossa ao portal lateral Sul, assente sobre colunas, e, principalmente, reconstruiu-se a cabeceira, com uma forma que se presume bastante diferente da original. Com efeito, o amplo arco triunfal dá lugar a um espaço tripartido e volumetricamente hierarquizado, com capela-mor mais alto e iluminada lateralmente por duas pequenas janelas a elevada altura. De ambos os lados, existem duas pequenas dependências, à maneira de absidíolos, com acesso a partir da capela-mor por arcos de volta perfeita, idênticos ao triunfal, e de planimetria quadrangular.
É nesta parcela do edifício que se testemunha o carácter erudito da campanha quinhentista (LIMA e AMARAL, 1999, DGEMN on-line), que recorreu a arcos de bom talhe, sobre pilastras, originalmente policromadas com temas vegetalistas, e a uma espacialidade diferenciada, que mal se adivinha da porta de entrada na fachada ocidental.
Na primeira metade do século XVIII deram-se novas alterações. O púlpito, localizado do lado Norte da nave, ostenta a data de 1707 e o lavabo da sacristia é de 1746. As obras de talha que se conservam no interior pertencem igualmente a este período (ou foram objecto de reformas durante o reinado de D. João V), sendo de destacar os retábulos laterais e o mor. Este apresenta ainda uma estrutura vincadamente maneirista, com painéis quadrangulares e regulares, mas foi objecto de uma reforma barroca, época a que pertencem os pares de colunas salomónicas do registo intermédio e, especialmente, o coroamento.
PAF

Bibliografia

Título

A talha nos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso nos séculos XVII e XVIII

Local

Miranda do Douro

Data

1984

Autor(es)

MOURINHO JÚNIOR, António Rodrigues

Título

Arquitectura Religiosa da Diocese de Miranda do Douro (1545-1800)

Local

Bragança

Data

1995

Autor(es)

MOURINHO JÚNIOR, António Rodrigues