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Património Cultural

Arraial Ferreira Neto - detalhe

Designação

Designação

Arraial Ferreira Neto

Outras Designações / Pesquisas

Arraial Ferreira Neto (Armação de Pesca) / Hotel Vila Galé Albacora (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Arraial

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Tavira / Tavira (Santa Maria e Santiago)

Endereço / Local

Praia das Cascas
Tavira

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O Arraial Ferreira Neto está implantado no lado nascente da foz do rio Gilão, perto de Tavira, numa zona denominada Quatro Águas (confluência do Rio Gilão, do Canal de Cabanas, do Canal de Tavira e da barra de acesso ao mar através da ilha de Tavira), perto do imóvel de interesse Público Fortaleza do Rato (conforme Decreto Nº8/83, de 24 de Janeiro) mas fora da sua área de protecção. A zona onde se localiza o Arraial Ferreira Neto é de características dunares. Como conjunto edificado o Arraial Ferreira Neto constitui um vestígio de grande importância das actividades económicas da Ria Formosa e da Região e um dos poucos testemunhos arquitectónicos das instalações de apoio à pesca do atum de toda a costa algarvia, constituindo um exemplo perfeito da organização social, urbanística e arquitectónica do Estado Novo. O Actual conjunto veio substituir as instalações anteriores, demolidas pelo mar no ano de 1943, existentes na praia do Medo das Cascas, na Ilha de Tavira, mesmo em frente ao local onde se localiza agora o Arraial Ferreira Neto. O Arraial foi projectado pelo Engº Sena Lino em 1943, tendo por base o conceito de uma unidade urbana autónoma onde pudessem viver cerca de 150 famílias, com a sua zona industrial, as suas oficinas e a sua zona habitacional e de lazer. O Arraial era o local onde se concentravam os pescadores e família, que durante a campanha aí viviam e cuidavam nas oficinas os materiais e apetrechos necessários à faina da pesca do atum. "O Arraial é pois o acampamento da tribo que vai arrancar aquela riqueza ao mar. Todas as famílias interessadas na aventura vivem juntas e acompanham os riscos, as alegrias e os desapontamentos." Assim descrevia Urbano Rodrigues, no "Diário de Notícias", a vida dos pescadores do atum na época. O Arraial- que é todo murado, apenas com duas portas externas de serviço- foi construído de forma a separar inteiramente a parte industrial da reservada às habitações, que é constituída por dois largos e cinco ruas. O arraial no seu conjunto é um autêntico bairro social piscatório, com o aspecto de "uma aldeia de linhas rústico-portuguesas" onde habitariam confortavelmente 400 a 500 pessoas, pois oferecia as comodidades e higiene com as instalações adequadas ao exercício da actividade industrial, assim como o conforto necessário ao descanso dos pescadores e das suas famílias. O Arraial possui edifício escolar, balneário, forno, capela, posto médico, sanitários públicos e clube, além de uma rede completa de esgotos e cinco cisternas com a capacidade de 150.000 litros de água cada uma. Possui ainda um cais de embarque apetrechado com um guindaste manual na foz do rio Gilão. Os projectos de arquitectura, desenvolvidos no auge do governo do Estado Novo, são um exemplo típico dos racionalistas conceitos formais da época, com o seu aprumo volumétrico e a sua métrica "moderna", o uso de "materiais portugueses" (pedra bujardada, telha de canudo, ladrilhos de barro, painéis de azulejo e portas de madeira pintada com aldraba ou postigo de reixa), e as técnicas mais actuais da altura - fundações directas em alvenaria ordinária, escadas em betão, paredes de tijolo cheio rebocado e estruturas da cobertura em asnas de madeira. Com o declínio das capturas de atum, que se iniciou no ano de 1961, a sua importância foi diminuindo até 1970 e 1971, data das últimas campanhas, só se tendo apanhado um exemplar em cada um destes anos. O Arraial deixa de cumprir a finalidade a que fora destinado e data de então a sua desafectação definitiva. Todo este conjunto tem um importante valor patrimonial, não só pela sua unidade e funcionalidade em termos de arquitectura, individualidade marcante na paisagem da Ria Formosa e sua pertença indubitável, mas também por representar talvez o único testemunho de um espaço construído objectivamente para uma actividade económica importantíssima para o país e para a Região, constituindo-se, por isso, em elemento da história e património regional.

Imagens