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Igreja Paroquial de Arrentela - detalhe

Designação

Designação

Igreja Paroquial de Arrentela

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de Nossa Senhora da Consolação, paroquial de Arrentela / Igreja Paroquial de Arrentela / Igreja de Nossa Senhora da Consolação(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Setúbal / Seixal / Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires

Endereço / Local

-- -
Arrentela

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Edital de 12-08-1974 da CM do Seixal
Edital de 19-03-1974 da CM do Seixal
Despacho de homologação de 4-02-1974 do Secretário de Estado da Instrução e Cultura
Parecer de 1-02-1974 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 15-12-1973 da DGEMN
Proposta de classificação de 30-11-1973 do Secretariado das Novas Igrejas do Patriarcado
Proposta de classificação de 21-11-1973 do pároco

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

São muito escassas as informações disponíveis sobre a primitiva igreja da Arrentela, sabendo-se apenas que já existia em 1522, pois esta data figura numa das lápides tumulares que ainda se conservam, junto à capela-mor. Contudo, o templo que hoje conhecemos é bastante posterior, pois, de acordo com a inscrição existente sobre o portal principal, "EM O PRº DE NOVEMBRO DE 1755 CAHIO ESTA IGREJA DE HUM TEREMTº E SE LEVANTOU NO ANNO DE 1757". Ainda que boa parte dos elementos se encontrem datados, e remontem, efectivamente, à segunda metade do século XVIII, outros há que têm vindo a levantar sérios problemas de datação. Referimo-nos ao vasto conjunto azulejar, que cobre a totalidade das paredes da nave, em painéis superiormente recortados, com cercaduras comuns de anjos, vasos e concheados, representando, ao centro, episódios da vida da Virgem. Na realidade, estes parecem ter sido pintados antes do Terramoto, e Santos Simões defende uma datação próxima de 1750, que não coincide com as campanhas de obras identificadas para este templo, pois, como já referimos, a eventual destruição em 1755 levou à reedificação dois anos depois (SIMÕES, 1979, p.). Poderemos inferir destas informações que os estragos do Terramoto não foram tão elevados e que o interior do templo se manteve praticamente inalterado? Aguardamos que outras informações e uma pesquisa no arquivo da Igreja, que tinha uma irmandade dedicada ao Santíssimo Sacramento, relativamente abastada, possa trazer novos dados sobre esta e outras questões.
Exteriormente, a igreja caracteriza-se por alguma austeridade, com alçado principal rematado por frontão triangular, ao centro do qual se abre um óculo quadrilobado, apresentando um portal de linhas rectas, com frontão contracurvado superiormente ladeado por janelas de frontão idêntico. Sobre a cimalha, erguem-se duas torres, de diferente configuração, uma das quais não chegou a ser concluída, faltando-lhe o remate. O contraste relativamente ao interior é bastante forte, pois este encerra uma decoração claramente barroca, que tira partido da talha, azulejo e pintura em estuque.
O coro alto ergue-se sobre a entrada, albergando o órgão, cuja execução é comumente atribuída a Joaquim Xavier Machado e Cerveira (1794). A capela baptismal, com azulejos representando o Baptismo de Cristo, encontra-se sob a torre sineira. Na nave, destacam-se os quatro altares laterais e outros dois colaterais, todos eles com retábulos de talha dourada. O tecto, em abóbada de madeira, exibe estuques polícromos, com motivos muito diversos. Os azulejos, a que já fizemos referência, representam episódios da Vida da Virgem, a quem era dedicada a igreja. Todos eles apresentam legendas que facilitam a identificação dos temas, tornando assim a mensagem directa e facilmente apreensível por parte dos fiéis. Para além das cenas bíblicas, encontramos aqui representadas muitos outros episódios que apenas foram mencionados nos denominados Evangelhos Apócrifos, e que, neste caso, incidem maioritariamente sobre a vida de Nossa Senhora antes da Anunciação.
A capela-mor é antecedida por um arco triunfal, sobre o qual se rasga um nicho com a representação do calvário. Mais baixo que a nave, este espaço concentra-se no retábulo, de talha dourada, de configuração joanina, ou seja, anterior à reconstrução da igreja. Pertencia, com certeza, ao templo primitivo que, pelas dimensões deste retábulo, deveria ser mais reduzido que o actual.
Dedicada a Nossa Senhora da Consolação, a igreja da Arrentela é também associada a Nossa Senhora da Soledade, pois, de acordo com a lenda, foi esta imagem que acompanhou os pescadores da região e lhes deu coragem durante o Terramoto de 1755. A sua imagem encontra-se num dos altares laterais, fronteiro a um outro dedicado a Nossa Senhora da Consolação.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Carta histórica do concelho do Seixal

Local

Seixal

Data

1985

Autor(es)

-