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Anta ou orca de Cortiçô - detalhe

Designação

Designação

Anta ou orca de Cortiçô

Outras Designações / Pesquisas

Casa da Orca de Cortiçô / Anta do Cortiçô / Orca do Cortiçô / Dólmen da Casa da Orca(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Anta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Guarda / Fornos de Algodres / Cortiçô e Vila Chã

Endereço / Local

-- -
Cortiçô

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 26-A/92, DR, I Série-B, n.º 126, de 1-06-1992 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Num momento em que se assistia ao reforço do exercício arqueológico e ao seu paulatino reconhecimento por parte das instituições estatais, nomeadamente no âmbito da Commissão dos Monumentos Nacionaes, tutelada pelo Ministerio das Obras Publicas, Commercio e Industria, foram algumas as figuras nacionais de maior renome nesta área patrimonial a percorrerem o Norte do território português, prospectando e, eventualmente, escavando, na esteira de tantos outros exemplos transfronteiriços, onde estas tarefas se encontravam amplamente divulgadas e exercitadas.
Reconhecendo a urgência da averiguação generalizada e sistemática das (então) denominadas riquezas artísticas e arqueológicas do país para melhor entender e sublinhar, não apenas as especificidades da História nacional, regional e/ou local, como a necessidade de criar, num futuro próximo, um museu que concebeu de modo central e centralizador (vide infra), José Leite de Vasconcellos (1858-1941), essa figura incontornável dos estudos arqueológicos, etnográficos e linguísticos do nosso país, deslocou-se, em 1896, à Beira Alta, onde, entre outros arqueossítios, explorou a actualmente conhecida por "Anta ou Orca de Cortiçô", onde recolheu espólio diversificado (fragmentos de sílex e de cerâmica comum, raspadores, pontas de seta e um machado de pedra polida ) que transferiu para o Muzeu Ethnographico Portuguez (actual Museu Nacional de Arqueologia) inaugurado três anos antes sob sua direcção.
Implantado num planalto sobranceiro à povoação de Cortiço, este exemplar funerário do Megalitismo desta região do actual termo português ostenta nove esteios da respectiva câmara de planta poligonal coberta pela correspondente laje - ou "chapéu" -, ao interior da qual se acedia por um corredor antecedido de átrio. Medindo, na totalidade, entre quase quatro metros de largura, três e vinte de altura e três de altura, para o caso da câmara sepulcral, e aproximadamente cinco de comprimento e dois de altura, quanto ao corredor, "[...] exteriormente, a estrutura seria sustentada por um contraforte, de que ainda se conservaram alguns vestígios." (CRUZ, J. D., 1993, p. 112), a principal notoriedade deste exemplar residirá, antes de mais, na existência de pinturas executadas a vermelho na superfície interior de três dos esteios da cabeceira, assim como a laje de cobertura exibe insculturas na superfície exterior. Facto último este que se revestirá da maior importância atendendo à raridade como surgem nos exemplares megalíticos desta zona do país, especialmente quando comparadas à pintura, assaz expressiva nos seus sepulcros.
Mais de cem anos volvidos sobre esta aquela primeira intervenção (vide supra), retomaram-se os trabalhos na estação arqueológica, recolhendo-se espólio então obviado, dele destacando-se, a par de pontas de seta, micrólitos, lâminas e lamelas, uma pedra de configuração antropomórfica, possivelmente de carácter idoliforme. Decidiu-se, então, restaurar o sítio, reconstituindo-se integralmente a câmara funerária e parcialmente o corredor, substituindo-se os esteios em falta por um murete de pedra vã (Ibid.). Procedeu-se, ainda, à sua vedação com troncos de madeira e à conveniente indicação do sítio ao longo do caminho de acesso, rasgado a partir da estrada municipal.
Edificado durante o Neolítico final e reutilizado já em pleno Calcolítico (c. do primeiro quartel do IV milénio a. C.) este monumento inserir-se-á morfologicamente num dos três tipos sepulcrais sob tumulus - ou mamoa - esquematizados para o megalitismo da Beira Alta tout court. Referimo-nos, em concreto, aos dólmens de câmara subtrapezoidal ou poligonal, de corredor mais ou menos indiferenciado (JORGE, S. O., 1990, p. 135).
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Título

Die Megalithgraber der Iberischen Halbinsel: der Westen, Madrider Forschungen

Local

Berlim

Data

1959

Autor(es)

LEISNER, Vera, LEISNER, Georg Klaus

Título

Tesouros Artísticos de Portugal

Local

Lisboa

Data

1976

Autor(es)

ALMEIDA, José António Ferreira de

Título

A consolidação do sistema agro-pastoril, Nova História de Portugal

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

JORGE, Susana de Oliveira

Título

A Orca das Corgas da Matança (Fornos de Algodres), Portugália

Local

Porto

Data

1989

Autor(es)

CRUZ, Domingos de Jesus da, CUNHA, Ana Maria Cameirão Leite da, GOMES, Luís Filipe Coutinho

Título

Aquisições do Museu Etnográfico Português, O Arqueólogo Português

Local

Lisboa

Data

1897

Autor(es)

VASCONCELLOS, José de Leite de

Título

Características predominantes do grupo dolménico da Beira Alta, Beira Alta

Local

Viseu

Data

1966

Autor(es)

MOITA, Irisalva Nóbrega

Título

O Megalitismo em Portugal:problemas e perspectivas, Actas das III Jornadas Arqueológicas

Local

Lisboa

Data

1977

Autor(es)

ARNAUD, José Eduardo Morais

Título

Monumentos megalíticos do concelho de Fornos de Algodres, Estudos pré-históricos

Local

Viseu

Data

1993

Autor(es)

CRUZ, Domingos de Jesus da

Título

Monumentos megalíticos entre Tejo e Douro, Megalitismo en la Peninsula Ibérica

Local

Madrid

Data

1987

Autor(es)

KALB, Philine

Título

Megalitismo, habitat e sociedades: A bacia do médio e alto Mondego no conjunto da Beira Alta, Actas do Seminário O megalitismo no Centro de Portugal: novos dados, problemática e relações com outras áreas peninsulares

Local

Viseu

Data

1994

Autor(es)

SENNA-MARTINEZ, João Carlos de