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Casa Malhoa, actualmente Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves - detalhe

Designação

Designação

Casa Malhoa, actualmente Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

Outras Designações / Pesquisas

Casa do pintor José Malhoa / Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Casa

Inventário Temático

Norte Júnior

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Lisboa / Avenidas Novas

Endereço / Local

Avenida 5 de Outubro
Lisboa

Número de Polícia: 6-8

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
Moradia unifamiliar isolada, de gaveto, vulgarmente designada por "Casa Malhoa", está situada na Rua 5 de Outubro, 6, esquina com a Rua Pinheiro Chagas (frente nascente), Bairro de Picoas.
Edifício harmonioso em escala e volumetria, circundado por jardins murados, a sua planta irregular resulta da interseção de três corpos, projetados com recuo ou avanço face a um bloco central onde se rasga um amplo janelão de sacada, de arco rebaixado e aduelas ressaltadas, flanqueado por meias pilastras e sobrepujado por frontão-cimalha.
A nascente, um corpo recuado, com janelas geminadas sobre escada alpendrada de acesso à casa. O corpo a poente, ligeiramente avançado, tem janelão de arco pleno assente em colunas com capitéis clássicos; a mísula que o sustenta é a aduela ressaltada da janela do piso inferior, de peito de verga curva. As restantes fenestrações do 1º piso são simples e retilíneas.
As soluções encontradas ao nível da planimetria e da altimetria, incluindo o recurso a paredes chanfradas, respondem a um dos requisitos do dono da obra: todas as dependências receberiam luz solar direta.
O corpo a sul tem cobertura de telha, como os demais, mas de uma só água, e um vitral figurativo Art Nouveau.
Os elementos decorativos externos unificam visualmente os corpos do imóvel e traduzem nas fachadas a sua estrutura interna: os registos são definidos por frisos de azulejos de José António Jorge Pinto, interpretações livres dos desenhos de Malhoa e António Ramalho, transpostos para pintura a fresco por João Eloy Amaral e que aqueles vieram substituir. No frontispício, dois painéis azulejares com efígies femininas ladeiam o janelão sobre o qual se inscreve, também em cerâmica, a máxima que deu nome à casa. Na parede de chanfro, painel azulejar alusivo à Pintura, sob baldaquino revivalista, define um vão cego de arco pleno. O trabalho escultórico das fachadas é de António Augusto Costa Mota, Sobrinho e todos os elementos em ferro forjado foram traçados por Norte Júnior e executados pelo serralheiro Vicente Joaquim Esteves, com eventuais conotações maçónicas (LÓPEZ: 2013).
História
Projeto de Manuel Joaquim Norte Júnior, de março de 1904, entregue ao construtor Frederico Augusto Ribeiro, o então designado "Lar-Oficina Pro-Arte", foi mandado construir pelo pintor José Malhoa, para sua casa e atelier. Na senda do ecletismo tardo-oitocentista, nesta casa cruzam-se valores decorativos da Arte Nova, trazidos de Paris, com o protótipo da casa portuguesa.O edifício sofreu algumas alterações ao longo do tempo, desde logo em novembro de 1904, com inclusão de um piso em cave, cuja existência é sugerida nas fachadas pela aplicação de pedra não aparelhada, idêntica à dos muros.
A "serena modernidade" da moradia muito agradou a José Malhoa, que logo almejou o Prémio Valmor, galardão que não obstante a temida oposição de Ventura Terra e Adães Bermudes (SALDANHA: 2010, p.59), ser-lhe-ia atribuído, conforme painel azulejar a poente.
Colocada à venda após a morte da mulher do pintor, entre 1919 e 1932 a casa conheceu dois novos proprietários, um dos quais o comerciante Dionísio Vasques, até ser adquirida pelo oftalmologista, Dr. Anastácio Gonçalves. Por testamento do também colecionador de arte, a "Casa Malhoa" e o seu recheio foram legados ao Estado para que aí fosse criado um museu.
Depois de incorporada nos bens do Estado, em 1969, foram realizadas obras de beneficiação na casa, que continuariam após a sua classificação como de Interesse Público, em 1982. Em 1987, perspetivando a ampliação da CMAG, teve início a remodelação da antiga Casa António Pinto da Fonseca Mota (1908), confinante com a "Casa Malhoa", na Rua Pinheiro Chagas. Em 1996, com projeto de Frederico e Pedro George, as moradias contíguas, ambas de Norte Júnior, passaram a estar ligadas.
Elsa Garrett Pinho
(Coord. Deolinda Folgado)
DGPC, 2015

Património Integrado/Móvel

Vitral da sala de jantar

Subcategoria

Vitral

Periodo

Contemporâneo

Subperiodo

Eclectismo

Notas

Vitral de grandes dimensões, que decora a sala de jantar. Apresenta uma representação de cena primaveril, de gosto Arte Nova, com uma figura feminina que colhe maçãs de uma árvore, localizada num jardim com hortênsias, lírios e aves. A composição foi feita por um dos mais renomados ateliêrs de vidro de Paris, dirigido pelo mestre vitralista Louis-Charles-Marie Champigneulle.

Imagens

Outras Descrições

Um jardim das Avenidas Novas

Tipo

Enquadramento Arquitectónico, Urbano e Paisagístico

Descrição

Jardim
A Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves (CMAG), situada na zona das Avenidas Novas, em Lisboa, integra um jardim visível no cruzamento da Rua 5 de Outubro com a Rua Pinheiro Chagas. O jardim com cerca de 279m2 insere-se numa das tipologias urbanas que marcaram a Lisboa burguesa de finais do século XX e inícios XX. Contorna lateralmente o edifício, distinguindo-se duas zonas com funções distintas, uma mais exposta que enquadra as fachadas relevantes e a de serviços, nas traseiras.
O jardim é encerrado por um gradeamento de ferro sobreposto a um murete de alvenaria revestido a calcário liso no coroamento e aparelhado com elementos poligonais escassilhados nos paramentos, replicando o embasamento da casa. O gradeamento é interrompido por dois portões, pela porta de serviço e respetivos suportes de cantaria. É possível aceder ao jardim e à casa pelo portão de ferro forjado em forma de borboleta, motivo Arte Nova, das oficinas de Vicente Joaquim Neves. É atravessado por caminhos calcetados, integrando canteiros irregulares delimitados por elementos ornamentais de cerâmica. Entre as arbustivas e as herbáceas encontra-se buxo, hibisco, palmeira-das-vassouras e agapantos.
História
Em 1904 o pintor José Vital Branco Malhoa solicitou à câmara municipal autorização para edificação da sua residência e atelier, a qual veio a ser aprovada no mesmo ano. Foi projetada pelo arquiteto Norte Júnior, vindo a ser Frederico Ribeiro encarregue da construção do "Lar-Oficina Pró-Arte". Em 1905, a Casa-Malhoa, assim designada pelo prestígio nacional adquirido por José Malhoa, recebeu o Prémio Valmor de Arquitetura. No ano seguinte, Ramalho Ortigão, na revista Os Serões, referiu que "(...) fechado por um gradeamento de ferro forjado, o pequeno jardim arrelvado, rescendente, florido de gerânios e de violetas, oferece a esta vivenda, d'artista arranjado, uma acessibilidade jovial e discreta, que fica bem ao espirito do dono e á civilização esthetica da cidade, trazendo à lembrança, ainda que sob a atenuação do meridiano local, as risonhas habitações de Claude Monet em França, de Leys na Belgica, de Querol ou de Sorolla em Madrid.". O "Levamento da Planta de Lisboa" de Silva Pinto, de 1904-1911, inclui uma representação do jardim semelhante ao atual.
Em 1919 a Casa-Malhoa foi vendida pelo pintor, após a morte da sua mulher. Sucederam como proprietários Dionísio Vasques em 1924 e Anastácio Gonçalves de 1932 a 65 (ano de sua morte). Pela documentação existente, sabe-se que foram requeridas obras por este último proprietário, para reparação e limpeza do edifício em 1932, 1939-40 e 1948.
Em 1964 Anastácio Gonçalves legou a sua casa por testamento ao Estado Português, com a finalidade de aí funcionar um museu, assegurando o destino da sua coleção. Em 1969 o Estado incorporou o edifício e o seu conteúdo, realizando-se obras de conservação e restauro nos anos seguintes. Destaca-se em 1979 as obras de intervenção nas fachadas e no jardim realizadas pela DGEMN. Desconhecem-se as alterações efetuadas neste último. A Casa-Museu abriu as portas ao público no dia 1 de junho de 1980, com o objetivo de divulgar a coleção do Dr. Anastácio Gonçalves. A primeira diretora foi Maria Margarida Marques Matias. A mudança de direção, em 1993, com a nomeação de Maria Antónia Matos, impulsionou obras de ampliação na Casa-Malhoa, fechada ao público dois anos depois para nova remodelação. Em 1996 com projeto de Frederico e Pedro George, arquitetos, iniciaram-se obras de ampliação das instalações da Casa-Museu com a anexação da moradia contígua situada na Rua Pinheiro Chagas, também de Norte Júnior, onde se realizam exposições temporárias e onde se situa a cafetaria, a loja e o local de acolhimento ao visitante, desde Dezembro de 1997.
Rita Basto (estágio curricular AP), Mário Fortes e Teresa Portela Marques (orientadores de estágio)
DGPC, 2015.

Imagens

Bibliografia

Título

A Arquitectura Modernista em Portugal (1890-1940)

Local

Lisboa

Data

1993

Autor(es)

FERNANDES, José Manuel

Título

A Arquitectura do Princípio do Século em Lisboa (1900-1925).

Local

Lisboa

Data

1991

Autor(es)

FERNANDES, José Manuel

Título

Os Anos Vinte em Portugal.

Local

Lisboa

Data

1992

Autor(es)

FRANÇA, José-Augusto

Título

Guia Urbanístico e Arquitectónico de Lisboa

Local

-

Data

1987

Autor(es)

AA VV

Título

Arquitectura Portuguesa do Século XX, in História da Arte Portuguesa (dir. Paulo Pereira), vol. 3

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

TOSTÕES, Ana Cristina

Título

100 Anos Prémio Valmor

Local

Lisboa

Data

2003

Autor(es)

PEDREIRINHO, José Manuel

Título

Lisboa, 1900, as Avenidas Novas e o Arquiteto Norte Júnior. Colóquio, 2ª série, 73, pp. 54-63

Local

Lisboa

Data

-

Autor(es)

SILVA, Raquel Henriques da

Título

Arquivo Municipal de Lisboa, Obra n.º 45778

Local

Lisboa

Data

-

Autor(es)

-

Título

Uma casa artística, A Architectura Portugueza, Ano II, nº 2, 1909, pp. 6-7

Local

Lisboa

Data

1909

Autor(es)

N.C.

Título

Casa Malhoa. Património arquitectónico e arqueológico classificado: distrito de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1993

Autor(es)

LOPES, Flávio

Título

'A Cidade e as Serras': o Azulejo Arte Nova Português no Panorama Artístico dos Primórdios do Século XX. Dissertação de Mestrado

Local

-

Data

-

Autor(es)

SIMÕES, Daniela

Título

O Prémio Valmor

Local

Lisboa

Data

2004

Autor(es)

AAVV

Título

Contributos para um Programa de Interpretação e Comunicação na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves. Trabalho de Projeto de Mestrado em Museologia

Local

Lisboa

Data

2012

Autor(es)

MORGADO, Raquel Martins de Sousa

Título

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves. Arquitectura e Museus em Portugal. Entre Reinterpretação e Obra Nova

Local

Porto

Data

2004

Autor(es)

GUIMARÃES, Carlos

Título

Roteiro da Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

MATOS, Maria Antónia Pinto de

Título

O Prémio Valmor, Annuario da Sociedade dos Architectos Portuguezes, Ano II, pp. 21-24

Local

Lisboa

Data

1906

Autor(es)

-

Título

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves. Dicionário da História de Lisboa (dir. Francisco Santana e Eduardo Sucena), pp. 235-236

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

MATOS, Maria Antónia Pinto de

Título

José Malhoa. Tradição e Modernidade

Local

Lisboa

Data

2010

Autor(es)

SALDANHA, Nuno

Título

Bairro das Picoas: História e Urbanismo. Dissertação de Mestrado em História da Arte Contemporânea

Local

Lisboa

Data

2012

Autor(es)

AMARO, Ana Clara Esteves

Título

Álvaro Augusto Machado, José António Jorge Pinto e o Movimento Arte Nova em Portugal. Dissertação de Mestrado em Arquitetura

Local

Lisboa

Data

2011

Autor(es)

FEVEREIRO, António Francisco Arruda de Melo Costa

Título

Casa do Sr. J. Malhoa. Supplemento ao Annuario da Sociedade dos Architectos Portuguezes, Anno III, 1907

Local

Lisboa

Data

1907

Autor(es)

-

Título

Finalmente começaram as obras na Casa Malhoa: sete anos depois cumpre-se a vontade do Dr. Anastácio Gonçalves que legou ao Estado importante património artístico.A Capital

Local

Lisboa

Data

1972

Autor(es)

MACEDO, Luís Pastor de

Título

Casa Malhoa. Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa (dir. Fernando de Almeida), Vol. 5, tomo 4, parte 1, p. 143

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

SOROMENHO, Miguel

Título

Casa do Pintor José Malhoa / Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves. SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitetónico

Local

Lisboa

Data

1992

Autor(es)

SILVA, João

Título

Como se trabalha em azulejos. Civilização, 4:44 (fevereiro de 1932) 32.

Local

Porto

Data

1932

Autor(es)

SANCHES, José Dias

Título

Casa de Artista, A Construção Moderna, Ano VI, nº 1, p.2

Local

Lisboa

Data

1905

Autor(es)

-

Título

A casa do artista José Malhoa. A Construção Moderna. Ano VI, nº 157 (10 fevereiro 1905), p. 2

Local

Lisboa

Data

1905

Autor(es)

CARVALHEIRA, Rosendo Garcia de Araújo

Título

A arquitectura do ferro e do betão. In Portugal Contemporâneo (dir. António Reis), vol. 3, pp. 281-296

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

FERNANDES, José Manuel

Título

Guia de Arquitectura Lisboa 94

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

TOUSSAINT, Michel et. all.

Título

A Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves: Estudo das estruturas arquitectónicas, decorativas e da implantação urbanística dos dois edifícios que albergam a Casa-Museu. Da génese à actualidade. Relatório de estágio.

Local

Lisboa

Data

2011

Autor(es)

SIMÕES, Daniela

Título

A Casa Unifamiliar Burguesa na Arquitectura Portuguesa: mudança e continuidade no espaço doméstico na primeira metade do século XX, 2 vols.. Dissertação de Doutoramento em Arquitetura

Local

Porto

Data

2004

Autor(es)

RAMOS, Rui Jorge Garcia

Título

História do Prémio Valmor

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

PEDREIRINHO, José Manuel

Título

Norte Júnior - O percurso e a obra de um arquitecto artista. Sociedade Amor da Pátria. 150º Aniversário. 1859-2009.

Local

Horta

Data

2009

Autor(es)

CALADO, Maria

Título

Norte Júnior: obra arquitectónica, Tese de Mestrado em História da Arte.

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

PAIXÃO, Maria da Conceição Ludovice

Título

Prémio Valmor : 1902-1952

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

BAIRRADA, Eduardo Martins

Título

Estética masónica y modernismo portugués. Lisboa y el arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior. Akros. Revista de Patrimonio, n.º 12, pp. 40-47

Local

Melilla

Data

2013

Autor(es)

MARTÍN LÓPEZ, David

Título

Cozinhas. Espaço e Arquitectura

Local

Lisboa

Data

2006

Autor(es)

PEREIRA, Ana Marques