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Conjunto da Igreja e cripta de São João de Deus - detalhe

Designação

Designação

Conjunto da Igreja e cripta de São João de Deus

Outras Designações

Igreja e cripta de São João de Deus

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Évora / Montemor-o-Novo / Nossa Senhora da Vila, Nossa Senhora do Bispo e Silveiras

Endereço / Local

Largo de São João de Deus
Montemor-o-Novo

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 37 801, DG, I Série, n.º 78, de 2-05-1950 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja e cripta de São João de Deus faziam parte integrante do extinto convento da Ordem dos Irmãos Hospitaleiros, construído para cabeça dessa ordem em Portugal, na então vila de Montemor-o-Novo, num local próximo da casa onde terá nascido o Santo.
O templo já estava concluído em 1643, data em que com chancela de Urbano VIII, de 23 de Outubro, foi concebido jubileu de indulgência plenária, a quem o visitasse com fins piedosos e assistenciais.
Arquitectonicamente a igreja é um exemplar notável da arte portuguesa do século XVII, conciliando uma enorme austeridade exterior e funcionalidade no entendimento do espaço, tão característico da arquitectura chã, utilizando a terminologia de Kubler, com a riqueza decorativa do interior, conseguida através da talha barroca e rococó, dos painéis de azulejo, do tipo padrão, polícromos e da pintura mural do tecto, numa ligação tão cara à arte portuguesa.
A fachada, de grande simplicidade apresenta portal de mármore cronografado de 1652, coroado por frontão interrompido e encimado por janelão, que com certeza se deve a campanha de obras do século XVIII. Duas torres rectangulares, cujos remates piramidais são revestidos por azulejos azuis e brancos, ladeiam a fachada.
A igreja apresenta uma só nave e seis capelas laterais, três de cada lado, pouco profundas; grande arco triunfal abre para cruzeiro de acesso á capela - mor. A cobertura da nave é feita por abóbada de berço e o cruzeiro apresenta uma cúpula com lanternim, para reforçar a iluminação da zona do altar-mor.
A decoração deste espaço, tal como hoje o conhecemos, não data todo do mesmo período. De campanha de obras ainda do século XVII, registe-se a pintura do tecto, integrando-se no denominado brutesco nacional (V. Serrão, 1990/1992), datada de 1679, de pintor anónimo, mas de grande beleza, que alia a figura central do santo padroeiro a todo um conjunto decorativo com vasos, cartelas, mascarões, putti e ferroneries. Também deste período datam painéis de azulejos do tipo padrão policromos que nos altares laterais se aliam aos retábulos de talha. Os retábulos de talha dos altares laterais datam praticamente todos desta mesma época; a excepção vai para o actual altar de S. Crispim, já de talha do estilo nacional.
O conjunto retabular do altar-mor, que inclui o revestimento de talha do arco do cruzeiro é posterior e substituiu um anterior, que estaria arruinado. Resultando de uma encomenda contratualizada com o entalhador eborense Sebastião Abreu do Ó, pela Confraria de Nossa Senhora do Carmo, daquela igreja, em 1764, assumirá uma feição já rococó, apresentando ainda um grande camarim aberto, reaproveitado do retábulo anterior (Ana Maria Borges, 2002), conjugado com um discurso muito decorativo, utilizando plumas, formas chamejantes, festões, flores. Todo este conjunto utilizará o dourado, mas também a policromia, onde se destaca o azul e o rosa.
A sacristia, arrumada por trás do altar-mor, que lhe dá acesso directo, apresenta uma localização funcional, muito comum nos templos deste período. Destaque-se o corpo retabular da sacristia, colocado sobre o paramenteiro, ao correr de toda a parede, onde se guardam algumas relíquias se santo, que pela sua feição deve ter sido feito na sequência da campanha de entalhamento do altar-mor.
A cripta de S. João de Deus, local onde a tradição afirma ter nascido este santo, faria parte da sua casa, situada na Rua Verde, encontra-se incorporada nos anexos da igreja e situa-se por baixo da sacristia. A cripta mantém elementos arquitectónicos daquele período, nomeadamente portal em granito, de arco quebrado assente em capitéis fitomórficos, que daria acesso directo à rua.
A igreja, actual matriz de Montemor-o-Novo, e os seus anexos, encontram-se separados do edifício conventual, hoje Biblioteca Municipal e Galeria de Exposições, após as devidas adaptações funcionais.
Ana Maria Borges / DRCA / 31 de Outubro de 2007

Bibliografia

Título

"Breve História das Ruínas do Antigo Burgo e Concelho de Montemor-o-Novo"

Local

Évora

Data

1977

Autor(es)

ANDRADE, António Banha de

Título

"«Convento de São João de Deus», A Cidade de Évora nº 48/50"

Local

-

Data

1967

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

"Inventário Artístico de Portugal - vol. VIII (Distrito de Évora, Zona Norte, volume I)"

Local

Lisboa

Data

1975

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

"A pintura de brutesco do século XVII em Portugal e as suas repercussões no Brasil, 2º Congresso do Barroco no Brasil"

Local

-

Data

1989

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

"O Retábulo do Altar-Mor da igreja do Convento de S. João de Deus de Montemor-o-Novo, in El Retablo Tipologia, IconografiaY Restauracíon"

Local

Ourense

Data

2002

Autor(es)

BORGES, Ana Maria