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Igreja do Senhor Jesus da Piedade - detalhe

Designação

Designação

Igreja do Senhor Jesus da Piedade

Outras Designações / Pesquisas

Santuário do Senhor Jesus da Piedade / Santuário do Senhor Jesus da Piedade / Igreja do Senhor Jesus da Piedade(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Portalegre / Elvas / Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso

Endereço / Local

Avenida da Piedade
Elvas

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público

Cronologia

(A nova designação só entrará em vigor após a publicação da portaria de alargamento da classificação no DR)
Anúncio n.º 174/2018, DR, 2.ª série, n.º 197, de 12-10-2018 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 16-05-2018 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 21-03-2018 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 24-11-2017 da DRC do Alentejo para o alragamento e redenominação da classificação
Anúncio n.º 145/2017, DR, 2.ª série, n.º 159, de 18-08-2017 (ver Anúncio)
Despacho de 19-04-2017 da diretora-geral da DGPC a determinar a abertura do procedimento de alargamento e redenominação da classificação
Proposta de 19-07-2016 da DRC do Alentejo para alargamento da classificação ao santuário (abrangendo a igreja, a escadaria, o Jardim da Fonte da Fé e o recinto delimitado pelo antigo muro do santuário), não incluindo o coreto, o lago e edificações anexas, podendo estes ser classificados pela autarquia, e redenominação para Santuário do Senhor Jesus da Piedade
Portaria n.º 615/2014, DR, 2.ª série, n.º 142, de 25-07-2014 (ver Portaria)
Despacho de 28-05-2014 do diretor-geral da DGPC, sob proposta dos serviços, para alteração da designação para Igreja do Senhor Jesus da Piedade, para corresponder ao que vai ser classificado, sendo posteriormente ponderado o eventual alargamento ao santuário
Despacho de homologação de 4-07-1991 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer favorável de 14-03-1991 do Conselho Consultivo do IPPC
Proposta de 19-10-1990 da DR de Évora para a classificação como IIP
Proposta de 17-08-1989 do IPPC para a classificação do Santuário do Senhor Jesus da Piedade

ZEP

Despacho de 28-05-2014 do diretor-geral da DGPC, sob proposta dos serviços, para reanálise da ZEP
Anúncio n.º 67/2013, DR, 2.ª série, n.º 33, de 15-02-2013 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 3-03-2009 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 4-08-2008 da DRC do Alentejo

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

No contexto da arquitectura portuguesa de Setecentos, marcada por um forte eclectismo resultante de diferentes confluências de inspiração nacional e internacional, a igreja do Senhor Jesus da Piedade, em Elvas, constitui um dos mais significativos exemplos das experiências barrocas do reinado de D. João V. Todavia, ao contrário do que acontece noutros templos alentejanos, também eles inscritos no ciclo de influência de Mafra (SERRÃO, 2003, p. 188), o modelo do Senhor Jesus da Piedade parece não derivar do grande monumento joanino, mas sim da convergência entre a tradição nacional e o barroco da Europa Central, como veremos mais à frente (GOMES, 1988, p. 31).
Edificada em 1753, a igreja veio substituir uma pequena capela, que havia sido construída poucos anos antes, em 1737. É possível que a exiguidade do primeiro espaço tivesse levado à sua ampliação, pois a romaria a este templo (de 20 a 23 de Setembro) era considerada uma das mais concorridas da região (KEIL, 1943, p. 69). O adro que lhe fica fronteiro, com a sua escadaria, corrobora esta ideia, uma vez que estes terreiros, de alguma amplitude, tinham como principal função receber os crentes, substituindo assim os longos escadórios dos santuários do Norte do país (BORGES, 1999). Nos muros, o revestimento azulejar polícromo data já da segunda metade do final do século XVIII.
A igreja desenvolve-se em planta longitudinal, de nave única. A fachada é marcada por torres, coroadas por cúpulas bolbosas, implantadas obliquamente em relação ao alçado, formando um losango, o que constitui uma solução quase única no nosso país (ver igreja da Senhora da Graça da Atouguia da Baleia), embora comum na Europa Germânica e no Brasil (GOMES, 1988, p. 31; ATAÍDE, 1992). Estas, formando com o corpo central uma espécie de contracurva ou harmónio, têm o poder de conferir à fachada uma forte unidade. Contudo, as duas correntes a que nos referimos inicialmente encontram-se aqui bem presentes. Seguindo, novamente, a leitura de Paulo Varela Gomes (IDEM, p. 32), percebemos como as cúpulas e o frontão são elementos barrocos, enquanto a linearidade dos restantes elementos (portal com frontão curvo, janelão recto...), com as pilastras a evidenciar a depuração do alçado, estão mais próximos da arquitectura de tradição nacional. Por sua vez, a influência da Europa Central faz-se sentir na ambiguidade ou não funcionalidade específica de determinados elementos, como é o caso do frontão.
No interior, a nave é revestida por mármores de diferentes tonalidades. Tem dois altares laterais, de mármores polícromos, com telas pintadas por Cyrillo Wolkmar Machado, representando Nossa Senhora da Graça e o Arrependimento de S. Pedro (KEIL, 1943, p. 69). Dois púlpitos também de mármore, exibem motivos dourados, e o coro assenta em arco abatido. A ligação entre o corpo da nave a capela-mor é feita através de um corpo com os cantos cortados, que forma um octógono, numa solução também original. Na capela-mor, o retábulo foi executado no mesmo material que os restantes altares, encontrando-se, no pavimento, uma lápide sepulcral onde se refere que Roperto Manoel Marques e Vas.os, cavaleiro de sua majestade e padroeiro da igreja, mandou fazer da capela-mor jazigo para si e seus descendentes, no ano de 1779.
Desconhecemos o autor de tão interessante risco, embora recentemente, Vítor Serrão tenha apontado, com bastantes reservas, o nome de José Francisco de Abreu, arquitecto alentejano ainda pouco conhecido mas com obra comprovada em Elvas e Vila Viçosa (SERRÃO, 2003, p. 188).
Uma última referência para a sacristia, com tecto pintado, portas com almofadas entalhadas e douradas, e revestimento azulejar polícromo.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

O Barroco

Local

Lisboa

Data

2003

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

Inventário Artístico de Portugal - vol. I (Distrito de Portalegre)

Local

Lisboa

Data

1943

Autor(es)

KEIL, Luís

Título

A cultura arquitectónica e artística em Portugal no séc. XVIII

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

GOMES, Paulo Varela

Título

O período rococó - arquitectura, História da Arte em Portugal, vol. 9, pp. 93-121

Local

Lisboa

Data

1993

Autor(es)

BORGES, Nelson Correia