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Mosteiro de São Cristóvão de Lafões - detalhe

Designação

Designação

Mosteiro de São Cristóvão de Lafões

Outras Designações

Real Mosteiro de São Cristóvão de Lafões

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Convento

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / São Pedro do Sul / Valadares

Endereço / Local

-- --
Valadares

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público

Cronologia

Declaração de retificação n.º 1061/2015, DR, 2.ª série, n.º 237, de 3-12-2015 (retificou a localidade e a freguesia) (ver Declaração
Portaria n.º 837/2015, DR, 2.ª série, n.º 223, de 13-11-2015 (alterou a designação para Mosteiro de São Cristóvão de Lafões) (ver Portaria)
Despacho de concordância de 23-10-2015 do Secretário de Estado da Cultura
Despacho de concordância de 12-10-2015 do diretor-geral da DGPC
Informação favorável de 29-05-2015 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC
Informação favorável de 29-09-2015 da DRC do Centro
Proposta de 3-09-2015 dos proprietários para a alteração da designação da classificação, de "Convento de São Cristóvão de Lafões" para "Mosteiro de São Cristóvão de Lafões", para corresponder à designação adotada para os cistercienses
Portaria n.º 399/2010, DR, 2.ª série, n.º 113, de 14-06-2010 (classificou o Convento de São Cristóvão de Lafões) (ver Portaria)
Edital de 31-01-2003 da CM de São Pedro do Sul
Despacho de homologação de 23-10-2002 do Ministro da Cultura
Parecer de 22-09-2002 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP do Mosteiro de Lafões
Proposta de 26-07-1999 da DR de Coimbra para a classificação como IIP
Edital de 12-05-1998 da CM de São Pedro do Sul
Despacho de abertura de 17-06-1996 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de 3-06-1996 da DR de Coimbra para a abertura do processo de instrução da classificação
Proposta de 24-05-1996, de particular, para a classificação do Convento de Lafões

ZEP

Declaração de retificação n.º 1061/2015, DR, 2.ª série, n.º 237, de 3-12-2015 (retificou a localidade e a freguesia) (ver Declaração
Portaria n.º 837/2015, DR, 2.ª série, n.º 223, de 13-11-2015 (alterou a designação para Mosteiro de São Cristóvão de Lafões) (ver Portaria)
Portaria n.º 399/2010, DR, 2.ª série, n.º 113, de 14-06-2010 (sem restrições) (fixou a ZEP do Convento de São Cristóvão de Lafões) (ver Portaria)
Edital de 4-08-2008 da CM de São Pedro do Sul
Despacho de concordância de 28-01-2008 da Ministra da Cultura
Edital de 31-07-2007 da CM de São Pedro do Sul
Despacho de concordância de 3-04-2007 do presidente do IPPAR
Parecer de 19-03-2007 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P. a propor a alteração, seguindo, na maior parte do perímetro, a linha de água que envolve o mosteiro
Nova proposta de 27-08-2003 da DR de Coimbra
Despacho de homologação de 23-10-2002 do Ministro da Cultura
Parecer de 22-09-2002 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a revisão dos limites, tendo em consideração as linhas de água
Proposta de 26-07-1999 da DR de Coimbra

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Isolado, no cimo da serra da Arada e nas proximidades do rio Barosa, o Convento de São Cristóvão de Lafões homenageia São Bento e o local do seu primeiro retiro em Itália (Bubiaco ou Sublaco) (COCHERIL, 1978, pp. 125-132), mas também o santo padroeiro deste complexo conventual, uma vez que São Cristóvão é o protector dos "caminhantes nos lugares solitários" (VARELA GOMES, 1998, p. 362). Parece certo que lhe antecedeu uma ermida, com a mesma invocação, que ainda hoje se conserva com a data de 1672. A fundação conventual tem suscitado muitas dúvidas e interpretações, mas, hoje, e à luz da documentação, parece relativamente consensual considerar-se D. João Peculiar, Bispo do Porto, como fundador deste convento que, de início, abraçou a regra de Santo Agostinho (ALVES, 1995, pp. 11-12). O célebre Frei João Cerita foi, assim, prior e abade ao tempo de D. Afonso Henriques, período em que terá ocorrido a mudança da Regra para a de São Bento. Por fim, a adesão a Cister (com filiação directa em Claraval) foi última alteração da regra a observar no convento, que ocorreu em data próxima do ano de 1161.
Durante o período medieval, São Cristóvão de Lafões foi uma instituição muito rica, com rendimentos consideráveis (ALVES, 1995, pp. 13-17). Contudo, e à semelhança de boa parte dos mosteiros cistercienses, chegou ao século XVI num estado de considerável ruína, devido à gestão danosa dos abades comendatários. Disso mesmo nos deu conta o secretário do abade de Claraval (Dom Edme de Saulieu) que, em 21 de Dezembro de 1532 visitou o convento de São Cristóvão, então totalmente em ruínas e, onde apenas viviam 4 religiosos (ALVES, 1995, p. 18). Sobre o primitivo templo medieval, apenas sabemos que tinha três altares, cruzeiro com torre sineira ou campanário, constituindo, muito possivelmente um modelo semelhante ao da primeira igreja do Lorvão, "com cabeceira de três absides e nave aproximadamente quadrada" (VARELA GOMES, 1998, p. 363; e GOMES, 1998, p. 391 e ss; BORGES, 1992).
Foi necessário esperar pela criação da Congregação Autónoma Portuguesa, em 1567 (e reconhecida por D. Sebestião em 1560) para se criar, em Portugal, um movimento centralizador, capaz de restaurar e ou reconstruir as casas cistercienses do nosso país, actualizando ainda a sua linguagem estética, de acordo com as nomas tridentinas e o gosto barroco que se fez sentir entre o final do século XVI e o século XVIII (MOURA, 1998, p. 329). São Cristóvão de Lafões integrou-se nesta dinâmica renovadora, e a sua reconstrução iniciou-se na segunda metade do século XVII, embora nunca tenha chegado a ser concluída, uma vez que, em 1834, a extinção das Ordens Religiosas interrompeu o processo.
O convento, que dispunha das habituais dependências, organizava-se em torno do claustro, de dois pisos, formado por cinco arcos de volta perfeita e definidos por pilastras de ordem toscana. A zona Este encontra-se incompleta e a igreja situa-se no ângulo Sudeste do claustro. Reconstruído pela terceira vez em 1704, após um incêndio, o templo apresenta nave de planta quadrada mas com os cantos cortados, a que se acede através de uma profunda galilé, oposta à capela-mor, igualmente longa. De acordo com os estudos recentes de Paulo Varela Gomes, esta configuração forma um triplo quadrado, cuja concepção pode ser anterior ao início do século XVIII, e que remete para uma série de exemplos de planta centralizada existentes no Centro e Norte litoral (VARELA GOMES, 1998, p. 364). O zimbório que remata a nave é mais tardio, tal como o óculo de moldura rococó, que se abre sobre o coro. Por sua vez, as molduras em granito do exterior e do interior, de fomas compactas, ou de "um austero estilo de placas" recorda o trabalho executado á época no Norte do país e na Galiza (VARELA GOMES, 1998, p. 364).
Actualmente, e depois de décadas de abandono, o convento foi recuperado encontrando-se na posse de particulares.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

"Arquitectura, Religião e Política em Portugal no século XVII - A Planta Centralizada"

Local

Porto

Data

2001

Autor(es)

GOMES, Paulo Varela

Título

"Património Histórico-Cultural da Região de Lafões, Millenium - Revista do ISPV - n.º 22 - Abril de 2001"

Local

Viseu

Data

2001

Autor(es)

OLIVEIRA, A. Nazaré

Título

"Visitações a Mosteiros Cistercienses em Portugal. Séculos XV e XVI"

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

GOMES, Saul António

Título

"Cister, a arquitectura e a cultura artística na época moderna, Arte de Cister em Portugal e Galiza (catálogo da exposição), pp. 230-279"

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes

Título

"Da figuração à abstracção. O percurso artístico dos mosteiros cistercienses em Portugal entre os séculos XVI e XVIII, Arte de Cister em Portugal e Galiza (catálogo da exposição), pp.328- 375."

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

MOURA, Carlos Alberto Louzeiro

Título

"O Real Mosteiro de São Cristóvão de Lafões"

Local

Viseu

Data

1995

Autor(es)

ALVES, Alexandre

Título

"Arte Monástica em Lorvão, Sombras e Realidade, Dissertação de Doutoramento"

Local

Coimbra

Data

1992

Autor(es)

BORGES, Nelson Correia

Título

"Routier des abbayes cisterciennes du Portugal"

Local

Paris

Data

1986

Autor(es)

COCHERIL, Maur