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Orca de Pramelas - detalhe

Designação

Designação

Orca de Pramelas

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Anta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Nelas / Canas de Senhorim

Endereço / Local

-- -
Pramelas

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Estudado desde finais do século XIX, graças à iniciativa de José Leite de Vasconcellos (1858-1941), que registou algumas das suas tipologias, por certo entusiasmado com o resultado obtido pelo conhecido investigador vimarenense Francisco Martins de G. M. Sarmento (1833-1899) durante a célebre Expedição Scientifica à Serra da Estrella, patrocinada pela "Sociedade de Geografia de Lisboa" no início dos anos oitenta, foi já em plena centúria de novecentos, quando a Europa se confrontava com o maior conflito bélico da sua História, que se iniciou o estudo sistemático do Megalitismo da Beira, dessa feita da responsabilidade de dois arqueólogos alemães, sob a égide do Instituto Arqueológico Alemão, até que os anos oitenta trouxeram a escavação de povoados eventualmente relacionados com sepulcros megalíticos já conhecidos.
Com efeito, as investigações conduzidas na região nas duas últimas décadas, mercê do empenho do "P.E.A.B.M.A.M. ("Programa de Estudo Arqueológico da Bacia do Médio e Alto Mondego"), sob direcção do Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, João Carlos de Senna-Martínez, permitiram determinar o denominado "horizonte Carapito/Pramelas" com base na correlação estabelecida entre, precisamente, necrópoles megalíticas e povoados.
Um "horizonte" enquadrado numa baliza cronológica mediada entre o período de transição do V/IV milénio e o IV milénio a. C., correspondendo grosso modo a um dos prováveis momentos iniciais do fenómeno megalítico desta região do actual território português, como testemunho de uma primeira penetração de um Neolítico de tradição antiga, de origem estremenha, duas realidades interligadas pelo intercâmbio de matérias primas essenciais à execução de certos artefactos, como nos casos do sílex e da rocha anfibolítica (Cf. SENNA-MARTÍNEZ, J. C. de, 1994).
É neste mesmo horizonte que se integra a "Orca de Pramelas", situada nas proximidades da localidade que lhe deu nome.
Estudada a partir da sua identificação, já em meados da década oitenta do século passado, as escavações realizadas no sítio desde então, sob orientação de J. C. de Senna-Martinez e António Carlos Neves de Valera, revelaram um sepulcro megalítico formado por câmara funerária de planta trapezoidal, composto de nove esteios, três dos quais perfazendo a respectiva cabeceira, ao interior da qual se acedia através de um corredor muito curto constituído por sete esteios, distribuídos lateralmente de modo uniforme.
De um ponto morfológico, o exemplar em epígrafe enquadrar-se-á num dos diversos tipos de sepulcros sob tumuluspropostos para o megalitismo da Beira Alta (JORGE, S. O., 1994, pp. 134-135) e, mais propriamente, no segundo grande agrupamento apresentado neste esquema, onde se incluem os "[...] dólmens de câmara, em regra, poligonal, e corredor bem diferenciado (curto ou longo) [...]." (Id., Idem, p. 135), edificados grosso modo entre os finais do IV-inícios do III milénio a. C., coincidindo, por conseguinte, com o entendimento genérico de Neolítico final desta região do actual território português, ainda que alguns exemplares tenham sido reutilizados até ao II milénio.
Os materiais exumados confirmaram a sua inserção no universo "Carapito/Pramelas", pois, a par da ausência de testemunhos cerâmicos, recolheram-se, entre outros artefactos, micrólitos de sílex, sobre lâmina (neste caso geométricos), para além de machados de anfibolito de secção oval, colar de contas discoidais executadas em xisto, tal como um braçal de arqueiro e um dormente.
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Título

A consolidação do sistema agro-pastoril, Nova História de Portugal

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

JORGE, Susana de Oliveira

Título

O Megalitismo em Portugal:problemas e perspectivas, Actas das III Jornadas Arqueológicas

Local

Lisboa

Data

1977

Autor(es)

ARNAUD, José Eduardo Morais

Título

Megalitismo, habitat e sociedades: A bacia do médio e alto Mondego no conjunto da Beira Alta, Actas do Seminário O megalitismo no Centro de Portugal: novos dados, problemática e relações com outras áreas peninsulares

Local

Viseu

Data

1994

Autor(es)

SENNA-MARTINEZ, João Carlos de

Título

Orca de Pramelas, Informação Arqueológica

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

SENNA-MARTINEZ, João Carlos de, VALERA, António Carlos Neves de

Título

A Orca de Pramelas, Canas de Senhorim, Actas do 1º Colóquio Arqueológico de Viseu

Local

Viseu

Data

1989

Autor(es)

SENNA-MARTINEZ, João Carlos de, VALERA, António Carlos Neves de

Título

Contributo para o inventário arqueológico do concelho de Nelas. Freguesia de Canas de Senhorim, Beira Alta

Local

Viseu

Data

1998

Autor(es)

PINTO, Evaristo João de Jesus