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Património Cultural

Capela românico-gótica de Sobral de Monte Agraço - detalhe

Designação

Designação

Capela românico-gótica de Sobral de Monte Agraço

Outras Designações / Pesquisas

Capela junto do Cemitério do Salvador / Capela do Salvador do Mundo / Capela românico-gótica de Sobral de Monte Agraço / Capela do Salvador (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Capela

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Sobral de Monte Agraço / Sobral de Monte Agraço

Endereço / Local

EN 115
São Salvador

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 40 361, DG, I Série, n.º 228, de 20-10-1955 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 30-06-1954 do Ministro da Educação Nacional
Parecer favorável de 19-06-1954 da Junta Nacional de Educação
Proposta de 28-05-1954 da Direcção dos Serviços dos Monumentos Nacionais para a classificação como IIP

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A pequena capela do Salvador é um dos mais interessantes templos medievais da região de Lisboa. Abandonado durante anos e transformado em lagar em altura incerta da época moderna, só muito recentemente foi alvo de investigações arqueológicas, que lograram desvendar a origem do monumento e a sua real importância no contexto regional e cronológico que coincide com o aro de Lisboa nos séculos seguintes à conquista da cidade por D. Afonso Henriques.
A primeira referência documental conhecida consta do Catálogo das igrejas existentes em Portugal, de 1320, onde se menciona a existência da igreja do Salvador do Mundo de Monte Agraço (ALMEIDA, 1971, vol. IV, p.130). Mais de um século depois, a Visitação do bispo de Lisboa D. Vasco menciona o templo (JORGE, 1979, p.5) e, ao longo de Quatrocentos e de Quinhentos, sucedem-se as referências à igreja, esclarecendo-se que tinha funções de paroquial e que pertencia ao cabido de Évora. Acerca da sua importância nesse período não restam quaisquer dúvidas, pois ainda no século XVIII, segundo o Diccionario Geographico de Portugal, o templo era sede da única freguesia de Monte Agraço.
A relevância local do monumento contrasta com a inexistência de obras assinaláveis ao longo da sua história, facto que é tanto mais estranho quanto se sabe que, pelos inícios do século XVI, as vizinhas matriz de Arruda dos Vinhos e igreja de São Quintino foram objecto de importantes reformas manuelinas. No século XVIII, tinha apenas três altares e não consta que, alguma vez, tenha sido objecto de ampliações ou, sequer, de campanhas de revestimento azulejar.
Arquitectonicamente, é um edifício que revela a ambivalência do período de transição do Românico para o Gótico, circunstância que está na origem da designação com que foi legalmente classificado. Com efeito, no conjunto coincidem valores artísticos ora românicos, ora góticos, que lhe conferem um interessante ar de simbiose estilística. A estrutura parece ter ficado a dever mais ao Românico, sobressaindo os alçados escassamente fenestrados, o aspecto compacto e robusto das paredes e a singeleza do projecto arquitectónico, definido a partir de uma nave única relativamente curta, de três ou quatro tramos (IDEM, p.12).
No entanto, outros aspectos devem entrar em linha de conta para uma mais rigorosa avaliação estilística, como o portal já gótico (em arco quebrado) ou os arcos torais que seccionam a nave (de arestas chanfradas). Por outro lado, muitos dos silhares que compõem as paredes são siglados (característica vincadamente avançada) e, num deles, reconhece-se o nome do possível arquitecto, Diogo Martins (IDEM, pp.11-12). Finalmente, há que considerar o vocabulário iconográfico dos seus capitéis, cuja qualidade formal parece contrariar a rudeza da própria edificação. No portal inscrevem-se realizações plenamente vegetalistas, à base de folhas de acanto estilizadas e ainda relativamente presas ao suporte pétreo, e, no interior, existe a representação de um bispo, com o seu báculo, que foi já interpretada como uma imagem de São Brás (IDEM, p.15).
O edifício voltou a ser investigado arqueologicamente em 1987, altura em que se aproveitou para alargar a área de escavação a Nordeste. Dos trabalhos então realizados salienta-se a identificação de compartimentos posteriores, possivelmente associados ao templo durante a época moderna. Nos anos seguintes, continuaram os trabalhos pontuais, mas todo o bairro que se presume ter existido em redor desta antiga igreja paroquial ficou por escavar, tal como ainda hoje se encontra.
PAF

Bibliografia

Título

Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1963

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de

Título

Concelho de Sobral de Monte Agraço. Inventário artístico

Local

Sobral de Monte Agraço

Data

1987

Autor(es)

JORGE, Virgolino Ferreira, SOARES, Maria Micaela

Título

A igreja romano-gótica do Salvador do Mundo no Sobral de Monte Agraço (notícia preliminar), Boletim da Assembleia Distrital de Lisboa, 3ª sér., vol. 85, separata

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

JORGE, Virgolino Ferreira

Título

Sobral de Monte Agraço. Edifício medieval de Salvador, Informação Arqueológica, pp.66-67

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

GONÇALVES, João Ludgero Marques