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Igreja da Misericórdia de Pinhel, com todo o seu recheio - detalhe

Designação

Designação

Igreja da Misericórdia de Pinhel, com todo o seu recheio

Outras Designações / Pesquisas

Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Pinhel(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Guarda / Pinhel / Pinhel

Endereço / Local

- -
Pinhel

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Pouco se sabe sobre a fundação da irmandade da Misericórdia na vila de Pinhel. A vila, reedificada e povoada no início do século XIII, recebeu foral em 1209, tendo este sido renovado quando das Reformas Manuelinas em 1510. A Misericórdia foi fundada alguns anos depois, por iniciativa do Dr. João Videira. Na segunda metade da centúria a irmandade funcionava em pleno, tendo edificado o seu hospital.
Edificada nos primeiros anos do século XVI, a Misericórdia de Pinhel apresenta-se como um templo eclético, onde se conjugam diferentes correntes arquitectónicas. A fachada do templo apresenta-se dividida em dois corpos diferentes, o central que corresponde à traça primitiva e apresenta uma tipologia manuelina, ao qual foi adossado um corpo lateral, do lado da Epístola e que corresponde à capela de São Lázaro, de feições maneiristas, com elementos decorativos inspirados na tratadística nórdica.
O corpo central possui portal de arco quebrado com três arquivoltas decoradas com rosetas e vieiras, a partir das quais se desenvolvem dois colunelos rematados, à esquerda, por armas reais, e à direita, por esfera armilar. Sobre o arco foi aberta janela de moldura quadrangular encimada por armas reais com a data de 1808 . O corpo é rematado em empena, com cruz no vértice. O corpo adossado do lado da Epístola é delimitado por cunhais, estando a sua fachada dividida em dois registos. No primeiro possui janela de moldura quadrangular gradeada, o segundo possui janela de sacada com varandim e guarda de ferro. Sobre a empena foi colocada, à direita, uma sineira coroada por pináculos e uma cruz, e à esquerda, um pináculo.
O interior é de nave única, iluminada pela janela da fachada principal, coberta por caixotões de madeira sem decoração. As paredes laterais estão divididas em dois registos, possuindo o registo superior tribuna com três tramos e quatro colunas toscanas. Do lado da Epístola foi aberta no primeiro registo uma porta de moldura recta, e do lado do Evangelho uma porta semelhante ladeada por capitel vegetalista. As aberturas do lado do Evangelho, tanto da porta como da tribuna, foram entaipadas.
O arco triunfal, em asa de cesto, é revestido por rosetas em talha dourada. Abre para a capela-mor, iluminada por janelas laterais. Do lado do Evangelho, possui arcosólio em arco pleno, e do lado da Epístola arco de volta perfeita que dá acesso a capela lateral, dedicada a São Lázaro, coberta por abóbada polinervada e com arcosólio em arco abatido. O espaço da capela-mor encontra-se revestido por painéis de talha dourada e policromada, estando coberto por um conjunto de quinze caixotões pintados com imagens de santos. O retábulo é também em talha dourada e policromada, composto por tribuna com trono. Nas paredes laterais estão duas telas pintadas, a do lado da Epístola com a imagem de Nossa Senhora da Conceição , a do Evangelho com a Visitação .
Do conjunto decorativo do templo destaca-se ainda o retábulo em pedra de Ançã da capela de São Lázaro, atribuído a João de Ruão, que actualmente se encontra no Museu Municipal de Pinhel. Com a data de 1537 gravada no seu reverso, o retábulo possui três eixos delimitados por pilastras, tendo ao meio o sacrário, com a parte superior em forma de templete, rematado pela imagem de Cristo. Lateralmente, estão dispostos quatro anjos músicos. O remate ao centro é em frontão semicircular com a figura do Padre Eterno. Na predela, foram esculpidas em relevo as imagens de São Pedro e São Paulo (BORGES, Nelson Correia, 1980, p.50).
Catarina Oliveira
GIF/ IPPAR/ 2003

Imagens

Bibliografia

Título

João de Ruão, escultor da renascença coimbrã

Local

Coimbra

Data

1980

Autor(es)

BORGES, Nelson Correia

Título

A Obra Silvestre e a Esfera do Rei

Local

Coimbra

Data

1990

Autor(es)

PEREIRA, Paulo

Título

Portugal - Diccionário Historico, Chorographico, Heraldico, Biographico, Bibliographico, Numismatico e Artistico

Local

Lisboa

Data

1911

Autor(es)

PEREIRA, L. A. Esteves, RODRIGUES, Guilherme

Título

História da Arte em Portugal, vol. 5 - o Manuelino

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

Pinhel Falcão

Local

Celorico da Beira

Data

1943

Autor(es)

MARTA, Ilídio

Título

Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

A arquitectura manuelina

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

Retábulos das Misericórdias Portuguesas

Local

Faro

Data

2009

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco