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Todo o aglomerado urbano sito dentro do perímetro do castelo e das muralhas de Marvão - detalhe

Designação

Designação

Todo o aglomerado urbano sito dentro do perímetro do castelo e das muralhas de Marvão

Outras Designações / Pesquisas

Núcleo urbano da vila de Marvão / Núcleo intramuros de Marvão(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Povoação

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Portalegre / Marvão / Santa Maria de Marvão

Endereço / Local

-- -
Marvão

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 37 077, DG, I Série, n.º 228, de 29-09-1948 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A estrutura urbana de Marvão obedece à primitiva organização medieval. Supomos que o amuralhamento da vila foi efectuado na sequência da (re)construção do castelo patrocinada por D. Dinis, uma vez que parece haver uma certa continuidade entre o que resta do castelo e a cerca que delimita o povoado. Em 1361, no reinado de D. Pedro, o monarca foi obrigado a tomar medidas contra o despovoamento da vila, o que indica ter Marvão iniciado já o seu declínio populacional.
A cerca define uma planta rectangular irregular, de ângulos cortados, e é rasgada por três portas, todas dotadas, no século XVII, de esquemas defensivos abaluartados, à maneira das grandes fortalezas da época da Restauração da Independência. O principal acesso localizava-se a Nordeste e era conhecido como "Portas da Vila". Na actual configuração, compõe-se por entrada em cotovelo, a que se associa um desenvolvido baluarte de dupla porta e dois cubelos circulares. A Noroeste, existem as Portas de Ródão, hoje entrada principal na vila e igualmente protegida por baluarte estrelado, composto por dupla porta e dois níveis de aquartelamento. A terceira entrada, menos conhecida, situa-se a Nascente e denomina-se Postigo do Cubelo ou do Torrejão. Na época medieval, era a porta menos utilizada, mas na Restauração foi dotada de amplo baluarte de três secções e duas poderosas torres. Entre estas três portas, para além da cerca medieval, existe uma segunda linha de muralhas, construída no século XVII, que reforça o sistema defensivo e cria uma comprida liça que, em caso de ataque, ajuda a conter as tropas inimigas uma vez ultrapassada a primeira muralha.
Urbanisticamente, Marvão dispõe de dois eixos viários fundamentais, que já o eram na época medieval. O primeiro é o que liga as Portas da Vila ao Castelo, cruzando diagonalmente o burgo, à maneira das medievais Ruas Direitas, através das actuais Ruas das Portas da Vila, do Espírito Santo e do Castelo. O segundo eixo é menor, mas segue também uma orientação diagonal, colocando em comunicação as Portas de Ródão com a antiga Rua Direita, através da actual Rua de Cima. Estes dois eixos são recortados lateralmente por outros arruamentos e muitas escadinhas (onde se sucedem portas de arcos apontados), e cruzavam-se na praça principal, hoje Praça do Pelourinho, onde se localizava precisamente este símbolo de autoridade municipal e a Casa da Câmara. Esta, convertida na actualidade em Casa da Cultura, desempenhava também as funções de cadeia (como ainda se pode ver pelos gradeamentos das janelas inferiores que dão para a face Norte) e, apesar de ter sido bastante remodelada no século XX - altura em que a fachada Sul foi integralmente refeita com uma solução ameada -, mantém genericamente as características essenciais no alçado Norte, onde, ao centro de um dos pisos superiores, se conservam esferas armilares, sinal das obras levadas a cabo no reinado de D. Manuel.
Quanto à arquitectura religiosa, Marvão possui algumas interessantes igrejas, de que convém salientar a de Santiago, por conservar ainda características góticas, eventualmente do século XIV. O seu portal principal, de arquivoltas apontadas inscritas em gablete, lembra o da Nossa Senhora da Estrela, mas deverá ser-lhe anterior; o corpo mantém a estrutura gótica, de três naves separadas por arcarias apontadas. No extremo oposto, junto ao castelo, localiza-se a Igreja de Santa Maria (actualmente convertida em Museu Municipal). É uma obra de raiz gótica muito transformada no século XVI, quer na fachada principal, quer no interior. A igreja do Espírito Santo, ligada à Misericórdia, implanta-se no local onde anteriormente existiu uma instituição de assistência e data também do século XVI.
Nos últimos anos, o conjunto monumental intra-muros foi objecto de grandes restauros, criando-se numerosas zonas verdes e de miradouro, assim como se beneficiaram inúmeras casas privadas, que em muito contribuem para a intenção municipal de candidatar a vila a Património Mundial.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1948

Autor(es)

ALMEIDA, João de

Título

Carta arqueológica do concelho de Marvão, Actas do 13º Congresso Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências, vol.7, pp.93-119

Local

Lisboa

Data

1950

Autor(es)

PAÇO, Manuel Afonso do

Título

Inventário Artístico de Portugal - vol. I (Distrito de Portalegre)

Local

Lisboa

Data

1943

Autor(es)

KEIL, Luís

Título

As Cidades e as Vilas da Monarquia Portuguesa que têm brasão de armas

Local

Lisboa

Data

1860

Autor(es)

BARBOSA, Inácio de Vilhena

Título

A arquitectura gótica portuguesa

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

Terras de Odiana. Medobriga, Ammaia, Aramenha, Marvão, 2.ª ed.

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

COELHO, Possidónio Mateus Laranjo

Título

Nicolau de Langres e a sua obra em Portugal

Local

Lisboa

Data

1941

Autor(es)

MATTOS, Gastão de Mello

Título

O actual concelho de Marvão e as suas freguesias nas Memórias Paroquiais de 1758, Ibn Máruan

Local

-

Data

1993

Autor(es)

GORJÃO, Sérgio, MACHADO, J. Liberata

Título

Marvão. Achegas para a sua história, Arquivo de Beja, nº28-32

Local

Beja

Data

1978

Autor(es)

MONIZ, Manuel Carvalho

Título

Apontamentos para a história da pitoresca vila de Marvão

Local

Portalegre

Data

1974

Autor(es)

BUGALHÃO, Custódio da Mota

Título

O castelo e fortaleza de Marvão. Os seus alcaides-móres e principaes governadores

Local

Lisboa

Data

1916

Autor(es)

COELHO, Possidónio Mateus Laranjo

Título

Marvão. Elucidário breve de uma visita a esta vila

Local

Lisboa

Data

1946

Autor(es)

COELHO, Possidónio Mateus Laranjo

Título

Fortificações de Marvão. História, Arquitectura e Restauro

Local

Portalegre

Data

2001

Autor(es)

BUCHO, Domingos

Título

Marvão, Castelo de Vide e Portalegre

Local

Lisboa

Data

1975

Autor(es)

DINIS, Alberto Calderon