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Moradia na Avenida Fontes Pereira de Melo, incluindo as áreas do antigo jardim, anexo residencial e garagem - detalhe

Designação

Designação

Moradia na Avenida Fontes Pereira de Melo, incluindo as áreas do antigo jardim, anexo residencial e garagem

Outras Designações / Pesquisas

Actual sede social do Metropolitano de Lisboa / Palacete na Avenida Fontes Pereira de Melo, n.º 28 / Edifício da Sede do Metropolitano de Lisboa(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Palacete

Inventário Temático

Norte Júnior

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Lisboa / Arroios

Endereço / Local

Avenida Fontes Pereira de Melo
Lisboa

Número de Polícia: 28

Rua Andrade Corvo
Lisboa

Número de Polícia: 34-38

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
Edificado no topo da Avenida Fontes Pereira de Melo, formando gaveto com a Rua Andrade Corvo, o palacete de José Maria Marques foi construído entre 1911 e 1915. Atualmente alberga a sede social do Metropolitano de Lisboa.
De planta quadrada, o edifício organiza-se em quatro pisos, incluindo cave e mansarda. Apresenta uma exuberante frente de rua de gosto eclético, que se prolonga em torno do gaveto alcançando o corpo lateral da casa, rasgada por um numeroso conjunto de janelas e repleta de elegantes elementos decorativos.
A cave do edifício é definida por aparelho rusticado e pequenas janelas de moldura rebaixada com guarda de ferro. A fachada principal divide-se em dois corpos, exibindo na extremidade esquerda o portão de ferro de acesso ao jardim, onde se ergue uma fachada com varandas de ferro e vitral no piso térreo e janelas de peito no superior.
O primeiro corpo do frontispício apresenta duas grandes varandas, no primeiro piso com guarda de ferro e alpendre de arco de volta perfeita decorado com aduelas e motivos concheados, assente em colunas com capitéis de volutas e florões, a que se acede por janela com arco tripartido e capitéis compósitos. A varanda do piso superior, aberta e com guarda de ferro, exibe também janela tripartida com capitéis compósitos. No centro da fachada abre-se a porta principal, uma elegante estrutura de ferro e vidro com moldura ladeada por colunas coríntias e rematada por frontão triangular interrompido, encimada por óculo com aduelas e motivos vegetalistas enquadrando estrutura de ferro e vidro com as inicias do proprietário, JMM. É ladeada por duas janelas de peito integradas entre pilastras com capitéis vegetalistas. Sobre a porta rasgam-se três janelas de sacada com varandim de ferro e base de pedra em forma de voluta, emolduradas em arco com pilastras compósitas. Este corpo central é rematado por grande frontão circular com janela, profusamente decorado, que corresponde à fachada da mansarda.
O contorno do gaveto é feito por corpo circular com janelas de peito no primeiro piso e varandim com friso assente sobre colunas geminadas no segundo. O corpo da fachada lateral possui janelas de peito em ambos os pisos, elevando-se à direita o portão de ferro que abre para o pátio, onde se ergue uma fachada com janelas de peito e escada de ferro.
No interior, os espaços dispõem-se de forma simétrica em torno da escada e do vestíbulo, elementos centrais da casa que conferem monumentalidade ao edifício. Inclui um sumptuoso programa decorativo, com madeiras exóticas, estuques pintados e dourados, frescos, e um elevador, à época um elemento funcional de luxo.
História
No ano de 1911 José Maria Moreira Marques, capitalista com negócios no Brasil, apresentou à Câmara de Lisboa um pedido para a construção de uma casa no seu terreno na Avenida Fontes Pereira de Melo, apresentando um projeto assinado pelo arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior. O conjunto, que incluía sala de ginástica na cave, casa para capoeira e casa de tanques, foi construído entre 1911 e 1915, data da última licença para a edificação da marquise de ferro do jardim. O projeto foi vencedor do Prémio Valmor no ano de 1914 (erradamente esculpido na fachada com a data 1915).
Não sendo o maior palacete projetado por Norte Júnior, é seguramente o que apresenta o programa decorativo mais exuberante, embora a profusão de motivos ornamentais em nada altere o equilíbrio do projeto. A inserção num gaveto retangular, no qual a casa ocupa apenas metade da área, denota a perícia do arquiteto como projetista, apresentando uma planimetria distinta das que nos anos imediatamente anteriores criara para edifícios congéneres nas Avenidas Novas.
Em 1950 a Câmara de Lisboa comprou aos herdeiros de José Marques o edifício, e quatro anos depois alugava o espaço ao Metropolitano de Lisboa, que o ocupa até hoje.
Catarina Oliveira
(Coord. Deolinda Folgado)
DGPC, 2015

Imagens

Bibliografia

Título

Os Anos Vinte em Portugal.

Local

Lisboa

Data

1992

Autor(es)

FRANÇA, José-Augusto

Título

Arquivo Municipal de Lisboa, Obra n.º 14040

Local

Lisboa

Data

1911

Autor(es)

-

Título

A Casa Unifamiliar Burguesa na Arquitectura Portuguesa: mudança e continuidade no espaço doméstico na primeira metade do século XX, 2 vols.. Dissertação de Doutoramento em Arquitetura

Local

Porto

Data

2004

Autor(es)

RAMOS, Rui Jorge Garcia

Título

História do Prémio Valmor

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

PEDREIRINHO, José Manuel

Título

Do Saldanha ao Campo Grande. Os originais do Arquivo Municipal de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1999

Autor(es)

VIEGAS, Inês Morais

Título

Norte Júnior - O percurso e a obra de um arquitecto artista. Sociedade Amor da Pátria. 150º Aniversário. 1859-2009.

Local

Horta

Data

2009

Autor(es)

CALADO, Maria

Título

Norte Júnior: obra arquitectónica, Tese de Mestrado em História da Arte.

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

PAIXÃO, Maria da Conceição Ludovice

Título

Estética masónica y modernismo portugués. Lisboa y el arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior. Akros. Revista de Patrimonio, n.º 12, pp. 40-47

Local

Melilla

Data

2013

Autor(es)

MARTÍN LÓPEZ, David