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Imóvel sito na Praça do Duque de Saldanha, 28 a 30, e na Avenida da República, 1 e 1-A - detalhe

Designação

Designação

Imóvel sito na Praça do Duque de Saldanha, 28 a 30, e na Avenida da República, 1 e 1-A

Outras Designações

-

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Edifício

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Lisboa / Avenidas Novas

Endereço / Local

Praça do Duque de Saldanha
Lisboa

Número de Polícia: 28-30

Avenida da Republica
Lisboa

Número de Polícia: 1-1-A

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público

Cronologia

Portaria n.º 366/2017, DR, 2.ª série, n.º 203, de 20-10-2017 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 25-08-2017 do subdiretor-geral da DGPC
Anúncio n.º 87/2017, DR, 2.ª série, n.º 113, de 12-06-2017 (ver Anúncio)
Despacho de concordância 21-03-2017 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 22-02-2017 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 28-12-2015 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação como MIP
Anúncio n.º 79/2015, DR, 2.ª série, n.º 85, de 4-05-2015 (ver Anúncio)
Despacho de 24-03-2015 do Secretário de Estado da Cultura a determinar a abertura de novo procedimento da classificação
Despacho de concordância de 16-03-2015 do diretor-geral da DGPC
Proposta de 5-03-2015 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para abertura de novo procedimento de classificação
Devolvido em 30-05-2011 à DRC de Lisboa e Vale do Tejo para fundamentar o proposta de nova abertura
Proposta de 4-05-2011 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para abertura de novo procedimento de classificação
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Despacho de 4-10-2010 do director do IGESPAR, I.P. a determinar o envio do processo à DRC de Lisboa e Vale do Tejo para juntar proposta de ZEP
Parecer de 29-09-2010 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a classificação como MIP, atendendo ao valor relevante do imóvel
Proposta de 26-04-2010 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a revogação do despacho de abertura, por o imóvel ter perdido a integridade e a exemplaridade
Despacho de abertura de 26-11-1990 do presidente do IPPC
Parecer de 18-09-1981 a Comissão "ad hoc" do IPPC a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 15-05-1981 do IPPC

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
Prédio-palacete que aproveita a situação de gaveto (entre a Praça Duque de Saldanha e a Avenida da República) para estruturar o seu volume de dois pisos (com meia-cave e sótão com trapeiras), numa composição de desenho e ritmo clássico A-B-C-B-A, com corpo central (portal com estátuas coluna sobre estípites, varanda solene, vão triplo com 'serliana' e frontão curvo), corpos laterais (com entradas secundárias a eixo e três vãos de sacada no piso superior) e, a fechar o conjunto, a um e outro lado, tramos mais elaborados (munidos de janelas com estátuas coluna sobre estípites, varandas curvas, frontão com volutas e colunas encimadas por frontão curvo).
Como o lote era algo irregular, aproveitou-se para colocar o corpo da cocheira, de menor escala e dimensão, à esquerda e o portão de acesso ao jardim, mais estreito, à direita, permitindo com este artifício salvar a simetria do palacete e isolar a construção no seio do terreno, com evidentes vantagens em termos de imagem urbana e da mais-valia das quatro fachadas, em termos de organização espacial, iluminação e ventilação naturais.
Do ponto de vista tipológico, o edifício apresenta uma engenhosa solução, híbrida se quisermos, entre o palacete-moradia (é isso que aparenta) e o prédio (pelo seu programa fracionado). Tipologia que começou a utilizar-se em Lisboa ainda no século XVIII, tendo tido alguma divulgação no início do século XX, especialmente nas Avenidas Novas. Nesta, o senhorio, que era, por norma, o promotor da obra, residia no piso nobre e arrendava as frações subsidiárias. Conseguia assim melhor integração urbana (pela maior volumetria), notoriedade social (pela majoração da dimensão relativa, vulgo escala) e fonte de rendimento (pelo arrendamento das frações).
O programa é habilmente organizado de modo a permitir que o piso nobre, situado no 1.º andar, tenha acesso exclusivo pela porta principal, bem como passagem direta à cocheira, às duas meias-caves e à rua, a partir do jardim posterior. As duas frações secundárias têm entrada própria no alçado principal.
Ao nível da organização interna, pese embora o desenho escorreito que apresenta, a miniaturização dos espaços (nomeadamente os de representação) e a organização por corredores (compridos e estreitos) não lhe permite fugir à mediania do que à época se fazia, logo não consegue ombrear com a pose de ostentação que a sua mole e desenho exterior fazem supor. Mas, afinal, este jogo contraditório entre imagem exterior (pública e mundana) e interior (privada e íntima), é uma das características mais vincadas duma época em que a aparência se sobrepõe a uma realidade, frequentemente, aquém das expetativas e desejos.
História
Prédio-palacete de inícios do século XX, com projeto submetido por Engrácio Supardo à Câmara Municipal de Lisboa em 1906, alterado em 1908 e concluído em 1909.
O construtor civil foi João Rodrigues Sebolla, desconhecendo-se o autor do projeto. Coloca-se a hipótese do risco pertencer ao arquiteto José Luís Monteiro, uma vez que foi ele o autor do prédio de rendimento para ali projetado em 1902, a pedido de José António Carreira, e que começou, inclusivamente, a ser construído, tendo as fundações sido aproveitadas para o prédio que hoje podemos contemplar. Esta hipótese de autoria sai reforçada pela erudição e rigor classicista do desenho, claramente filiado no academismo francês, que se depreende do equilíbrio notável da composição, das suas informadas proporções, em que o embasamento rusticado (meia-cave e piso térreo) se contrapõe ao corpo superior (piso nobre e respetiva balaustrada), sentido de ordem (compacidade, hierarquia e simetria) e, por fim, do fino detalhe do desenho (motivos arquitetónico e decorativos) e respetiva execução.
Paulo Duarte
DGPC, 2017

Outras Descrições

Imóvel sito na Praça do Duque de Saldanha, 28-30, e na Avenida da República, 1-1-A

Tipo

Caracterização Arquitectónica

Autor

Sandra Carina da Silva Peixoto

Descrição

Construído entre 1907-1908, o seu traço é, provavelmente, da autoria do arquitecto José Luis Monteiro. Edificio de gaveto, de dois pisos e água-furtada, é composto por um corpo central, dois laterais e ainda outro de menores dimensões adossado ao lado esquerdo da construção. A procura de um ecletismo arquitectónico enquanto linguagem estilística predominante foi, com certeza, um dos objectivos principais do autor, que congrega na fachada elementos escultóricos de inspiração neo-renascentista e neo-maneirista. É de também de salientar o recurso a apontamentos Arte Nova no corpo menor da estrutura. No corpo central, um repertório classicizante pode ser encontrado na entrada com arco em volta perfeita assente em colunas com capitel compósito, sobre o qual se desenha um frontão com arco abatido e decorado com motivos vegetalistas. No segundo piso rasgam-se três janelas, percorridas por uma varanda assente em atlantes, esta com planta em semi-circulo e balaustrada. A janela do meio, de maiores dimensões, coroada por arco em volta perfeita (cujo tímpano é preenchido por uma malha de ferro forjado), é ladeada por duas outras, de moldura rectangular sobre as quais se rasgam óculos; um elegante festão acompanha ritmicamente a curva por estes desenhada e pelo arco que encima a janela do meio. Neste quebrar deliberado de uma harmonia de inspiração renascentista, podemos denotar um olhar atento para o formulário estético maneirista. Nos dois corpos laterais, idênticos, rasgam-se no primeiro piso, janelas de sacada, com pequena balaustrada e coroadas por arco de volta perfeita; formulário repetido no segundo piso, com excepção para duas janelas encimadas por um frontão interrompido com volutas. Cobertura de telhado a três e quatro águas, janelas de mansarda com frontão segmentar assente em cornija saliente. No corpo menor, revestido a azulejos policromos, é de salientar o uso do ferro forjado em malha sinuosa. S.C.P.

Imagens