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Conjunto da igreja paroquial da freguesia de Real, com as imagens de granito na vedação do adro e a escadaria - detalhe

Designação

Designação

Conjunto da igreja paroquial da freguesia de Real, com as imagens de granito na vedação do adro e a escadaria

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de Santa Marinha, paroquial de Real, com as imagens de granito na vedação do adro e a escadaria/ Igreja Paroquial de Real / Igreja de Santa Marinha (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Aveiro / Castelo de Paiva / Real

Endereço / Local

Largo da Igreja
Real

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

Anúncio n.º 2/2018, DR, 2.ª série, n.º 2, de 3-01-2018 (ver Anúncio)
Despacho de 23-11-2017 da diretora-geral da DGPC a determinar a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional da Igreja de Santa Marinha, paroquail de Real, seu património móvel integrado e respetivo adro e escadaria
Proposta de 14-09-2017 da DRC do Norte para a abertura do procedimento de classificação de âmbito nacional, com a designação de Igreja de Santa Marinha, paroquial de Real
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Dedicada a Santa Marinha, a igreja paroquial de Real encontra-se implantada num plano ligeiramente elevado, e é envolta por um adro definido por muro de balaustres, com estatuária a marcar as duas entradas - a principal, com escadaria, e a lateral.
As suas linhas exteriores revelam grande depuração, concentrando-se os elementos decorativos no portal principal. Este, é definido por pilastras, que suportam um duplo entablamento, sobre o qual assentam dois desproporcionados pináculos, e o nicho central, em concha, flanqueado por aletas. O alçado termina em frontão triangular com óculo aberto no tímpano. Do lado do Evangelho ergue-se a torre, de grandes dimensões, com sineiras de volta perfeita e cúpula bolbosa. A entrada lateral é marcada por uma porta de frontão triangular interrompido, e o volume correspondente à sacristia é, com certeza, posterior à abertura deste vão.
À sobriedade do exterior corresponde um espaço interno amplo e profusamente decorado. A nave única, com cobertura de abóbada de berço, coro alto assente sobre mísulas, e capelas laterais e colaterais, articula-se com a capela-mor, também rectangular, através do arco triunfal de volta perfeita. A talha rococó, de concheados assimétricos, dourada e polícromada, ganha especial importância por não se cingir aos altares, desenvolvendo-se pelas sanefas recortadas que rematam os muitos vãos (capelas, portas, janelas) do corpo do templo, e onde se inclui o arco triunfal, envolvido por uma composição de grandes dimensões. As caixas dos púlpitos denotam o mesmo gosto, a que acrescem as pinturas a imitar marmoreados. O retábulo-mor, com tribuna e trono, é rematado por ático de concheados assimétricos, e entre as colunas compósitas encontram-se as imagens de Santa Marinha e Santo Ovídio.
O tecto pintado da nave exibe elementos concheados, com cartelas de configuração diversa que enquadram vinte representações de cariz popular, devidamente legendadas e cuja iconografia corresponde aos episódios da vida de Cristo e da Virgem que constituem os mistérios do Rosário, a que se juntam representações de santas, destacando-se, naturalmente, Santa Marinha, a invocação do templo, e cujo nome aparece ainda registado em dois livros protegidos por anjos (IDEM). No sub-coro, é São Dâmaso o escolhido, a par da data de 1776, que deverá indicar a conclusão dos trabalhos.
Na verdade, as Memórias Paroquiais de Castelo de Paiva referem que este templo, considerado um dos maiores do concelho, dispunha de uma capela-mor feita de novo, magnífica e acabada a expensas do então abade António Vaz Pinto da Silva e Miranda, fidalgo da casa Real (ROCHA, LOUREIRO, 1988, p. 129). Esta informação, de grande utilidade para nós, permite concluir que, muito possivelmente, a igreja já existia, mas foi objecto de uma profunda campanha de obras que incidiu sobre a capela-mor, e que estaria concluída pouco antes de 1758. É certo que o retábulo aparenta uma qualidade superior relativamente à restante obra de talha, mas a cronologia da sua execução não se deverá afastar muito da década de 50 do século XVIII, pelo que cremos que à capela-mor seguiu-se a renovação da nave, terminada em 1776 com a pintura do tecto da nave.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro

Local

Lisboa

Data

1959

Autor(es)

GONCALVES, António Nogueira

Título

Memórias Paroquiais de Castelo de Paiva e Outros Documentos

Local

Castelo de Paiva

Data

1988

Autor(es)

ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da, LOUREIRO, Olímpia Maria da Cunha