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Quinta de Santo António da Bela Vista, incluindo as suas habitações, os edifícios anexos de apoio à actividade agrícola, os terrenos que a delimitam, os lambris de azulejos policromados na escada do 1.º andar de uma das construções (...) - detalhe

Designação

Designação

Quinta de Santo António da Bela Vista, incluindo as suas habitações, os edifícios anexos de apoio à actividade agrícola, os terrenos que a delimitam, os lambris de azulejos policromados na escada do 1.º andar de uma das construções (...)

Outras Designações / Pesquisas

Quinta de Santo António da Bela Vista(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Quinta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Setúbal / Almada / Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas

Endereço / Local

EN 377
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)
Edital N.º 8 de 28-01-1981 da CM de Almada
Despacho de homologação de 2-09-1980
Parecer de 29-08-1980 da COISPCN a propor a classificação como VC
Proposta de classificação de 8-03-1978 do FFH

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

No século XVIII desenvolveram-se, em redor de Almada, uma série de Quintas, das quais se encontra a de Santo António da Bela Vista. A arquitectura de cada uma das casas de habitação destas propriedades é, no entanto, bastante diferenciada, alternando entre uma maior erudição ou uma tipologia mais depurada. A casa da Quinta de Santo António inscreve-se neste último modelo, com os seus volumes diferenciados, de dois pisos, abertos por vãos de linhas rectas e molduras sem elementos decorativos, que se articulam em torno de um pátio.
São muito limitadas as informações disponíveis sobre o imóvel, embora as suas características permitam apontar para uma época de construção que não se deverá afastar do último quartel do século XVIII. É possível que a casa tenha sido alvo de múltiplas alterações posteriores, mas os painéis de azulejo subsistentes no edifício e na quinta permitem corroborar a primeira cronologia.
A porta principal é encimada por azulejos de moldura polícroma, que enquadram a figuração de Santo António e a Virgem, esta a azul e branco. De acordo com Santos Simões (1969, p. 365), a sua execução deverá remontar a cerca de 1800. O lambril de azulejos, nas escadas de acesso ao andar superior, é pombalino.
Deste conjunto azulejar, destaca-se o painel recortado, no espaldar do poço que se encontra no pátio. Representa o Encontro de Santa Ana com São Joaquim na Porta Dourada, adivinhando-se desde logo o nascimento de Nossa Senhora e do Menino, que surgem num plano superior de união dos pais da Virgem. De acordo com os Evangelhos Apócrifos divulgados no século XIII por por Vicent de Beauvais, na Speculum Historiae e Jacques de Voragine na Legenda Dourada, São Joaquim e Santa Ana não tinham filhos, pelo que o primeiro foi repreendido e impedido de fazer oferendas ao templo. Retirou-se, então, para o deserto, onde um anjo lhe anunciou que o Senhor ouvira as suas preces e que sua mulher daria à luz uma menina. São Joaquim regressou então a casa, onde Santa Ana, também advertida por um anjo, o esperava, na Porta de Ouro de Jerusalém.
Nesta medida, o Encontro de Santa Ana com São Joaquim na Porta Dourada, é entendido como o prelúdio do nascimento de Maria, simbolizando também a Imaculada Conceição.
No caso do painel da Quinta de Santo António da Bela Vista, o episódio encontra-se complementado pela seguinte legenda:
Sta. ANNA ES. IOAQVIM SECV=
RREI, OS MIZARAVES E ALCA =
SANOS DE VOSO SSmo NETO A
AGOA DA SVA DEUINA
GRAÇA
Recorrendo novamente a Santos Simões, este autor aponta os anos de 1790-1800 como os mais prováveis para a sua datação.
(Rosário Carvalho)

Bibliografia

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

A casa Rural dos Arredores de Lisboa no Século XVIII

Local

Porto

Data

1999

Autor(es)

CALDAS, João Vieira