Saltar para o conteúdo principal da página

Dique ou represa para irrigação dos campos de Alvega entre Abrantes e Gavião - detalhe

Designação

Designação

Dique ou represa para irrigação dos campos de Alvega entre Abrantes e Gavião

Outras Designações / Pesquisas

Dique dos campos de Alvega(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Dique

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Santarém / Abrantes / Alvega e Concavada

Endereço / Local

Ribeira da Represa
Casal da Várzea

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação (Homologado como IM -...

Cronologia

Em 24-09-2018 foi solicitada à CM de Abrantes informação sobre o processo de classificação
Enviada cópia do processo pelo Ministério da Cultura à CM de Abrantes em 3-05-2010 a fim de ponderar a conclusão do procedimento
Despacho de homologação de 11-03-1976
Parecer de 5-03-1976 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como VC
Despacho de homologação de 12-09-1974 do Secretário de Estado dos Assuntos Culturais e Investigação Científica
Parecer de 19-07-1974 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da Junta Nacional de Educação a propor a classificação como VC
Despacho de homologação de 6-12-1949 do Subsecretário de Estado da Educação Nacional
Parecer de 19-11-1949 da 2.ª Subsecção da 6.ª Secção da Junta Nacional de Educação a propor a classificação como IIM
Processo iniciado em 1942

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A história de Alvega, no concelho de Abrantes, é indissociável da sua situação ribeirinha estratégica, e da sua condição de lezíria do Tejo. Aqui, a drenagem e rega de terrenos exigiram desde sempre o empenho humano, enquanto a possibilidade de navegação dos braços de rio proporcionava um motor para o desenvolvimento local. Aquando da conquista romana de Abrantes, ou Tubucci, em 130 a. C., Alvega (Ayre ou Aritium) era já um porto fluvial de destaque. Pela região passava a importante via militar romana XV, que ligava Lisboa (Olisipo) a Alvega, seguindo para Mérida (Emerita). Esta via seria servida por uma ponte-represa, situada no Casal da Várzea, entre Abrantes e o Gavião, da qual restam ainda algumas ruínas, a par de troços da calçada romana e de outros vestígios da ocupação.
A estrutura, que serviria a dupla função de ponte e de dique para retenção de águas destinadas à rega dos campos circundantes, encontra-se em avançado estado de ruína. A parte central do dique foi levada por uma cheia, que projectou à distancia blocos enormes da muralha, alguns destes ainda identificáveis há poucos anos. Restam portanto dois troços de muralha de cada lado da ribeira, acompanhando o declive acentuado do terreno. O dique era composto por duas muralhas, mais ou menos paralelas, com c. 1,5 m de largura cada uma, ligadas entre si por travamentos de 5 a 6 m de comprido, sendo o espaço interior preenchido com terra e pedras. A espessura total da muralha era de c. 9 metros, e a altura de 15 a 18 m. A muralha e a contrafortagem eram constituídos por alvenaria de lajes de xisto e argamassa.
Na foz da ribeira, onde esta desagua na lezíria, encontram-se restos de grandes pilares ou pegões, que poderão ter servido para sustentação de um canal de escoamento de águas, destinado à irrigação dos campos de Alvega. O aparelho construtivo é idêntico. Na base dos pilares ainda se identificaram as marcas de utilização do fórfex, espécie de gancho de metal utilizado para elevar os blocos de pedra, nos quais eram escavados dois orifícios de fixação em lados opostos. A utilização do fórfex é geralmente indicativa de uma cronologia romana, visto que o método foi posteriormente abandonado. Os pilares devem ser lidos em relação com o dique, apesar das centenas de metros que os separam. Assim se poderá compreender a referência que faz Francisco de Holanda, em 1571, a uma ponte romana sobre o Tejo, a montante de Abrantes: "Fizeram outra ponte magnífica, acima d'Abrantes, onde estão os pegões e montes de pedra, e esta quisera reedificar o Infante Dom Fernando (...)" (Francisco de HOLANDA, 1984, p. 26).
O conjunto ganha ainda mais interesse se for considerado em relação com os restantes vestígios romanos da zona, como o vicus do Aneirão (que durante muito tempo se imaginou corresponder à cidade romana de Aritium Vetus), na área do qual ainda restam arruamentos, muralhas, alicerces de casas e sepulturas, galerias subterrâneas, as ruínas de um possível aqueduto e os já referidos troços da calçada militar, para além de muita cerâmica e achados menores.
Sílvia Leite / DIDA / IGESPAR, I.P. / 17-08-2007

Bibliografia

Título

Da Pintura Antiga

Local

Lisboa

Data

1984

Autor(es)

HOLANDA, Francisco de