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Igreja paroquial de São Paio e escadaria - detalhe

Designação

Designação

Igreja paroquial de São Paio e escadaria

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de São Paio(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Arcos de Valdevez / Arcos de Valdevez (São Salvador), Vila Fonche e Parada

Endereço / Local

-- -
Arcos de Valdevez

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Situa-se na margem esquerda do rio Vez, e é a igreja paroquial da freguesia de São Paio, a quem deve a sua invocação. Do templo primitivo, edificado no sítio da igreja velha nada resta, pois o seu estado avançado de ruína levou a que, em 1781, tivesse início a construção de uma nova igreja, mais perto do rio e de dimensões superiores, por forma a responder de forma eficaz ao crescimento da população. De acordo com os dados disponíveis, as obras prolongaram-se durante longos anos e, muito embora no final do século XVIII o edifício estivesse adiantado, somente em 1831 foi dado como concluído. Em todo o caso, o revestimento azulejar, de padrão, que cobre a fachada principal, foi aplicado apenas em 1929, a expensas de José Nuno Gomes.
A fachada, de linhas sóbrias, denota já a influência do neoclassicismo, ainda que a estrutura da escadaria que antecede a igreja possa ser considerada barroca, desenvolvendo-se em lanços opostos e convergentes, com parapeitos encimados por fogaréus, o que empresta ao conjunto um carácter cenográfico, constituindo-se como caminho ascensional, a percorrer para quem pretende aceder ao templo.
No alçado principal, o esquema compositivo, marcado pela divisão do pano murário através de pilastras (nesse caso prolongadas nos extremos por urnas e ao centro no frontão curvo interrompido), é bastante comum no Norte do país, principalmente na região do Porto, onde poderíamos citar, a título de exemplo, as igrejas de São Pedro de Miragaia ou de São Nicolau. O próprio revestimento azulejar das fachadas, na sua grande maioria datado do século XX, conheceu, também, grande fortuna no Norte, manifestando-se igualmente nos templos portuenses mencionados. O portal, ao centro, é definido por duas pilastras e encimado por frontão circular em cujo tímpano se exibe o brasão de armas de Portugal. Sobrepõe-se-lhe uma amplo janelão, que complementa os outros dois, nas secções laterais, mais reduzidos e sobre os quais se abre um óculo, com um motivo concheado na zona superior.
A torre, que se projecta atrás do frontão, no eixo do alçado, inscreve esta composição nas denominadas "fachadas torre", cujo modelo é comum na região portuense, não deixando de nos recordar o esquema utilizado na igreja da Trindade, no Porto, edificada a partir de 1802. Assim, num primeiro nível encontramos o relógio (aí colocado em 1946), num segundo os arcos e, por fim, o remate piramidal. À semelhança da fachada, também a torre é revestida pelo mesmo padrão de azulejos.
O interior, de nave única, é bastante depurado. Uma cimalha percorre a nave única, coberta por abóbada de berço pintada. As três capelas laterais são abertas por arcos de volta perfeita com impostas salientes, apresentando retábulos de talha policromada. O arco triunfal é idêntico, mas possuí sanefa de talha dourada. Na capela-mor, com cobertura de abóbada de berço pintada, destaca-se o retábulo, também de talha policroma e acusando a feição tardia e neoclássica, tal como as caixas dos púlpitos.
Num espaço de relativa sobriedade, ganha especial significado a composição em cantaria que envolve a entrada e se prolonga em altura pelo coro. Esta estrutura, que salienta a verticalidade da nave e recorda a presença torre, apenas visível do exterior, parece ter sido abruptamente interrompida no remate, não deixando, por isso, de causar alguma estranheza, levando-nos a colocar a possibilidade de que a falta de recursos, sentida à época de construção, não tenha permitido concluir o edifício conforme o plano previamente traçado.
(Rosário Carvalho)

Bibliografia

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de