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Prédio na Rua Saraiva de Carvalho, 242-246 - detalhe

Designação

Designação

Prédio na Rua Saraiva de Carvalho, 242-246

Outras Designações / Pesquisas

Prédio na Rua Ferreira Borges, 1 / Prédio de "A Tentadora" / Edifício na Rua Saraiva de Carvalho, n.º 242 a 246 / Edifício de A Tentadora(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Edifício

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Lisboa / Campo de Ourique

Endereço / Local

Rua Ferreira Borges
Lisboa

Número de Polícia: 1

Rua Saraiva de Carvalho
Lisboa

Número de Polícia: 242-246

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

Despacho n.º 85/GP/05 de 29-09-2005 do presidente do IPPAR a determinar que se estude uma classificação de âmbito nacional
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
O edifício situado no gaveto da Rua Saraiva de Carvalho com a Rua Ferreira Borges, em Campo de Ourique, foi o primeiro prédio de rendimento desenhado em Lisboa (1912) por Ernesto Korrodi. O trabalho do arquitecto suíço, já então estabelecido em Leiria, não comportava uma decoração exuberante caracterizando-se antes pela erudição da sua arquitectura, onde os elementos decorativos se integram no desenho arquitectónico, realçando determinadas estruturas ou linhas de força. É, exactamente, esta situação que observamos no prédio da Tentadora: ao contrário de uma "ornamentação sobreposta à arquitectura", encontramos "uma arquitectura ornamentada: o ornato adequa-se à forma e esta àquele, num diálogo permanente entre as formas arquitectónicas e os elementos decorativos" (COSTA, 1997, p. 290).
Por outro lado, a concepção de arquitectura total de Korrodi está bem presente neste projecto, onde os interiores não foram descurados, estruturando-se em função de um corredor central de distribuição dos espaços, com correspondência entre o interior e o exterior. O elogio a este tipo de solução está bem expresso nos textos da época, que valorizaram ainda a sobriedade da sua ornamentação (tectos, lambris, etc) ( A Construção Moderna , 1913, A Architectura Portuguesa, 1912).
Das três fachadas, destaca-se a de gaveto, sobre a qual se projecta uma bow-window de cantaria, com um painel de azulejos Arte Nova entre as janelas do primeiro e segundo piso. A composição de cantaria engloba as janelas que ladeiam a porta principal, em aparelho rusticado, e prolonga-se até ao corpo que se eleva já sobre a linha do telhado. Todos os vãos são decorados por elementos florais, que realçam as formas estruturais geométricas, integrando-se no desenho de conjunto. O mesmo acontece relativamente às fachadas laterais, com janelas e portas de molduras profusamente decoradas, tal como as mísulas que suportam a cimalha.
Apesar da depuração, este é uma dos prédios de Korrodi que apresenta maior ornamentação, regendo-se, esta, pela linguagem Arte Nova, naturalista e de linhas curvas, cuja influência se propaga até ao próprio desenho dos vãos, parte dos quais de traçado mais orgânico. A qualidade da escultura e a sua integração no todo arquitectónico constituem uma das mais importantes marcas de Korrodi que, neste prédio, atinge uma expressão maior.
O painel de azulejos já referido é um bom exemplo da utilização desta nova manifestação artística, tal como um dos painéis envolto por uma moldura claramente Arte Nova, que se encontra junto à entrada para a pastelaria. O mesmo acontece nos gradeamentos das janelas, de ferro forjado, suporte que, aliás, expressou de forma particular, o gosto Arte Nova no nosso país.
Em todo o caso, e apesar da inegável presença desta expressão, a realidade é que dificilmente se pode classificar este prédio como Arte Nova. Pelo contrário, ele expressa uma arquitectura erudita, aberta a novas linguagens que lentamente iam sendo introduzidas no tecido arquitectónica e artístico nacional, mas sem deixar de manifestar referências historicistas, ou tradicionais, residindo neste equilíbrio, pautado pelo eclectismo, a grande qualidade do trabalho do arquitecto suíço (COSTA, 1997).

História
Propriedade de João Leal e irmãos, o conhecido edifício da Pastelaria "A Tentadora" (COSTA, 1997, p. 289), integra-se na nova tendência que então se fazia sentir em Lisboa, onde as mais recentes casas de habitação procuravam adaptar-se à vida moderna.

Rosário Carvalho/IPPAR/2004, atualizado por Maria Ramalho/DGPC/2016.

Imagens

Bibliografia

Título

Ernesto Korrodi 1889-1944: arquitectura, ensino e restauro do património

Local

Lisboa

Data

1997

Autor(es)

COSTA, Lucília Verdelho da

Título

Prédio dos Exmos Srs. João leal e Irmãos nas Ruas Saraiva de Carvalho e Ferreira Borges, A Arquitectura Portuguesa, ano V, n.º 8, pp. 29-32.

Local

Lisboa

Data

1912

Autor(es)

COLLARES, Nunes

Título

Predio de Renda dos Exmos. Srs. João Leal e Irmãos - Ruas Saraiva de Carvalho e Ferreira Borges, A construção Moderna, ano XIII, n.º 399

Local

Lisboa

Data

1913

Autor(es)

-