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Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Oliveira - detalhe

Designação

Designação

Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Oliveira

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de Canha / Igreja de Nossa Senhora da Oliveira(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Setúbal / Montijo / Canha

Endereço / Local

Travessa dos Cravos Vermelhos
Canha

Largo da Igreja
Canha

Rua de Santo António
Canha

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (alterou a designação, retirando a menção "também denominada de 'São Sebastião de Canha') (ver Decreto)
Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A primeira informação que possuímos acerca deste templo - então designado por Igreja de Santa Maria de Canha - data de 1252. Sabendo-se que a vila recebeu foral em 1235, passado por D. Paio Peres Correia, Mestre da Ordem de Santiago em Portugal, tudo indica que a edificação da igreja tenha acontecido na sequência da tomada de posse do território por parte daquela Ordem, instituição a que se deve a primitiva organização cristã pós-reconquista da região. Ainda hoje, Canha encontra-se vinculada ao Distrito de Setúbal pela ligação do seu passado histórico aos santiaguistas, e não às terras de Montemor e de Évora, com as quais a freguesia confronta e tem mais fáceis acessos.
Do período medieval da igreja, todavia, e à excepção do antigo orago, nada chegou até aos nossos dias. A sua actual configuração data da época moderna, período de relativa decadência da vila mas que foi importante o suficiente para nos legar grande parte das características artísticas da localidade. Através das Visitações efectuadas pela Ordem de Santiago a esta sua antiga comenda, sabemos que os primeiros anos do século XVI foram marcados por importantes obras no templo, algumas em consequência do terramoto de 1531 (LUCAS, s.d., p.25). Infelizmente, também elas foram largamente sacrificadas nos séculos seguintes, restando o lavabo renascentista da sacristia como testemunho notável dessa etapa da história da igreja.
Anexa à nave, pelo lado Sul, conserva-se a mais importante parcela do monumento: a capela funerária de Nossa Senhora do Rosário, mandada construir pelo Padre António Gonçalves, que se fez sepultar em campa rasa junto ao altar. De planta rectangular, é acessível através de um arco maneirista, de volta perfeita, e possui as paredes integralmente cobertas por azulejos enxaquetados dispostos em losangos e formando uma parede-tapete. A pintura do tecto obedece aos mesmos esquemas geométricos ritmados, ostentando, ao centro, um medalhão com a espada da Ordem de Santiago, e o altar é forrado por um frontal de azulejos de tons quentes, certamente importado das oficinas de Talavera de la Reina.
A parede nascente desta capela é totalmente coberta por um retábulo maneirista, de estrutura vertical quadripartida, presumivelmente atribuído ao entalhador Jacques de Campos. Nele se inscrevem cinco tábuas - Adoração dos Reis Magos; Visitação; Santiago Maior; Adoração dos Pastores e Nossa Senhora do Rosário - restando ainda a dúvida sobre uma sexta pintura, alusiva a Santiago. Estilisticamente, tratam-se de obras aparentadas com o pintor lisboeta Diogo Teixeira, eventualmente um seu discípulo, Tomás Luís (SERRÃO, 2002, p.233), que sabemos ter trabalhado para a Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo (actual Montijo), a partir de uma encomenda feita a Diogo Teixeira que este não pôde cumprir.
A igreja propriamente dita compõe-se de nave única e capela-mor rectangular. Na sacristia, a identificação recente de uma inscrição com a data de 1774 vem colocar a hipótese de, por essa altura, se ter consumado uma reforma estrutural de grande porte. Dessa campanha farão parte os dois retábulos laterais (não exactamente coincidentes em termos cronológicos), em talha dourada, únicos que sobreviveram dos cinco mencionados em 1758: Retábulo-mor e retábulos de Santo António, São Miguel, Espírito Santo e Nossa Senhora do Rosário (LOURO, 1974, pp.6-7).
No século XIX deram-se novas obras, sendo a principal a substituição do retábulo-mor pelo actual, de cariz neoclássico e popular, mas que pretendeu reafirmar um figurino estético ainda barroco. Já na segunda metade do século XX, o templo foi parcialmente restaurado, optando-se, então, pelos revestimentos azulejares polícromos das paredes das naves e pelo tecto abobadado, em substituição dos caixotões de madeira que, com certeza, o tempo barroco havia conferido ao corpo da igreja.
PAF

Bibliografia

Título

Edifícios e monumentos notáveis do concelho do Montijo

Local

Montijo

Data

1989

Autor(es)

GRAÇA, Luís

Título

Subsídios para a História do Concelho do Montijo - cronologia geral

Local

Montijo

Data

1992

Autor(es)

LUCAS, Isabel

Título

Freguesias e Capelas curadas da Arquidiocese de Évora (sécs. XII-XX)

Local

Évora

Data

1974

Autor(es)

LOURO, Henrique da Silva

Título

A vila de Canha (III), A Provícia, 17/3

Local

Montijo

Data

1955

Autor(es)

LANDEIRO, José Manuel

Título

A vila de Canha (II), A Província, nº2, 10/3

Local

Montijo

Data

1955

Autor(es)

LANDEIRO, José Manuel

Título

A vila de Canha (IV), A Província, nº5, 31/3

Local

Montijo

Data

1955

Autor(es)

LANDEIRO, José Manuel

Título

Igrejas e Capelas da Costa Azul

Local

Setúbal

Data

1993

Autor(es)

DUARTE, Ana Luisa

Título

Tomás Luís e o antigo retábulo da igreja da Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo, Artis

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

SERRÃO, Vítor