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Palacete do Visconde da Lagoa, também denominado «Palacete Grade» - detalhe

Designação

Designação

Palacete do Visconde da Lagoa, também denominado «Palacete Grade»

Outras Designações / Pesquisas

Palacete D. Aurora Grade / Palacete dos Viscondes de Lagoa / Palacete D. Aurora Grade (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Palacete

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Silves / Silves

Endereço / Local

Rua Alexandre Herculano
Silves

Rua de Samora Barros
Silves

Número de Polícia: 23-29

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
Localizado nas Ruas Samora Barros e Alexandre Herculano, na secção ocidental da costa do castelo, já próximo do rio Arade, o palacete dos Viscondes de Lagoa é uma construção privada de carácter habitacional, iniciada em 1907, em vida do 4º visconde de Lagoa, João António Mascarenhas Júdice, e devida ao arquiteto italiano Nicola Bigaglia. O produto final, tendo em conta quer a formação e estatuto social dos promotores, quer a obra do artista italiano, foi a edificação de um palacete eclético, de grande regularidade e simetria decorativa, característico de uma classe alta, que dispunha de assinaláveis recursos económicos e se encontrava ávida de realizações que consolidassem o seu estatuto no seio da sociedade.
O edifício possuiu um grande impacto cenográfico sobre as vias públicas, ostentando uma longa fachada principal, limitada por poderosos pilares-cunhais e seccionada em três panos harmónicos, todos de dois andares. O pano central, entre pilastras, possui três vãos de volta perfeita em cada andar, sendo os inferiores definidos por aparelho almofadado; o segundo registo, que corresponde ao andar nobre, possui balcão axial protegido por balaustrada, com acesso pelo portal central, que é ladeado por outros dois janelões de perfil e abertura idênticos; este pano é rematado por frontão retangular, terminando em platibanda, em cujo tímpano se inscreve a pedra de armas com coroa alusiva aos proprietários do conjunto.
Os panos laterais seguem uma tipologia idêntica ao do central, com três vãos simétricos em cada piso e mantendo os elementos horizontais divisores em andares: no andar inferior, uma porta extrema de arco de volta perfeita, moldurada e com chave decorada, é acompanhada por dois janelões de perfil semelhante; superiormente, rasgam-se três grandes janelões retangulares, encimados por pequena cornija saliente e dando o central acesso a pequeno balcão de balaustrada.
Do lado ocidental do conjunto, abre-se o portão que permite o ingresso no logradouro da propriedade, originalmente um espaço ajardinado de fruição da família (hoje abandonado e em ruínas), composto por arco de volta perfeita de cantaria assente sobre largas pilastras. No lado oposto, fazendo esquina com a Rua Alexandre Herculano, desenvolve-se a fachada lateral que segue a organização tripartida das restantes e repete o esquema de vãos dos panos extremos da frontaria, à exceção da porta do piso inferior, que aqui se transforma em janela; o andar nobre é integralmente idêntico, com janelões retangulares e o central protegido por pequeno balcão de balaustrada.
O interior, apesar de algumas transformações próprias de um século de vivência, conserva ainda substanciais parcelas da decoração original, em particular no salão nobre, cujo forro das paredes é revestido em damasco. A maioria dos pavimentos também se mantém, com o recurso a soalhos de carvalho e quer as paredes, quer os tetos, são pintados com composições murais características do gosto da época.

História
Num momento em que o património construtivo eclético (e mais abrangentemente o edificado entre 1850 e 1930) vai sendo objeto de diárias destruições em benefício dos mais variados fins urbanísticos, o palacete urbano dos Viscondes de Lagoa também designado por Palacete de D. Aurora Grade (em memória deste membro da família), hoje infelizmente em mau estado de conservação, permanece um importante marco arquitetónico da pequena nobreza algarvia nos alvores do século XX, coincidente com o derradeiro momento da monarquia. Reafirma-se, assim, a sua importância e a relevância em ser preservado e devidamente restaurado como marco histórico-cultural de um momento tão específico da história local e nacional.
Paulo Almeida Fernandes/IPPAR/2007. Atualizado por Maria Ramalho/DGPC/2016

Imagens

Bibliografia

Título

Silves na transição dos séculos XIX-XX. Aspectos urbano-arquitectónicos, Monumentos, nº23, pp.38-45

Local

Lisboa

Data

2005

Autor(es)

FERNANDES, José Manuel